
Internações por síndromes respiratórias crescem mais de 200% em Ribeirão Preto, SP
Os casos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registraram um aumento de 202% entre janeiro e abril deste ano em Ribeirão Preto (SP), segundo a Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde.
O balanço do município contabiliza 403 registros em 2026 e 21 mortes confirmadas. Do total de pacientes que precisaram de internação no período, 88 são crianças.
Em janeiro, ainda segundo dados da Vigilância Epidemiológica, foram 49 casos registrados. Em fevereiro, este número subiu para 64.
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Os registros passaram a aumentar a partir de março, quando o número de casos saltou para 108. O mês de abril fechou com 148 internações e até o dia 10 de maio, 34 ocorrências graves já haviam sido registradas. (veja no gráfico abaixo)
Evolução das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave em Ribeirão Preto em 2026
Quando se preocupar?
Segundo o médico infectologista Lucas Agra, quadros simples de gripe e resfriado podem se transformar rapidamente em SRAG, especialmente em grupos mais suscetíveis, e o principal sinal de alerta é a dificuldade para respirar.
“A Síndrome Respiratória Aguda Grave é bem caracterizada pela dispneia, que é a falta de ar. Na maioria das vezes, são doenças muito simples que não trazem transtornos, mas em uma pequena camada, geralmente pessoas mais vulneráveis, com doenças de base ou não vacinadas, essa síndrome viral, seja influenza ou covid, pode evoluir para a forma grave”.
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Ainda segundo o infectologista, com a virada do tempo e a chegada das temperaturas mais baixas de outono e inverno, o cenário cria o ambiente perfeito para a proliferação dos vírus.
“A gente fica um pouco mais aglomerado, com as portas fechadas, e o vírus circula com maior força e por mais tempo nesse local. Isso aumenta a transmissão e a chance de as pessoas ficarem doentes. Muito provavelmente, ainda vamos ver mais casos nas próximas semanas”.
A recomendação de especialistas é buscar assistência médica imediata caso o paciente apresente tosse e falta de ar, sinais clássicos de agravamento do quadro.
Tosse e falta de ar são os principais sinais de alerta para o agravamento de síndromes respiratórias, segundo especialistas
Divulgação
Evolução rápida e internação
Gabriel Gonzalez, de 6 meses, passou 11 dias internado em um hospital de Ribeirão Preto e o motivo foi a infecção pelo vírus Influenza, causador da gripe, que evoluiu para um quadro agudo.
A vendedora Tawane Gonzalez, mãe do bebê, relata que os sintomas começaram leves, mas se agravaram em pouco tempo e o que mais assustou a família foi a velocidade com que o quadro piorou.
“Os primeiros sinais foram o nariz escorrendo, aquela secreção clarinha, quase transparente. Muita tosse, no começo seca, depois começou carregada, e aí veio a febre de 38°C, 39°C. No terceiro dia de febre, levei na UPA. Foi coisa de dois, três dias, no máximo, ele já ficou bem ruinzinho. Dava para ver o cansaço na barriguinha dele, e ele é muito pequenininho. Fiquei bem assustada”.
O pequeno Gabriel, de seis meses, passou 11 dias internado em Ribeirão Preto (SP) após contrair o vírus Influenza
Reprodução EPTV
Vírus em circulação e baixa adesão à vacina
Neste ano, segundo a Vigilância Epidemiológica, o vírus Influenza A é o principal responsável pelos quadros graves em Ribeirão Preto, respondendo por 35% das internações.
Em seguida, aparecem o Rinovírus (18,9%), a Covid-19 (17,8%) e o Vírus Sincicial Respiratório (12,4%). Também há registros de Influenza B (7,1%), Metapneumovírus e Adenovírus.
De acordo com Luzia Marcia Romanholi Passos, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, o avanço nos casos mostra que os vírus estão em circulação e podem ser transmitido com facilidade.
Apesar da alta nos casos, a procura pela vacina, considerada a principal barreira de proteção, segue muito abaixo da meta, ainda de acordo com Luzia, o que acende um alerta para o risco de novos surtos.
“Neste ano, a procura pela vacina contra a gripe está muito pequena. Estamos com baixa adesão, com uma cobertura menor que 40% para idosos e menor que 20% para crianças. Lembrando que as vacinas têm o âmbito de proteger tanto individualmente as pessoas como também coletivamente”.
Imunizante contra a gripe é a principal barreira de proteção e está disponível gratuitamente em 39 unidades de saúde de Ribeirão Preto (SP)
Fernando Gonzaga
📍Onde e como se vacinar
A vacina contra a gripe está disponível gratuitamente para toda a população a partir dos 6 meses de idade. A meta do Ministério da Saúde é imunizar 90% dos brasileiros que integram os grupos prioritários.
Veja as orientações para receber a dose:
💉O imunizante protege contra os vírus H1N1, H3N2 e Influenza B, que são as cepas com maior circulação no momento. A dose pode ser administrada simultaneamente a outras vacinas do calendário básico.
🪪 Para se vacinar, é necessário comparecer ao posto de saúde apresentando um documento pessoal e a carteira de vacinação (caso possua).
🏥 A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto disponibiliza 39 salas de vacina para a aplicação. A lista completa com as unidades e os respectivos endereços pode ser consultada no site da prefeitura.
Vacina contra gripe
Divulgação/Sesap-RN
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