O único deserto do mundo com lagoas de água doce vira o mais novo Patrimônio Natural da Humanidade

O único deserto do mundo com lagoas de água doce vira o mais novo Patrimônio Natural da Humanidade

Nas areias do litoral oriental do Maranhão, dunas brancas de até 40 metros formam um cenário que parece pintado. Os Lençóis Maranhenses guardam um fenômeno raro: milhares de lagoas cristalinas que nascem entre as dunas durante o período de chuvas e fazem desse pedaço do Brasil o único lugar do planeta onde um campo de dunas se transforma em piscina natural.

O parque que a Unesco demorou 23 anos para reconhecer

Criado pelo decreto nº 86.060 de 2 de junho de 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (PNLM) protege uma área de cerca de 155 mil hectares, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). São 90 mil hectares só de dunas livres e lagoas interdunares, distribuídos pelos municípios de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Primeira Cruz.

Em 26 de julho de 2024, o parque foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em sessão realizada em Nova Délhi. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, foi a primeira vez em 23 anos que o Brasil teve um sítio natural reconhecido pela organização.

Lençois Maranhenses, Maranhão // Créditos: Wikipedia

Como nasce o fenômeno das lagoas no meio das dunas?

O parque está numa zona de transição entre três biomas: Cerrado, Caatinga e Amazônia. Essa combinação cria um regime de chuvas concentrado entre janeiro e maio, quando a água preenche as depressões entre as dunas e forma lagoas de água doce sustentadas por uma camada impermeável de areia compactada no subsolo.

Conforme a estação seca avança, o sol e o vento evaporam o conteúdo das lagoas e a paisagem muda mês a mês. Por isso o ciclo é tão particular: a mesma duna que reflete o azul-turquesa em julho aparece nua e dourada em dezembro.

Lençois Maranhenses, Maranhão // Créditos: Wikipedia

Quais passeios não podem ficar de fora do roteiro?

Os passeios saem das três bases e cada uma oferece um recorte diferente do parque. As jardineiras 4×4 são o transporte clássico, com saídas pela manhã e à tarde para os circuitos de lagoas.

  • Circuito Lagoa Azul: o roteiro mais procurado, com paradas em três a cinco lagoas, entre elas a Lagoa da Esmeralda e a Lagoa do Peixe.
  • Circuito Lagoa Bonita: exige subir uma duna íngreme e entrega uma das vistas mais panorâmicas do parque.
  • Rio Preguiças de lancha: passeio que liga Vassouras, Mandacaru (onde fica o farol Preguiças com vista 360°) e a praia do Caburé.
  • Sobrevoo panorâmico: voo de cerca de 30 minutos em monomotor, a melhor forma de entender a escala das dunas.
  • Travessia a pé: roteiro de vários dias entre Santo Amaro e Atins, atravessando o coração do parque.

Quem deseja entender em profundidade por que os Lençóis Maranhenses são considerados um dos cenários mais deslumbrantes e improváveis do mundo vai se encantar com este vídeo completo do canal Rolê Família. Com mais de 554 mil visualizações, o vídeo registra uma vivência minuciosa de mais de 15 dias explorando a região, funcionando como um guia detalhado sobre as três principais bases turísticas, curiosidades geológicas e uma emocionante expedição de travessia a pé pelo parque nacional:

Comida de pescador e a influência do litoral maranhense

A culinária local vive da pesca artesanal e dos ingredientes do Rio Preguiças. Os restaurantes de Barreirinhas e Atins servem peixes do dia e pratos baseados em receitas das comunidades tradicionais que vivem dentro e no entorno do parque.

  • Peixada maranhense: prato à base de pescada amarela com leite de coco, tomate e coentro, servido com arroz e pirão.
  • Caranguejo: tirado dos manguezais da região, vem com farinha de mandioca e limão.
  • Arroz de cuxá: receita típica de São Luís presente nos cardápios da região, com vinagreira, gergelim e camarão seco.

Quando ir para encontrar as lagoas no auge?

A melhor época para visitar o parque vai de junho a setembro, com pico entre junho e agosto, quando as lagoas estão cheias logo após o fim das chuvas. A partir de outubro, muitas começam a secar e só as perenes mantêm água.

🌧
Chuvosa
Janeiro a Maio
24°C a 32°C

As intensas e frequentes precipitações abastecem os lençóis de areia. Janela de lagoas se formando e colorindo a paisagem verde do entorno.
☔ CHUVA ALTA

🏝
Cheia
Junho a Agosto
25°C a 31°C

A fantástica janela de ouro e auge turístico absoluto! Tempo firme e seco para mergulhar nas lagoas no auge e realizar todos os circuitos do parque.
⭐ LAGOA CHEIA

🪁
Transição
Setembro a Outubro
25°C a 33°C

A estiagem é severa, mas os ventos fortes entram em cena. Excelente para visitar as lagoas em Santo Amaro e praticar kitesurf na vila de Atins.
💨 VENTOS FORTES

🏜
Seca
Novembro a Dezembro
25°C a 33°C

A maioria das lagoas sazonais evapora completamente. Época propícia para registrar as imensas dunas nuas, fazer sobrevoo e velejar de kitesurf.
☀ TEMPO SECO

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao parque saindo de São Luís?

O acesso principal é por Barreirinhas, a 260 km da capital maranhense pelas rodovias BR-135 e MA-402, em trajeto totalmente asfaltado que leva cerca de 4 horas de carro. Vans e ônibus saem diariamente de São Luís. Santo Amaro do Maranhão e o povoado de Atins são portas de entrada alternativas, com acesso mais rústico e lagoas menos visitadas.

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Conheça o deserto que floresce no Nordeste

Os Lençóis Maranhenses reúnem em um só lugar o silêncio das dunas, o azul das lagoas e a vida das comunidades que ainda pescam no Rio Preguiças. É um cenário raro, agora com o selo da Unesco para confirmar o que os maranhenses já sabiam.

Você precisa pisar nessa areia branca pelo menos uma vez na vida e ver com os próprios olhos o único deserto do mundo onde se pode nadar entre as dunas.

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