Microplásticos podem enfraquecer “pulmão” dos oceanos

Fitoplâncton é responsável por grande parte da produção de oxigênio e da absorção de CO² no planetaReprodução/Noaa

Os oceanos exercem um papel essencial no equilíbrio climático do planeta, ajudando a retirar parte do gás carbônico, responsável pelo aquecimento global, presente na atmosfera. Mas um estudo recente acendeu um alerta sobre como a poluição por microplásticos pode interferir nesse processo.

Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) descobriram que essas partículas minúsculas de plásticos espalhados pelos mares podem prejudicar o crescimento de microalgas marinhas responsáveis por grande parte da  produção de oxigênio da Terra e absorção de dióxido de carbono (CO²), reduzindo assim a capacidade dos oceanos de funcionar como uma espécie de “pulmão” do planeta.

O estudo aponta que os microplásticos podem atrapalhar esse trabalho ao reduzir o crescimento dessas algas e dificultar a fotossíntese, processo usado pelas plantas e algas para produzir energia usando luz solar.

Fragmentos de plástico invisíveis a olho nu já estão espalhados pelos oceanos do planetaReprodução/Noaa

Oceanos ajudam a “guardar” carbono

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície do planeta e são responsáveis por quase metade de toda a fotossíntese da Terra. Grande parte desse trabalho acontece por causa das microalgas que vivem nas partes mais iluminadas da água.

Segundo os cientistas, essas microalgas, chamadas de fitoplâncton, ajudam os oceanos a retirar da atmosfera entre 25% e 30% de todo o gás carbônico liberado pelas atividades humanas.

Esses organismos usam luz do sol, água e gás carbônico para produzir oxigênio e energia. Nesse processo, parte do carbono fica armazenada no oceano, o que ajuda a diminuir a quantidade de CO² presente na atmosfera.

Pesquisadores alertam para o aumento contínuo da presença de microplásticos nos oceanosNaja Bertolt Jensen/Unsplash
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Como o plástico prejudica as algas

Os pesquisadores explicam que os microplásticos podem afetar as algas de várias maneiras, inclusive pela liberação de substâncias tóxicas.

Para chegar aos resultados, os cientistas reuniram informações de diferentes regiões do planeta e compararam esses dados com testes de laboratório feitos para medir os efeitos dos microplásticos no crescimento das microalgas.

Os maiores efeitos foram observados em regiões tropicais e áreas mais secas do planeta, justamente locais onde os oceanos costumam absorver grandes quantidades de carbono.

Estudo aponta que microplásticos podem prejudicar a fotossíntese de fitoplânctons Fran Zaina/Pexels

Segundo o estudo, os microplásticos poderiam reduzir a absorção anual de carbono em cerca de 25 mil toneladas nas áreas áridas e em aproximadamente 48 mil toneladas nas regiões tropicais.

Mesmo assim, os pesquisadores destacam que esses números ainda representam uma pequena parte do total absorvido pelos oceanos todos os anos, estimado em cerca de duas bilhões de toneladas.

Crise global

O estudo também tentou estimar os prejuízos econômicos causados pela redução da absorção de carbono pelos oceanos.

Segundo os cálculos dos pesquisadores, os microplásticos podem ter impedido que cerca de 75 mil toneladas de CO² fossem absorvidas pelos mares em 2020.

O impacto econômico disso foi estimado em cerca de US$ 5,5 milhões, cerca de R$ 27,7 milhões na cotação atual.

Os autores afirmam que esta é a primeira pesquisa a tentar medir, em escala global, como os microplásticos podem afetar a capacidade dos oceanos de armazenar carbono.

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