Por que cuidar do dinheiro sozinho pode aumentar o risco para o investidor

No Wall Street Cast, da BM&C News, exibido em 19 de maio de 2026, Bruno Corano analisou os riscos de investidores tentarem administrar o próprio patrimônio sem apoio especializado. A reflexão partiu da ideia de que cuidar do dinheiro envolve mais do que escolher produtos financeiros: exige tempo, conhecimento, planejamento, controle de risco e leitura integrada de diferentes classes de ativos.

Para Corano, o desejo de investir bem é comum entre pessoas que construíram patrimônio ao longo da vida. No entanto, esse objetivo esbarra na complexidade do mercado financeiro, especialmente quando a carteira passa a envolver renda fixa, renda variável, fundos imobiliários, bonds, câmbio, opções e estratégias internacionais.

“Você não tem como cuidar do seu dinheiro sozinho”, afirma Bruno Corano.

Diversificação aumenta a complexidade da carteira

A primeira dificuldade apontada por Corano é o tempo necessário para acompanhar diferentes mercados com profundidade. Segundo ele, mesmo uma rotina de 12 ou 14 horas diárias de trabalho não seria suficiente para analisar, com o mesmo nível de detalhe, todos os ativos que podem compor uma carteira sofisticada.

Essa limitação se torna ainda mais relevante para profissionais que já têm outra atividade, como empresários, médicos, advogados, engenheiros ou executivos. Mesmo quando há interesse em finanças, a gestão patrimonial exige dedicação contínua, atualização técnica e acompanhamento de cenários que mudam rapidamente.

“Investir requer muito tempo, porque são muitas classes de ativo”, explica Bruno Corano.

Conhecimento protege o investidor de decisões ruins

Embora defenda a necessidade de assessoria, Corano ressalta que o investidor não deve abrir mão de entender o próprio patrimônio. Para ele, conhecimento financeiro é essencial para avaliar propostas, questionar recomendações, compreender riscos e evitar decisões tomadas apenas por confiança pessoal ou apelo comercial.

Nesse sentido, a supervisão da carteira passa a ser uma responsabilidade permanente do investidor. A assessoria pode apoiar a análise e a execução, mas o cliente precisa saber interpretar o que está sendo feito com seu dinheiro e quais objetivos estão por trás de cada decisão.

“Supervisionar os investimentos é essencial”, ressalta Bruno Corano.

Gestão patrimonial exige equipes especializadas

Corano comparou a gestão financeira à medicina, em que diferentes especialidades exigem conhecimentos próprios. Assim como um único médico não costuma atuar, ao mesmo tempo, como cardiologista, dermatologista, ortopedista e endocrinologista, um único profissional também dificilmente domina todas as áreas necessárias para gerir um patrimônio amplo.

A construção de uma carteira, segundo ele, depende de diferentes especialistas avaliando cenários, empresas, títulos, riscos, oportunidades e estruturas de proteção. Esse processo busca evitar concentração excessiva e calibrar a exposição do investidor de acordo com seu perfil, horizonte de tempo e necessidade de liquidez.

“Não seria possível eu, Bruno, sozinho, conseguir dominar tantas classes de ativo”, avalia Bruno Corano.

Conselhos informais podem distorcer a estratégia

Outro ponto de alerta envolve os conselhos informais sobre investimentos. Corano afirmou que o investidor está frequentemente exposto a recomendações de pessoas próximas, abordagens comerciais, convites sofisticados e promessas de estratégias com alto potencial de retorno, mas sem aderência clara ao seu perfil.

Para ele, não se pode confundir proximidade pessoal com capacidade técnica. Antes de seguir uma recomendação, o investidor precisa entender se aquela estratégia faz sentido para seus objetivos, sua tolerância a risco e sua estrutura patrimonial, em vez de aceitar soluções padronizadas como se servissem para todos.

“Conselho de graça raramente tem valor”, alerta Bruno Corano.

Planejamento financeiro integra patrimônio, sucessão e risco

Na visão de Corano, o planejamento financeiro é a base para qualquer estratégia consistente. Isso inclui entender metas de vida, aposentadoria, sucessão, tributação, seguros, blindagem patrimonial e performance dos investimentos, já que esses elementos estão conectados e influenciam a forma como a carteira deve ser construída.

O problema, segundo ele, é que muitos investidores chegam ao mercado sem esse diagnóstico. Sem planejamento, a alocação tende a ficar fragmentada, vulnerável a decisões pontuais e distante das necessidades reais do cliente, especialmente em estruturas familiares, internacionais ou com patrimônio mais elevado.

“É impossível você cuidar bem da vida financeira de alguém se você não estruturar blindagem, sucessão, tributos, a parte securitária e também a performance dos investimentos”, analisa Bruno Corano.

Assessoria financeira passa por transformação estrutural

Corano também avaliou a transformação do mercado de assessoria financeira, especialmente nos Estados Unidos. Segundo ele, profissionais mais experientes tendem a migrar para estruturas próprias ou boutiques, onde conseguem atuar com maior liberdade, proximidade com o cliente e foco em soluções personalizadas.

Para o investidor, essa mudança reforça a importância de escolher assessores com base em histórico, experiência, resultados, referências e capacidade técnica. A conclusão do episódio é que a gestão do dinheiro exige educação financeira, planejamento e apoio qualificado, sobretudo em um ambiente de produtos cada vez mais sofisticados.

“As melhores mentes e os melhores serviços estão justamente fora das grandes instituições”, conclui Bruno Corano.

 

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