
Logo nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (28), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) encabeçou ação coordenada e colocou novamente o Banco de Brasília (BRB) no centro de uma fraude financeira. A “Operação Crédito Corrompido” cumpre 16 mandados de busca e apreensão em Brasília e também em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Segundo informações da PCDF, a investigação desmantela uma rede criminosa estruturada que tem como principais operadores, os gerentes e correspondentes do BRB que cometiam fraudes em cima de empréstimos consignados, liberando créditos milionários de forma irregular.
O esquema
O esquema operava em duas frentes milimetricamente definidas. A primeira era voltada para o varejo, sob responsabilidade dos correspondentes bancários, chamados de “pastinhas” que faziam uso de grupos em redes sociais para atrair interessados, mirando nos que não preenchiam os requisitos para obtenção do crédito. Clientes como professores temporários da ensino público de ensino eram os principais alvos.
Esses profissionais tinhas os contracheques falsificados pelo grupo criminoso e era nesse momento que os gerentes, segundo a PCDF, faziam “a mágica” internamente, no banco. E assim eram aprovados os contratos de forma fraudulenta.
Depois que os valores “caíam” nas contas dos clientes, a quadrilha pegava uma “comissão” de 30%, que era dividida entre os intermediários e os funcionários do BRB.
Segundo os investigadores da Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), foi constatado diversas ocorrências em que os gerentes envolvidos manobravam procedimentos internos para desviar o dinheiro de forma direta para as contas dos “pastinhas”, sem a autorização real das vítimas sobre as “taxas” cobradas.
Já na segunda forma de operar, o grupo atuava diretamente no segmento de alta renda da instituição financeira. De acordo com os relatórios oficiais, os gerentes conspiravam com operadores financeiros para a viabilizar linhas de crédito com cifras milionárias tanto para pessoas físicas, quanto jurídicas. Em troca dessa facilitação, os funcionários o BRB recebiam propinas com valores expressivos.
Diante às investigações, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens – que impede da pessoa vender, doar ou transferir seu patrimônio – e o bloqueio financeiro de mais de R$ 1 milhão das contas de um dos gerentes investigados nesta operação. Segundo informações dos órgãos, este valor teria sido usado em esquemas de lavagem de dinheiro, através de uma empresa de fachada.
O caminho das investigações
Apurações iniciadas começaram em 2025 após denúncias do próprio BRB à Polícia Civil do DF ante movimentações bancárias suspeitas. Logo no início as investigações mostraram um rede maior e mais estruturada, o que levou ao apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (PRODEP) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
Além disso, polícias civis paulista e fluminense estão integradas na Operação. De acordo com a PCDF, os suspeitos vão responder pelos crimes de peculato – crime contra a Administração Pública cometido por um funcionário público – corrupção ativa e passiva, estelionato contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, em que as penas máximas combinadas podem atingir 30 anos de prisão.
Histórico de crises institucionais
Esta mais recente operação agrava a crise institucional do BRB, que busca se recuperar dos impactos recentes financeiros e de reputação. Em abril de 2026, Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, acusado de receber R$ 146 milhões em propinas para aprovar transações fraudulentas de R$ 12 bilhões com o Banco Master.
O Banco Central (BC) barrou a incorporação do Master após identificação de ativos sem fundamento, o que estremeceu a liquidez do banco regional do DF, exigindo aprovação emergencial de um suporte financeiro bilionário de recursos públicos do Governo do Distrito Federal (GDF).
