O esporte há muito tempo deixou de ser apenas entretenimento. Consolidado como um dos ativos mais resilientes da economia global, o setor movimenta US$ 417 bilhões por ano e segue em expansão — impulsionado por direitos de transmissão cada vez mais disputados, pelo crescimento do fandom digital e pela entrada crescente de fundos de investimento em ligas e franquias ao redor do mundo. Agora, o Cannes Lions, o festival de criatividade mais influente do planeta, decide entrar de vez nesse jogo.
Em 2026, o festival lança o LIONS Sport, uma vertical inédita com programação própria nos dias 24 e 25 de junho, no Carlton Hotel, na Riviera Francesa. À frente da iniciativa estão Sophie Godfrey, Global Growth Director, e Kenny Annan-Jonathan, Director of Sport, que em painel recente detalharam o que executivos, fundos de investimento e detentores de direitos esportivos encontrarão no evento.
Para Annan-Jonathan, o LIONS Sport nasce para suprir uma lacuna clara do mercado corporativo: a ausência de um espaço de inteligência focado nas reais dores da indústria do esporte. O diferencial, segundo ele, não está apenas na qualidade dos painéis, mas em quem senta para ouvi-los. A proposta é reunir líderes de organizações esportivas, agências e investidores no mesmo ambiente para fechar negócios, estruturar novas frentes de receita e endereçar lacunas de monetização que ainda limitam o potencial das audiências esportivas globais.
Um dado relevante para quem avalia participar: os ingressos para o LIONS Sport são limitados e vendidos separadamente do passe tradicional do festival. O recorte reforça o caráter premium e explicitamente B2B da iniciativa — menos networking difuso, mais ambiente para fechamento de contratos de alto valor.
Um dos sinais mais estratégicos do painel veio de Godfrey, direcionado a um público que pode surpreender: empresas sem nenhuma relação direta com o universo esportivo. O LIONS Sport foi desenhado com forte apelo para as chamadas marcas não-endêmicas — negócios de tecnologia, finanças, bens de consumo e varejo que não operam no setor, mas que podem colher retornos expressivos ao se associar a ele. A lógica é financeiramente sólida: o esporte oferece engajamento de massa e um nível de fidelidade — o cobiçado fandom — que poucas plataformas de mídia ou tecnologia conseguem replicar. Godfrey posicionou o esporte como uma linguagem universal capaz de mobilizar conselhos de administração e encorajar líderes a estruturarem iniciativas fora de suas zonas de conforto corporativas.
Além do conteúdo programático, o networking deve ser o grande motor financeiro do evento. O LIONS Sport funcionará em sinergia com ativações como a Sport Beach, promovida em parceria com a Stagwell, criando um ambiente voltado à colaboração prática entre marcas, atletas e executivos de marketing. O movimento acompanha a profissionalização acelerada dos investimentos no setor, onde direitos de transmissão, joint-ventures com ligas e a economia dos criadores de conteúdo convergem em um único ecossistema de negócios.
Mais do que entregar prêmios, o LIONS Sport chega com uma ambição declarada: posicionar-se como o principal fórum de inteligência financeira e estratégica da economia do esporte na próxima década.
O post Cannes Lions lança vertical dedicada ao esporte e mira mercado de US$ 417 bilhões apareceu primeiro em BM&C NEWS.
