Entenda por que submarinos usam luz vermelha à noite

Luz vermelha dentro do USS BluebackReprodução/Slinkyo

Submarinos utilizam luz vermelha dentro dos ambientes internos durante a noite ou em situações de pouca luz. Essa prática é comum em operações navais, inclusive em submarinos movidos por um reator nuclear, que podem ficar submersos por longos períodos e realizar missões sem depender de GPS.

Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a luz vermelha é usada para que a tripulação consiga ler instrumentos, se deslocar pelos corredores e realizar tarefas sem prejudicar a adaptação dos olhos ao escuro. Isso acontece porque essa cor interfere menos na adaptação dos olhos à falta de luz, ajudando a tripulação a manter a chamada visão noturna.  

No entanto, o uso da cor traz uma alerta especial para as marcações ou escritas em vermelho em mapas e instrumentos, pois estas tornam-se invisíveis pela iluminação vermelha, o que exige atenção redobrada

Esse tipo de iluminação também ajuda a manter a noção de rotina dentro do submarino, já que não há luz natural para indicar dia e noite. Em áreas de circulação e descanso, como escadas e beliches, são usados anteparos para impedir que a luz atinja diretamente os olhos e prejudique a adaptação ao escuro.

Essa escolha está ligada ao fato de que os bastonetes, responsáveis pela visão no escuro, são menos sensíveis à luz vermelha, o que reduz a perda da adaptação visual durante longos períodos de operação.

Iluminação vermelha é usada em submarinos para preservar a adaptação dos olhos ao escuroHe Junhui/Unsplash
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Como funciona a visão humana

A explicação está no funcionamento básico dos olhos. A retina, parte do olho responsável pela visão, possui dois tipos principais de células: os cones e os bastonetes.

Os cones são responsáveis por enxergar cores e funcionam melhor durante o dia. Já os bastonetes ajudam a enxergar no escuro, mas não captam cores com precisão. 

Diferente dos cones, os bastonetes ficam nas bordas da retina, o que significa que, sob luz vermelha, a tripulação perde a visão de canto de olho, precisando virar a cabeça e fixar os olhos diretamente em um objeto para vê-lo.

A luz visível para o olho humano vai aproximadamente de 380 a 760 nanômetros. Dentro dessa faixa, a luz vermelha tem um comprimento de onda maior, especificamente acima de 600 nanômetros. Nessa frequência, ela é praticamente “invisível” para os bastonetes, permitindo que eles permaneçam em um estado de escuridão enquanto os cones trabalham. Para ser eficaz, o vermelho deve ser de uma qualidade precisa e específica, porque, caso contrário, pode destruir a adaptação ao escuro.

Adaptação ao escuro

A visão no escuro depende de um processo chamado adaptação ao escuro. Quando a pessoa fica em um ambiente pouco iluminado, os olhos começam a produzir uma substância chamada rodopsina, que ajuda os bastonetes a funcionarem melhor.

Esse processo leva cerca de 20 a 30 minutos para se completar. No entanto, qualquer exposição a uma luz forte pode interromper essa adaptação e fazer o processo recomeçar.

Por isso, o tipo de iluminação usado dentro do submarino faz diferença direta na capacidade de enxergar no escuro. Um detalhe importante é que a adaptação ocorre de forma independente em cada olho, por isso, marinheiros podem cobrir um dos olhos se forem expostos a uma luz branca repentina para preservar metade de sua visão noturna.

A luz vermelha é usada justamente porque afeta menos esse processo, permitindo que a visão noturna seja mantida enquanto ainda há iluminação suficiente para atividades internas.

Para agilizar o processo de adaptação, é comum usar óculos vermelhos especiais por 30 minutos antes do início de uma missão, permitindo que o militar circule por áreas iluminadas enquanto seus bastonetes já se adaptam à escuridão

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