Fósseis encontrados no Deserto do Atacama, no norte do Chile, revelaram um antigo lago de água doce que existiu há mais de 200 milhões de anos. O achado preserva plantas, insetos, crustáceos, moluscos, peixes e tubarões de água doce do período Triássico.
Como os fósseis foram encontrados no Deserto do Atacama?
A descoberta foi descrita por uma equipe internacional liderada por Diego Volosky, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, na Alemanha, com pesquisadores do Chile e da Argentina. Segundo a Universidade de Jena, o depósito reúne uma comunidade fóssil incomumente rica para a região norte chilena.
O material foi publicado em dezembro de 2025 na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology. A pesquisa identifica um antigo sistema de lago de rifte, formado quando blocos da crosta se afastavam durante as fases iniciais da fragmentação do supercontinente Gondwana.

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Por que esses fósseis mudam a leitura do Triássico no Chile?
O período Triássico, situado entre cerca de 252 milhões e 201 milhões de anos atrás, veio logo depois da maior extinção em massa documentada na história da Terra. Naquele momento, o atual território chileno ainda fazia parte de Gondwana, unido a áreas que hoje correspondem à África, Austrália e Antártica.
Conforme o artigo publicado na ScienceDirect, a biota da Formação El Mono representa o registro mais completo de um paleoecossistema continental triássico já descrito na margem sudoeste de Gondwana. O estudo também propõe a unidade como possível Konservat-Lagerstätte, termo usado para depósitos fósseis de preservação excepcional.
Que organismos apareceram nesse antigo lago de água doce?
O depósito preserva uma cadeia alimentar ampla, com produtores terrestres, consumidores aquáticos e predadores de água doce. O conjunto inclui plantas, insetos, ostrácodes, moluscos, peixes ósseos e tubarões de água doce, permitindo reconstruir tanto o lago quanto a paisagem ao redor.
Os principais grupos encontrados ajudam a entender a diversidade do antigo ecossistema:
- Plantas terrestres: preservam sinais da vegetação que crescia nas margens do lago.
- Insetos completos: mostram detalhes delicados raramente mantidos por mais de 200 milhões de anos.
- Crustáceos de água doce: indicam a existência de ambientes aquáticos estáveis e variados.
- Moluscos e ostracodes: ajudam a interpretar a química e a profundidade do antigo lago.
- Peixes e tubarões de água doce: ocupavam níveis superiores da cadeia alimentar.

Como os fósseis ficaram tão bem preservados por mais de 200 milhões de anos?
A preservação excepcional ocorreu porque o fundo do lago tinha condições de baixo oxigênio, o que reduziu a decomposição e afastou animais carniceiros. Sedimentos finos cobriram organismos frágeis antes que fossem destruídos, criando uma cápsula geológica de longa duração.
De acordo com a MDR, o achado no Atacama mostra um cenário muito diferente do deserto extremo atual. As evidências apontam para um antigo ambiente lacustre capaz de preservar até asas de insetos, esqueletos articulados de peixes e estruturas reprodutivas de plantas.

O que a Formação El Mono revela sobre o antigo Gondwana?
A Formação El Mono registra um ambiente fluvial e lacustre ligado a um sistema de rifte no sudoeste de Gondwana. Isso significa que o atual norte do Chile, hoje marcado por aridez extrema, já abrigou uma paisagem com água doce, margens vegetadas e vida abundante.
A tabela abaixo organiza os elementos centrais do depósito e mostra como cada dado ajuda a reconstruir esse paleoecossistema:
| Elemento do achado | Informação verificada | Importância científica |
|---|---|---|
| Localização | Deserto do Atacama, norte do Chile | Mostra que a região já teve ambientes lacustres no passado profundo |
| Período geológico | Triássico, entre 252 e 201 milhões de anos | Situa o lago em uma fase inicial da história dos dinossauros |
| Ambiente original | Lago de rifte em sistema fluvial-lacustre | Indica formação ligada à fragmentação de Gondwana |
| Organismos preservados | Plantas, insetos, crustáceos, moluscos, peixes e tubarões | Permite reconstruir uma cadeia alimentar quase completa |
| Preservação | Sedimentos finos e fundo pobre em oxigênio | Explica a conservação de estruturas frágeis por mais de 200 milhões de anos |
Por que o depósito de fósseis ajuda a entender a recuperação da vida?
O valor do sítio não está apenas na quantidade de material encontrado. Como o Triássico sucedeu uma extinção em massa global, esses fósseis ajudam a investigar como ecossistemas continentais se reorganizaram após uma das maiores crises biológicas da história.
O próximo passo da equipe é refinar a reconstrução paleoecológica e identificar com mais detalhe os organismos encontrados. Ao reunir vida aquática e terrestre no mesmo depósito, o sítio chileno oferece uma leitura rara sobre a recuperação ambiental no Hemisfério Sul.
O lago perdido do Atacama mostra que desertos também guardam mundos extintos
O contraste entre o Deserto do Atacama atual e o lago de água doce do Triássico mostra como a superfície do planeta muda em escalas difíceis de imaginar. Onde hoje domina a aridez, existiu um ecossistema com água, plantas, insetos, peixes e predadores aquáticos.
Esses fósseis transformam o norte do Chile em uma janela para o antigo Gondwana. Mais do que um acúmulo de restos preservados, o depósito mostra que até os lugares mais secos da Terra podem esconder capítulos inteiros da história da vida.
O post Uma grande equipe internacional de cientistas acaba de encontrar escondido sob o solo escaldante do árido deserto do Atacama no território do Chile um valioso depósito de fósseis incrivelmente bem preservados de um antigo e florescente lago de água doce com mais de 200 milhões de anos, datando exatamente da época distante do gigantesco supercontinente Gondwana e do período geológico inicial conhecido como Triássico apareceu primeiro em BM&C NEWS.
