
Garimpo é combatido a 1,5 km da Floresta das Árvores Gigantes, na Amazônia
Em 2026, a Polícia Federal (PF) realizou três operações contra o garimpo ilegal no Amapá. A mais recente ocorreu no Santuário das Árvores Gigantes, área de floresta entre Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA).
O avanço do garimpo ilegal preocupa órgãos ambientais e a PF, que intensificaram as ações no Amapá. Até agora, foram apreendidos 3 kg de mercúrio e destruídas 14 escavadeiras hidráulicas (veja número detalhados no final desta matéria).
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A operação mais recente ocorreu entre 12 e 15 de maio, na divisa entre Laranjal do Jari e Almeirim, no Santuário das Árvores Gigantes.
Em três dias de ação, foram destruídos quatro escavadeiras, dezenas de motores, três quadriciclos, dois tratores, geradores, acampamentos clandestinos e cerca de 3,3 mil litros de diesel.
Imagens do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram acampamentos improvisados na mata, usados pelos garimpeiros para expandir a atividade ilegal.
O Santuário preocupa autoridades, que reforçaram o combate ao avanço do garimpo na região.
Em setembro de 2025, organizações ambientais alertaram que sete árvores gigantes da espécie angelim-vermelho, com mais de 80 metros de altura, correm risco de desaparecer no Amapá devido ao avanço do garimpo ilegal.
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Outro foco da PF é o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Nesta semana, equipes foram enviadas para a região de Oiapoque.
Imagens registradas nesta segunda-feira mostram poças cavadas e contaminadas por minério dentro do Parque.
Ações da PF são intensificadas nos garimpo
Polícia Federal/Divulgação
Segundo o delegado regional da PF, Everton Manso, os principais pontos de atenção são Oiapoque, Laranjal do Jari e Calçoene.
Em Calçoene, há garimpos legalizados no distrito de Lourenço, mas criminosos tentam instalar novos pontos ilegais na região.
“Uma das áreas que mais preocupa é a região de Laranjal do Jari, onde tivemos operação já no início do mês, dentro do cronograma de intensificação de ações contra o crime ambiental. Dali, partimos para o Oiapoque, em combate ao garimpo no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, que acontece nesta semana. As regiões do Amapá onde mais existe a prática do garimpo ilegal são próximas ao Oiapoque e Calçoene, mas também incluem Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari. Nessas áreas mais distantes, é mais difícil a polícia chegar”, destacou.
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Garimpo e as organizações criminosas
Investigações da PF mostram que organizações criminosas financiam a logística dos garimpos ilegais em áreas estratégicas.
“Esses garimpos não são mais artesanais. São máquinas pesadas, uma estrutura robusta, muitas vezes coordenada por organizações criminosas”, disse Manso.
As quadrilhas não extraem apenas ouro, mas também cassiterita, mineral essencial para a indústria.
Em fevereiro, a Operação Trono de Ferro mirou financiadores do garimpo. Foram cumpridos mandados em seis estados, com nove prisões preventivas e 26 buscas e apreensões.
Segundo a PF, o grupo explorava garimpos clandestinos no Amapá, Roraima e Venezuela e inseria cassiterita ilegal no mercado formal.
A estimativa é de que R$ 400 milhões em cassiterita ilegal tenham sido comercializados.
Reforço no combate
O monitoramento das áreas é feito por satélite. Em alguns casos, só é possível medir o impacto quando a destruição já é extensa.
Nos próximos dias, a PF no Amapá deve receber 120 novos agentes para reforçar as operações nessa áreas.
Balanço das três operações da PF em 2026
Escavadeiras hidráulicas: 14 destruídas
Tratores: 2
Oficina mecânica: 1 desativada
Motores: 20 inutilizados
Geradores: 6
Motos: 8
Quadriciclos: 2
Acampamentos clandestinos: 7 desmontados
Diesel: 20 mil litros apreendidos
Mercúrio: 3 kg apreendidos
Ações da PF são intensificadas nos garimpos
Polícia Federal/Divulgação
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