
Alberth Cesar Janjon, apontado como dono de uma plataforma de apostas, foi preso pela Polícia Civil
Reprodução/YouTube
Preso em Campinas (SP) durante a Operação “Jogo Sujo”, que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com jogos de azar e apostas ilegais, Alberth Cesar Janjon também é alvo de outro inquérito em que é apontado como o “mentor intelectual” de um esquema de furto qualificado mediante fraude via Pix.
De acordo com detalhes da investigação aos quais o g1 teve acesso na noite desta quinta-feira (21), a Polícia Civil identificou uma movimentação financeira de até R$ 2 milhões em um único dia.
Entre as vítimas está um banco digital, que relatou prejuízo de R$ 861,7 mil. O valor foi usado para ressarcir clientes lesados.
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Como funcionava o golpe
A investigação é conduzida pela 5ª Delegacia do DEIC (Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos). Segundo a Polícia Civil, Janjon utilizava sua experiência em jogos digitais para estruturar a plataforma criminosa.
O esquema operava por meio de um site que prometia bônus de cerca de R$ 10 para novos usuários e indicações, em um modelo descrito como uma “pirâmide digital”.
Para resgatar os valores, as vítimas eram orientadas a baixar um aplicativo.
De acordo com a investigação, o programa escondia um malware (software espião) que, uma vez instalado em celulares Android, permitia aos criminosos assumir o controle do aparelho.
Com isso, era possível monitorar aplicativos bancários e operar as contas em tempo real.
Quando a vítima tentava fazer um Pix, o sistema travava a tela e alterava destinatário e valor da transferência, sem que o cliente percebesse no momento da confirmação.
O g1 procurou a defesa de Alberth Cesar Janjon para comentar a investigação, e a reportagem será atualizada assim que ela se manifestar.
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Operação Jogo Sujo
Alberth Cesar Janjon, apontado como proprietário de uma plataforma de apostas, foi preso na manhã desta quinta-feira (21) em Campinas (SP), durante a Operação “Jogo Sujo”.
A prisão ocorreu em um apartamento de alto padrão no bairro Nova Campinas. Segundo a Polícia Civil, Janjon seria um dos integrantes do esquema e atuaria como administrador da estrutura ligada às plataformas investigadas.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito foi preso por meio de mandado de prisão preventiva e deve responder por crimes como associação criminosa e estelionato.
Durante a operação, agentes apreenderam dois veículos de luxo avaliados em mais de R$ 1 milhão, além de celulares, cartões bancários, notebook, bolsas e mais de 10 relógios de grife. Um dos relógios apreendidos teria valor aproximado de R$ 1 milhão.
Em nota, a defesa de Janjon classificou a prisão como “totalmente inadequada e desproporcional”. Leia o texto completo abaixo.
Padrão de vida elevado
O delegado Sandro Jonasson, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, afirmou que o investigado mantinha um padrão de vida elevado sem apresentar uma origem financeira considerada compatível.
“Esse cidadão ostentava um padrão de vida elevadíssimo, sem uma renda estabelecida, sem uma procedência financeira crível”, afirmou.
As investigações começaram a partir de apurações da Polícia Civil do Ceará e identificaram uma suposta rede criminosa com atuação em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Ceará e Bahia.
Segundo a polícia, o grupo utilizaria blogueiros e influenciadores digitais para atrair pessoas às plataformas. Os influenciadores indicavam, recomendavam e davam credibilidade aos jogos apresentados aos seguidores.
Ainda conforme a investigação, um dos influenciadores envolvidos possuía mais de 3 milhões de seguidores. A polícia ainda apura a forma de remuneração dessas divulgações, se por pagamentos fixos ou por comissão baseada na captação de usuários.
A polícia também informou que o principal líder da organização teria tentado deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, mas acabou tendo o visto cancelado e foi preso ao retornar ao país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e dimensionar o alcance financeiro do esquema. A Polícia Civil afirma que os prejuízos provocados pelo grupo podem chegar a dezenas de milhões de reais.
Polícia Civil de Campinas apreendeu carros que, juntos, valem mais de R$ 1 milhão
Polícia Civil/Divulgação
O que diz a defesa
“A defesa informa que se trata de um processo oriundo do interior do Ceará, que apura supostos pagamentos realizados a influenciadores para divulgação de plataformas conhecidas como “Jogo do Tigrinho” e outros jogos de azar.
O investigado foi indevidamente vinculado a essas pessoas, embora já atuasse no segmento de apostas esportivas dentro das normas atualmente exigidas pela legislação brasileira. Além disso, os fatos mencionados são antigos e já são objeto de apuração em outro processo em andamento.
Inclusive, nesse outro procedimento, sequer houve decretação de prisão preventiva pelo juízo competente, o que demonstra a ausência dos requisitos legais para a medida extrema agora imposta. Assim, observa-se uma duplicidade investigativa sobre fatos substancialmente semelhantes, já analisados em outro contexto processual.
Diante disso, a defesa entende que a prisão preventiva mostra-se totalmente inadequada e desproporcional. O investigado é empresário, possui residência fixa, atividade lícita conhecida e apresentou comprovação da origem e aquisição dos bens apreendidos.
Ressalte-se, ainda, que parte dos bens levados pela polícia — entre eles, dois veículos localizados na residência — sequer pertencem ao investigado, circunstância que teria sido ignorada durante o cumprimento das medidas de apreensão.”
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