
Visitantes divulgaram fotos com arara azul e marcaram o empreendimento nas redes sociais.
Processo/MPMS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul divulgou no Diário Oficial de quinta-feira (21) a abertura de uma Notícia de Fato para investigar possíveis crimes ambientais no Refúgio Ecológico Pousada Canaã, em Bodoquena (MS).
O g1 entrou em contato com o empreendimento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
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A investigação tem como base relatórios técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que apontam uso irregular de animais silvestres em atividades turísticas e descumprimento de regras previstas na licença ambiental.
Agora no g1
Fiscalização identificou interação com animais
Segundo o Ibama, a fiscalização foi realizada em fevereiro deste ano. Durante a ação, os agentes analisaram a licença ambiental do empreendimento e identificaram uma condicionante que proibia, de forma expressa, a interação entre turistas e animais silvestres.
Além de atividades como mirante, camping e hospedagem, o órgão ambiental identificou registros de visitantes interagindo com animais dentro do local.
“Foram identificados diversos registros de interação entre visitantes com a fauna silvestre ocorrendo no espaço do empreendimento. Diversas fotos em que turistas conduzem, alimentam e em alguns casos até beijam os animais silvestres para realizar registros fotográficos, prática considerada ilegal”, diz o documento.
De acordo com o Ibama, a fiscalização ocorreu após a identificação frequente, nas redes sociais, de imagens que mostravam visitantes pegando, conduzindo, alimentando e interagindo diretamente com aves no empreendimento. Segundo o relatório, o local “mesmo tendo em suas condicionantes a proibição, acabou sendo omisso em coibir a prática”.
Questionado sobre as interações, o empreendimento informou ao Ibama que funcionários alimentam as araras há anos, oferecendo sementes e frutas aos animais.
Por causa das irregularidades, o Ibama aplicou um auto de infração por exploração comercial da imagem de animal silvestre, situação considerada irregular, e descumprimento das condicionantes da licença ambiental, com multa de R$ 50,5 mil.
A Promotoria de Justiça determinou que a Polícia Civil abra um procedimento investigativo para apurar os supostos crimes ambientais no prazo de 10 dias. O empreendimento também foi convidado a prestar esclarecimentos no mesmo período.
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