
‘Urubus’ e ‘macacos’: homem é preso em flagrante por racismo em boate de Fortaleza
O empresário Francisco Paulo Vitoriano da Silva foi solto, nesta segunda-feira (25), após ser preso em flagrante por suspeita de racismo durante uma briga em uma boate de Fortaleza. A confusão aconteceu na madrugada desta segunda, no bairro Aldeota. O empresário, de 44 anos, teria chamado dois outros clientes de “macaco” e “urubu”.
O advogado de defesa do empresário enviou nota ao g1. “Em que pese a gravíssima e repugnante imputação criminal ao nosso constituinte, esclarecemos que está alicerçada em terreno arenoso, recheada de depoimentos incoerentes e desconexos da realidade, não condizente com o caráter probo e vida pregressa imaculada do mesmo”, disse Taian Lima.
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“No momento oportuno, anexaremos ao processo provas que dão guarida à narrativa defensiva”, complementou o advogado. O empresário já responde criminalmente por disparo de arma de fogo.
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A Justiça concedeu a liberdade a Francisco Paulo em audiência de custódia realizada pela Justiça Estadual, com aplicação de duas medidas cautelares:
proibição de frequentar o local da briga
proibição de manter contato com as vítimas
Após a briga na madrugada, policiais militares conduziram o suspeito à 2ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza, onde foi autuado por discriminação racial e ameaça. A investigação está a cargo da Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrim).
Agressões e ameaças
Empresário é solto após ser preso por suspeita de racismo durante briga em boate de Fortaleza.
Polícia Militar do Ceará/Divulgação
Uma das vítimas de racismo (que não vai ser identificada) disse em depoimento à Polícia que estava na fila para pagar a conta, já saindo da boate, quando foi agredido na nuca pelo empresário. Ele questionou o empresário sobre a agressão, e o suspeito teria rebatido que “agrediu mesmo e pronto”.
A vítima disse que ficou esperando na saída da boate para questionar novamente sobre a agressão. No depoimento, a vítima reafirmou que se sentiu vítima de preconceito e acredita que a violência foi cometida por ter a pele negra.
A outra vítima também (também de identidade preservada) disse que estava na fila para pagar a conta e ir embora da boate quando foi agredido verbalmente pelo empresário. O homem falou que ouviu diversas vezes a palavra “urubu” e questionou o empresário se a palavra era direcionada a ele, o que teria sido confirmado pelo autuado.
Na saída, a segunda vítima encontrou um grupo de pessoas que esperavam a saída do empresário da boate para confrontá-lo. As vítimas disseram ainda que, já na delegacia, o empresário ainda ameaçou novamente as vítimas e testemunhas.
No depoimento à Polícia, o empresário optou por ficar em silêncio. Ele afirmou apenas que já respondia criminalmente por outro caso e que é empresário do ramo de venda de gados há 15 anos.
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