
Em 1974, agricultores que cavavam um poço na província de Shaanxi, perto da cidade de Xi’an, na China, encontraram por acaso um enorme exército de estátuas de barro enterrado havia mais de 2 mil anos.
As esculturas fazem parte do túmulo de Qin Shi Huang, o primeiro imperador responsável por unir a China, morto em 210 antes de Cristo. O conjunto estava escondido em três grandes áreas subterrâneas localizadas a cerca de 1,5 quilômetro do túmulo principal.
As escavações feitas ao longo das últimas décadas aconteceram principalmente nas áreas ao redor do túmulo principal. Relatos do historiador Sima Qian, que viveu entre 145 e 95 antes de Cristo, afirmam que trabalhadores de várias partes do império participaram da construção de uma enorme cidade subterrânea criada para proteger o imperador após sua morte.

O mausoléu de Qin Shi Huang foi construído na região do monte Lishan. As obras começaram em 246 antes de Cristo, quando ele ainda era rei. O túmulo principal fica sob um monte com mais de 51 metros de altura e cercado por duas muralhas.
Segundo os registros históricos, o imperador mandou instalar armadilhas com armas para atacar possíveis invasores. Os textos também dizem que mercúrio foi usado para representar rios importantes da China e o oceano dentro da estrutura subterrânea. No teto, teriam sido desenhadas representações das estrelas e constelações.
Estátuas tinham cores fortes
Arqueólogos acreditam que as três áreas escavadas abriguem cerca de seis mil guerreiros e cavalos de terracota em tamanho real. As esculturas representam diferentes tipos de soldados, como arqueiros, oficiais militares e condutores de carruagens.

Originalmente, as estátuas eram pintadas com cores fortes, como azul, vermelho, verde, rosa e roxo. Porém, grande parte dessas pinturas desapareceu depois que as peças foram retiradas do solo e entraram em contato com o ar.
Na década de 1990, Alemanha e China iniciaram pesquisas conjuntas para tentar preservar as cores originais das esculturas.
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Armas ajudaram na expansão do império
Além das estátuas, arqueólogos encontraram milhares de armas de bronze, como espadas, lanças, flechas e mecanismos usados em bestas, armas antigas parecidas com arcos que disparavam flechas com grande força.

Somente na primeira área escavada, foram encontradas mais de 40 mil flechas de bronze e centenas de outras armas. Algumas peças possuem inscrições com informações sobre quem produziu os objetos, quem supervisionou o trabalho e em qual período eles foram feitos.
Os registros mostram que muitas dessas armas foram fabricadas antes da unificação da China, quando vários reinos disputavam território em guerras frequentes. Pesquisadores acreditam que esse arsenal teve papel importante nas conquistas militares de Qin Shi Huang.
Local virou patrimônio mundial
Os guerreiros de terracota e o complexo funerário de Qin Shi Huang foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Especialistas acreditam que milhares de esculturas ainda continuam enterradas no local.
A área arqueológica ocupa cerca de 56 quilômetros quadrados e reúne mais de 600 locais históricos, incluindo estábulos, carruagens de bronze, esculturas de artistas e depósitos de armas.
