
A Polícia Federal quer retomar as negociações de uma proposta de delação premiada com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, preso no âmbito da operação Compliance Zero. Os investigadores enviaram um ofício ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, comunicando o interesse em discutir novos termos com o investigado.
A movimentação ocorre após a PF rejeitar formalmente, na semana passada, a primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro. Com a recusa, o advogado José Luís Oliveira, conhecido como Juca, deixou o caso.
Agora, o ex-banqueiro precisa assinar um novo termo de confidencialidade para que as conversas possam avançar.
Por que a primeira proposta de delação premiada foi rejeitada?
Segundo fontes que acompanham as negociações, os investigadores entenderam que a proposta inicial não trouxe elementos novos em relação ao material já reunido pela apuração. A avaliação da PF também é de que Vorcaro teria omitido nomes considerados relevantes para o avanço das investigações.
Com os novos termos elencados pela Polícia Federal, a atual defesa do ex-banqueiro, reorganiza a estratégia para apresentar uma nova proposta. Por enquanto, a proposta anterior segue na Procuradoria-Geral da República (PGR).
A eventual delação premiada de Vorcaro é vista como um ponto sensível da investigação, já que pode ampliar o alcance das apurações sobre a operação Compliance Zero e a atuação de outros envolvidos no caso.
O que investiga a operação Compliance Zero?
Daniel Vorcaro foi preso em 4 de março, pela segunda vez, em uma nova fase da operação Compliance Zero. A investigação apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, além de outras suspeitas relacionadas ao funcionamento do suposto esquema.
Vorcaro ficou conhecido no mercado financeiro por uma gestão considerada arrojada e por operações de maior risco. À frente do Banco Master, ele comandou uma estratégia de captação de recursos por meio de CDBs, os Certificados de Depósito Bancário, com remunerações acima das praticadas pelo mercado.
A prática já causava incômodo em parte do setor financeiro, principalmente pelo potencial impacto competitivo e pelo nível de risco associado à estratégia de captação da instituição.
Outros investigados também estão presos
Além de Daniel Vorcaro, outros investigados ligados ao caso também estão presos por suspeita de participação no esquema. Entre eles estão Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e Fabiano Zettel, seu cunhado.
A retomada das conversas sobre uma possível delação premiada pode abrir uma nova fase da investigação, especialmente se a defesa apresentar informações consideradas inéditas pela Polícia Federal.
Por ora, a negociação ainda depende da assinatura de um novo termo de confidencialidade e da apresentação de uma proposta reformulada pela defesa.
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