Professor transforma resíduos em biocimento e cria startup com alunos de escola pública na Bahia


Professor transforma lixo em biocimento e cria empresa com alunos na Bahia
O que começou como uma experiência dentro de uma escola pública no interior da Bahia virou negócio, impacto social e até inspiração para outros educadores.
Em Serrinha, a cerca de 180 quilômetros de Salvador, o professor de matemática e empreendedorismo Thales Nascimento reuniu alunos do ensino médio para criar um biocimento sustentável feito com papel reciclado e fibra de coco — materiais abundantes na cidade e que normalmente seriam descartados.
A ideia surgiu a partir de uma inquietação prática: como transformar resíduos em algo útil para a comunidade. Depois de mais de um ano de testes, os estudantes conseguiram desenvolver blocos usados em calçadas populares de baixo custo.
O produto já recebeu certificação do CREA-BA e começou a ganhar espaço fora dos muros da escola.“Nem todo sonho começa dando certo. Os primeiros blocos não ficaram bons, mas fomos aprendendo no processo”, conta Thales.
Professor transforma resíduos em biocimento e cria startup com alunos de escola pública na Bahia
Reprodução/PEGN
Sem formação em engenharia, ele e os alunos estudaram por conta própria o funcionamento de máquinas, misturas e técnicas de construção civil até chegarem ao resultado atual.
Hoje, duas famílias da comunidade já receberam calçadas produzidas gratuitamente pelo projeto. A repercussão fez moradores começarem a doar matéria-prima para a escola e procurar a equipe para entender como poderiam participar da iniciativa.
Segundo Thales, o biocimento também passou a ser usado em ações de ressocialização dentro do sistema prisional da região.
O reconhecimento nacional veio com o Prêmio LED — Luz na Educação, iniciativa da TV Globo e da Fundação Roberto Marinho que premia projetos inovadores na educação brasileira.
Professor transforma resíduos em biocimento e cria startup com alunos de escola pública na Bahia
Reprodução/PEGN
Entre mais de 2,3 mil inscritos na edição deste ano, Thales venceu na categoria Educadores e recebeu R$ 200 mil para transformar o projeto em uma startup.
Com o valor da premiação, a equipe pretende estruturar a empresa, comprar maquinário e iniciar a produção em escala comercial. A expectativa inicial é fabricar cerca de mil blocos por dia.
Mais do que o reconhecimento financeiro, Thales diz que o projeto representa uma mudança de perspectiva para os estudantes da escola pública. “A gente está provando que dentro da escola pública existem alunos descobrindo seu potencial e colocando isso para fora”, afirma.
Professor transforma resíduos em biocimento e cria startup com alunos de escola pública na Bahia
Reprodução/PEGN
Biocimento do Sertão
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