
O registro de marca ainda é uma etapa pouco acessível para parte relevante dos empreendedores brasileiros, especialmente entre micro e pequenos negócios. No Smart Money, da BM&C News, Leonardo Luz, fundador da Vital Mark, apresentou a proposta da startup de automatizar esse processo e reduzir a burocracia para quem deseja proteger uma marca no Brasil.
A empresa nasce a partir de uma dor recorrente no ambiente de negócios: o empreendedor pode tentar fazer o processo diretamente pelo INPI, enfrentando regras, prazos e classificações técnicas, ou contratar um especialista, o que pode representar um custo elevado para negócios em estágio inicial. A proposta da Vital Mark é oferecer uma terceira via, com uma plataforma digital capaz de orientar o usuário em etapas como análise de viabilidade, emissão da GRU e início do pedido de registro.
“Então nós desenvolvemos o software pensando no empreendedor brasileiro”, explica Leonardo Luz.
Tecnologia busca reduzir custo e complexidade
O preço de entrada da solução foi um dos pontos centrais da conversa. Leonardo citou o valor de R$ 99,90 para iniciar o processo, defendendo que a tecnologia pode ampliar o acesso de pequenos empreendedores à proteção da propriedade intelectual. Na visão apresentada no programa, o registro de marca não deve ser tratado apenas como uma formalidade jurídica, mas como parte da construção de valor de um negócio.
“Será se nós desenvolvermos um software que possibilita o brasileiro registrar a marca por um custo acessível? Será que novas ideias vão surgir no nosso país?”, questiona Leonardo Luz.
Ao relatar o caso de um empreendedor da periferia do Rio de Janeiro que passou a dar aulas de inglês após iniciar o registro da marca, o fundador associou a solução à formalização e ao estímulo ao empreendedorismo. Para ele, a simplificação do processo pode permitir que ideias saiam do papel e avancem para a criação de empresas, geração de renda e movimentação da economia.
“Então, softwares como esse possibilita que o empreendedor brasileiro, possibilita que a nação brasileira crie, continue se desenvolvendo, continue criando coisas novas e promovendo, fomentando a economia do nosso país”, diz Leonardo Luz.
Crescimento rápido exige estrutura jurídica e operacional
Apesar da oportunidade de mercado, a Vital Mark enfrenta desafios típicos de startups em fase de tração. Leonardo afirmou que a empresa foi lançada há cerca de sete a oito meses, embora o desenvolvimento da solução já ocorra há aproximadamente três anos e meio. Com o aumento da demanda, a preocupação passa a ser estruturar processos internos, equipe de tecnologia e uma rede de apoio jurídico.
“Então, a gente está batendo numa barreira onde estamos crescendo de forma muito rápida e estamos tendo muita dificuldade para estruturar o processo enquanto cresce”, reconhece Leonardo Luz.
Um dos pontos de atenção está nos possíveis indeferimentos de pedidos de registro. Como a Vital Mark não atua como escritório jurídico, a empresa trabalha com advogados parceiros para atender usuários que precisem de suporte especializado. Esse modelo pode abrir uma nova frente de negócios, conectando empreendedores a profissionais de propriedade intelectual sem que a startup venda diretamente serviços advocatícios.
“Eu tenho três advogados hoje que estão na retaguarda, que são escritórios jurídicos. Eu não sou sócio deles, são parceiros de fato”, detalha Leonardo Luz.
Educação do mercado é parte da estratégia
Para Cristiano Bem, um dos mentores do programa, a solução apresentada pela Vital Mark resolve uma dor concreta, mas depende de um trabalho consistente de conscientização. Segundo ele, muitos empresários só percebem a importância do registro de marca quando o negócio já ganhou escala ou quando surge algum risco jurídico ou comercial.
“O pessoal chega nesse nível de consciência a partir de um certo faturamento, no qual o negócio tá dando certo”, observa Cristiano Bem.
A recomendação foi segmentar melhor o público-alvo, com foco em empreendedores que já estejam em fase de tração e tenham maior percepção de risco. Para negócios menores, o desafio é educar o mercado sobre a importância de proteger a marca antes que a dor apareça. Essa estratégia pode ajudar a Vital Mark a direcionar melhor sua comunicação e aumentar a conversão da solução.
“Estratégia para você escalar é segmentar muito bem por nível de faturamento”, orienta Cristiano Bem.
Diferença entre plataforma e INPI precisa ficar clara
Mário Nogueira chamou atenção para um ponto central da proposta de valor: a empresa precisa explicar com clareza por que o empreendedor deve pagar para usar a plataforma em vez de fazer o processo diretamente pelo INPI. A pergunta reforça a necessidade de transformar a complexidade técnica em argumento comercial simples, direto e compreensível.
“Qual que vai ser a diferença de eu ir lá no IMP diretamente e colocar todas essas informações e a documentação?”, questiona Mário Nogueira.
Na resposta, Leonardo destacou que a plataforma simplifica interfaces, reduz etapas e diminui o risco de erro no preenchimento de informações. Ele afirmou que classificações incorretas podem levar ao indeferimento do pedido e à perda de taxas pagas, o que reforça o valor da usabilidade em um processo burocrático e sensível para o empreendedor.
“Em uma única interface, você coloca lá as informações, você conclui o processo de registro”, explica Leonardo Luz.
Caixa, venda e organização definem a próxima etapa
Na conclusão do debate, a recomendação foi clara: a Vital Mark precisa vender mais, educar o mercado e usar o próprio crescimento para financiar a estrutura necessária. A visão apresentada é que empresas sem venda acabam gerindo apenas problemas; com caixa, passam a ter mais capacidade de organizar setores, contratar apoio e fazer ajustes operacionais.
Para a Vital Mark, o desafio será transformar uma dor pouco percebida em prioridade para o empreendedor. Se conseguir antecipar essa consciência para o início da jornada empresarial, a startup pode ampliar sua base de clientes, fortalecer sua tese de escala e abrir espaço para futuras conversas com o mercado de capitais.
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