Cláudio Castro e banco Master: o meliante agora mora na cobertura

A cobertura do ex-governador Claudio Castro no RioReprodução

Cláudio Castro, ex-governador do Rio que até outro dia dava ordens para a PM entrar no morro para matar e chamava chacina de moradores de “efeito colateral”, acordou com a Polícia Federal na porta de casa na terça-feira (26). Ele é o alvo principal da 8ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros envolvendo o Banco Master.

Na ação era possível ver o governador sozinho no alto de uma cobertura na Península, sub-bairro da Barra da Tijuca, avaliada em R$ 5,6 milhões. Um upgrade e tanto para quem entrou na política, em 2016, como candidato a vereador, e declarou não possuir nenhum bem.

Castro chegou ao Palácio da Guanabara como vice de Wilson Witzel, ex-juiz eleito na onda bolsonarista em 2018 com uma promessa clara: em seu governo, a polícia poderia mirar na cabecinha dos suspeitos e atirar. Por sorte a lei de Witzel não valeu nem para ele, que caiu por corrupção, nem para o vice. O método da dupla só vale na favela, onde o alvo pode ser uma cabecinha só ou 121. Tanto faz.

Quando o meliante mora na cobertura, a história é outra. A abordagem também.

A suspeita da PF é que, sob o governo Castro, o conglomerado de Daniel Castro foi irrigado com R$ 3,7 bilhões de recursos públicos do Rio. O dinheiro, segundo a investigação, partiu do Rioprevidência, fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado.

A suspeita é forte porque a conta não fecha. O Rio possui 241.927 servidores na folha de pagamento de inativos e pensionistas. O valor mensal gasto pelo estado é de R$ 2,1 bilhões – valor inferior ao aplicado em um banco prestes a falir.

O mau negócio pode ser explicado pelos (bons) relacionamentos do chefe do executivo fluminense. Mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro mostram a proximidade entre o banqueiro e o ex-governador. Isso incluía o direito de participar, em 15 de maio de 2024, de uma degustação de uísque que custou US$ 1 milhão, segundo uma apuração da colunista Juliana dal Piva, do ICL Notícias. 

Na mesma data, o Rioprevidência injetou R$ 80 milhões no Master.

Bolsonarista de quatro costados, Claudio Castro é a face mais atual de uma turma que transformou a revolta de uma população sofrida com as desigualdades e injustiças do país e colocou numa turbina eleitoral na qual prometia implodir tudo e refundar um país inteiro. A rebelião deles era só que a antiga elite não chamava ninguém do baixo clero para a festa.

Na primeira oportunidade, se esfacelaram. Saem de cena as andanças e estranhas transações com empreiteiros e entram os jovens de barba feita que criaram as próprias fintechs para lavar dinheiro da milícia e do tráfico com a ajuda de refinarias, postos de gasolina e pastores. O inimigo agora é outro e mora na cobertura.

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