
Educação sexual e controle digital são chave contra abuso infantil, alerta juíza
Adobe Stock
Os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas cresceram 99% em quatro anos, segundo boletim epidemiológico inédito divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP). Os dados foram publicados na segunda-feira (25).
De acordo com o levantamento, o número de notificações passou de 1.585 casos em 2021 para 3.164 registros em 2025, o maior índice da série histórica analisada.
Com o aumento dos casos, a taxa de prevalência no estado chegou a 208,6 registros para cada 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 19 anos.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas informou que o crescimento também está ligado à melhora na identificação e na notificação dos casos pela rede pública de atendimento.
Violência e abuso sexual infantil: saiba como denunciar
“A ampliação das notificações representa um forte conjunto de fortalecimento da vigilância. Isso significa que mais casos estão sendo identificados e encaminhados para atendimento”, explicou Tatyana Amorim, diretora-presidente da instituição.
Perfil das vítimas e municípios mais afetados
Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que meninas são as principais vítimas, representando 93,1% dos casos registrados.
A faixa etária com maior número de notificações é a de 10 a 14 anos, que concentra 57,9% dos registros. Crianças e adolescentes pardos correspondem a 79,8% dos casos.
Municípios com mais registros
Em números absolutos, Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru lideram o total de notificações no estado.
Já na análise proporcional por número de habitantes, os cenários mais críticos foram registrados em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari.
Crimes acontecem dentro de casa
O boletim também aponta que o estupro de vulnerável representa 55,6% das denúncias registradas. Segundo o levantamento, a maior parte dos casos ocorreu dentro da casa da vítima, que concentrou 78,4% das ocorrências de violência sexual.
O estudo mostra ainda que mais da metade das notificações indicava casos de abuso recorrente, ou seja, que aconteceram mais de uma vez.
Para o diretor de Vigilância Epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, o mapeamento dos dados ajuda o poder público a agir com mais rapidez.
“Os dados permitem identificar territórios mais vulneráveis, padrões de ocorrência e fatores associados”, afirmou.
Após o atendimento nos serviços de saúde, o Conselho Tutelar foi o principal destino dos encaminhamentos, recebendo 72,8% dos casos notificados.
LEIA TAMBÉM:
Violência sexual contra crianças e adolescentes cresce no Amazonas; maioria dos casos ocorre dentro de casa
Operação contra abuso sexual infantil prende 93 pessoas no Amazonas
PF encontra casa usada como cenário para gravação de abuso sexual infantil no AM durante operação nacional
