No leste de Goiás, entre Goiânia e Brasília, uma cidade colonial de pouco mais de 25 mil habitantes preserva quase 3 séculos de história sobre ruas de pedra. Pirenópolis nasceu do ouro encontrado pelos bandeirantes paulistas em 1727, guarda mais de 80 cachoeiras catalogadas na Serra dos Pireneus e sedia uma das festas populares mais antigas do Brasil, com cavaleiros que encenam batalhas medievais entre mouros e cristãos há quase 2 séculos.
A vila do ciclo do ouro que preservou o centro intacto
O destino goiano foi fundado em 7 de outubro de 1727, quando garimpeiros portugueses liderados por Manoel Rodrigues Tomás encontraram ouro nas margens do Rio das Almas. O arraial recebeu o nome de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte e mais tarde foi rebatizado como Pirenópolis, numa homenagem aos Pirineus, cordilheira entre França e Espanha.
O ouro atraiu colonos, ergueu igrejas barrocas e esgotou-se ainda no século XVIII. A estagnação econômica que se seguiu acabou preservando a arquitetura colonial quase intacta. Segundo o portal de Turismo da Prefeitura Municipal de Pirenópolis, entre 1830 e 1834 a cidade sediou o primeiro jornal de Goiás, o Matutino Meia Pontense, conquistando o título de berço da cultura goiana.

A Festa do Divino e as Cavalhadas que duram 3 dias
Cinquenta dias depois da Páscoa, o destino goiano vira palco de uma tradição religiosa que corre desde 1819. A Festa do Divino Espírito Santo mobiliza a comunidade por quase 30 dias e foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil em 2010.
O ponto alto são as Cavalhadas, encenação iniciada em 1826, em que cavaleiros vestidos de azul (cristãos) e vermelho (mouros) reproduzem batalhas medievais a cavalo no Campo das Cavalhadas. Os Mascarados, figuras com roupas coloridas e máscaras de boi, percorrem as ruas durante toda a celebração, completando o conjunto que atravessou 2 séculos sem se quebrar.

Quais cachoeiras não podem ficar de fora do roteiro?
A Serra dos Pireneus guarda mais de 80 quedas catalogadas, distribuídas em fazendas e reservas particulares. As atrações ficam a poucos quilômetros do centro e a maioria pode ser acessada em estradas mistas, com trechos asfaltados e de terra.
- Reserva Ecológica Vargem Grande: 360 hectares de cerrado preservado, com a Cachoeira Santa Maria de 15 metros, a Cachoeira do Lázaro e a Véu de Noiva.
- Cachoeira Meia Lua: a 5 km do centro, com 200 metros de corredeiras e queda final de 10 metros que forma uma piscina natural.
- Santuário das Araras: queda de 30 metros no Rio Araras, com poço de 650 m² para banho.
- Fazenda Vagafogo: primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Goiás, com trilhas autoguiadas, arvorismo e tirolesa.
- Pico dos Pireneus: ponto culminante da região, a 1.385 metros, dentro do Parque Estadual da Serra dos Pireneus.
- Complexo Cachoeira do Abade: uma das estruturas turísticas mais antigas da cidade, com várias quedas em sequência.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para um dos destinos mais ricos, históricos e naturais do Centro-Oeste, vai adorar este vídeo do canal Rolê Família. Com mais de 114 mil visualizações, o roteiro apresenta um guia completo de 5 dias por Pirenópolis e região, Goiás, detalhando trilhas exóticas, o misticismo de complexos de cachoeiras e a riqueza cultural da herança colonial:
O centro histórico que parou no século XVIII
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo IPHAN em 1990. O núcleo é pequeno e pode ser percorrido a pé entre casarões caiados, ladeiras de pedra e igrejas seculares. A Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, com obras iniciadas em 1728, foi o primeiro monumento tombado do Centro-Oeste brasileiro em 1941 e passou por restauração após um incêndio que destruiu parte da estrutura em 2002.
Além das igrejas, o centro guarda o Teatro de Pirenópolis, de 1899, e o Museu das Cavalhadas, com fantasias e máscaras usadas pelos cavaleiros nas encenações anuais. Ateliês de joias em prata, restaurantes goianos e cafés ocupam os casarões coloniais coloridos ao longo da Rua do Rosário.
Cozinha goiana com pequi, empadão e arroz com pequi
A gastronomia local segue a tradição do interior goiano, com ingredientes do cerrado e receitas herdadas dos tropeiros. Os restaurantes do centro servem desde os pratos mais tradicionais até versões contemporâneas com toque de chef.
- Empadão goiano: torta robusta com frango, queijo, guariroba, azeitonas e pequi.
- Arroz com pequi: prato símbolo do estado, com a fruta amarela típica do cerrado e tempero da terra.
- Galinhada: arroz solto com pedaços de frango, açafrão, pequi e guariroba.
- Pamonha e curau: tradicionais derivados do milho, presentes em quase todas as mesas locais.
Quando é a melhor época para visitar o destino goiano?
O clima é tropical de cerrado, com duas estações bem marcadas. O inverno seco, entre maio e setembro, é o melhor período para trilhas e cachoeiras com águas cristalinas. O verão chuvoso, entre outubro e março, deixa as quedas mais cheias mas exige cuidado nas estradas de terra.

Verão
18°C a 29°C
CHUVA ALTA
Outono
17°C a 29°C
CHUVA BAIXA
Inverno Seco
14°C a 32°C
MELHOR ÉPOCA
Primavera
20°C a 34°C
CHUVA CRESCENTETemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar saindo de Brasília ou Goiânia?
O destino goiano fica a 150 km de Brasília pela BR-070 e GO-225, em trajeto asfaltado de cerca de 2 horas de carro. De Goiânia são 120 km pela BR-153 e GO-225, com tempo similar. Ônibus regulares partem das duas capitais para o terminal rodoviário do município, e diversas agências oferecem transfer com hospedagem inclusa em pacotes de fim de semana.
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Conheça a Piri que parou no tempo
O destino goiano reúne ruas de pedra do século XVIII, mais de 80 cachoeiras no cerrado, uma das festas populares mais antigas do Brasil e a culinária goiana em sua forma mais pura. É a parada certa para quem quer combinar história, natureza e tradição num só fim de semana.
Você precisa caminhar pela Rua do Rosário, mergulhar na Cachoeira Santa Maria e voltar em maio para ver as Cavalhadas para entender por que Pirenópolis é chamada de berço da cultura goiana.
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