
É #FAKE vídeo em que Xororó recomenda truque do hortelã para curar mau hálito
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Circula nas redes sociais um vídeo do cantor Xororó, da dupla com Chitãozinho, dizendo que sofreu com o mau hálito e recomendando um chá natural conhecido como “truque de hortelã” para curar o problema. Há também o link para um site de venda de um guia com “dicas naturais”. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🛑 Como é o vídeo falso?
O vídeo com mais de quatro minutos viralizou como anúncio pago em plataformas da Meta, como Facebook, Instagram, Messenger e Threads (veja nota da empresa ao final desta reportagem). A propaganda aparece para usuários acordo com idade, gênero, localização e interesses.
As cenas exibem uma sucessão de fotos de Xororó em shows e, em meio a essa sequência, trechos de uma entrevista real do cantor. Mas o autor do conteúdo usou inteligência artificial (IA) para manipular esse registro e inserir um áudio que imita a voz do sertanejo, com declarações que ele nunca fez. Nessa versão mentirosa, o artista aparece falando que sofreu com mau hálito por quatro anos, que o teria levado a cancelar shows. Também indica um “truque do hortelã” para solucionar o problema.
O Fato ou Fake submeteu o material a uma ferramenta que detecta áudios fabricados sinteticamente e comprovou o uso desse recurso. Procurada, a assessoria de imprensa de Xororó desmentiu a história. Por fim, uma dentista explicou que a “cura” mencionada não é efetiva (leia todos os detalhes mais abaixo nesta checagem).
No vídeo, o cantor “conta” ter descoberto, por meio de um vídeo de uma mulher chamada Fernanda Silva, que o mau hálito seria causado por uma bactéria no estômago, e não decorrência de higiene bucal ruim. O depoimento cita um chá natural conhecido como “truque da hortelã”, supostamente baseado em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), para eliminar o inconveniente.
Por fim, cita-se que a “indústria farmacêutica” tenta derrubar o vídeo, com indicação de um link para aprender a “receita”.
O endereço indicado leva a um site que exibe recomendações para reduzir o mau hálito e um botão com a expressão “quero aprender as dicas”. A página alerta que não promete resultados e que eles podem variar dependendo da idade e do peso. Afirma ainda que o produto não se destina a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença.
O botão leva a um novo site. No topo, aparece um cronômetro de 14 minutos, junto à expressão “oferta por tempo limitado”. Um formulário colhe dados pessoais como nome, Cadastro de Pessoa Física (CPF), e-mail e telefone. O produto é vendido a R$ 47 via PIX, boleto ou cartão. O dinheiro vai para uma intermediadora de pagamentos.
⚠️ Por que é #FAKE?
Contatada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa Xororó respondeu, por WhatsApp, que “o vídeo em questão é falso.” E disse que “o conteúdo utiliza trechos de uma entrevista concedida ao jornalista André Piunti, que foram manipulados com o uso de inteligência artificial, resultando em declarações totalmente fora de contexto”. “O cantor nunca fez tais afirmações, tampouco autorizou o uso de sua imagem para esse tipo de conteúdo.”
O Fato ou Fake submeteu o vídeo ao Hive Moderation, que detecta uso de IA. Resultado da análise: probabilidade de 99,2% de a fala atribuída ao cantor ter sido gerada com esse recurso. O detector Hiya, disponível na ferramenta de verificação InViD e voltado especificamente para análise de áudios, também apontou alta probabilidade (68%) de a fala ser sintética.
O vídeo também foi submetido à ferramenta de detecção Hive Moderation. Resultado da análise: Fala gerada por IA, com probabilidade de 99,2%.
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O Hiya apontou o áudio como muito provavelmente gerado por inteligência artificial, com probabilidade de 68%.
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Em entrevista por telefone, a presidente da Associação Brasileira de Halitose (ABHA), a cirurgiã-dentista Sandra Kirchmayer, explicou:
O mau hálito decorre da liberação de alguns compostos malcheirosos, normalmente derivados de enxofre, pela expiração da pessoa. Quando a liberação desses compostos de enxofre sobe acima do limiar da percepção humana, o hálito passa a incomodar.
Não se trata de uma doença, mas, sim, de um sinal/aviso dado pelo corpo a respeito de algo fora do equilíbrio.
A principal causa da halitose é a saburra lingual ou o biofilme lingual, que são camadas de células mortas, resíduo alimentar e deficiência de uma higiene correta da língua. A doença periodontal também representa um desequilíbrio bacteriano importante.
A halitose é geralmente bacteriana – só que são bactérias que estão em desequilíbrio no meio bucal. E isso faz com que, nesse metabolismo bacteriano, a pessoa exale alguns compostos de enxofre.
O mau hálito deve ser tratado pelo cirurgião-dentista, já que mais de 90% das causas da halitose estão na boca. Tem que ser um cirurgião dentista com capacidade para esse tipo de diagnóstico e para esse tipo de tratamento. O primeiro passo é estabelecer o diagnóstico correto.
É muito comum a halitose ter relação com fatores associados. Por exemplo, a pessoa que tem um déficit salivar importante pode piorar a sensação dela em relação ao hálito.
Quem promete cura para a halitose está fazendo uma promessa falsa. O chá de hortelã não cura mau hálito. Ele tem suas propriedades próprias da erva, fresca, que vai dar um conforto gástrico, mas de forma nenhuma está associado à produção de gases de enxofre.
Outro mito: a halitose vem do estômago. Mais de 90% das causas são de origem bucal.
A relação com o estômago ocorre em raríssimos casos. Não é o que acontece na clínica diária.
📌 O que diz a Meta?
Procurada pelo Fato ou Fake, a Meta respondeu com a seguinte nota, por e-mail.
“Com base em suas políticas, a Meta não permite a desinformação prejudicial sobre saúde que organizações de saúde reconhecidas identificam como provável de contribuir diretamente para danos iminentes à saúde e à segurança pública. Isso inclui desinformação sobre vacinas e conteúdo que promove ou defende curas milagrosas prejudiciais para questões de saúde. Trabalhamos com uma rede de verificadores de fatos independentes, incluindo parceiros no Brasil, para revisar e classificar informações potencialmente falsas ou enganosas, o que pode incluir desinformação sobre saúde. Quando os verificadores de fatos classificam um conteúdo como falso, reduzimos sua distribuição e aplicamos rótulos para informar as pessoas antes de compartilharem. Também incentivamos nossa comunidade a denunciar conteúdos que acreditam violar nossas políticas, para que possamos revisar e tomar as medidas apropriadas. Para mais informações sobre como funciona a verificação de fatos em nossas plataformas, visite nosso Centro de Transparência. Você também pode encontrar mais detalhes sobre nossa abordagem à desinformação aqui”.
O link que remete ao Centro de Transparência abre uma página cuja atualização data de abril de 2025. Ela informa que “nos próximos meses, encerraremos o programa atual de verificação de fatos por terceiros nos Estados Unidos e iniciaremos a transição para um programa baseado na comunidade chamado Notas da Comunidade”. “Estamos começando a implementar as Notas da Comunidade nos EUA e continuaremos a aprimorá-las ao longo do ano antes de expandi-las para outros países.”
Cita ainda: “Atualmente, no resto do mundo, contamos com verificadores de fatos independentes da Meta e certificados pela entidade apartidária Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN, pela sigla em inglês) ou pela European Fact-Checking Standards Network (EFCSN), na Europa, para combater a desinformação no Facebook, no Instagram e no Threads. Enquanto os verificadores de fatos se concentram na legitimidade e na precisão das informações, nosso foco é informar as pessoas quando o conteúdo é classificado”.
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