Vítima relata mudança de casa e ameaças a famílias após agiotas cobrarem dívidas com juros de até 40%: ‘Vai pagar com a vida’


Áudio mostra ameaça de agiota contra vítima em cobrança de dívida
Anúncios espalhados em postes, promessas de dinheiro rápido e sem burocracia. O que parece uma solução para quem enfrenta dificuldades financeiras tem levado dezenas de moradores de São José do Rio Preto (SP) e região a cair em esquemas de agiotagem marcados por ameaças, extorsões e medo constante. Uma vítima relata à TV TEM as ameaças que passou a receber após emprestar R$ 1,5 mil e ter de pagar R$ 6 mil. Ouça o áudio acima.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28), uma operação de combate a crimes relacionados à agiotagem. A ação é um desdobramento da investigação que revelou um esquema de empréstimos ilegais com cobrança de juros abusivos que chegavam a 40%, ameaças, extorsões e até casos de violência ligados aos chamados “agiotas”.
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Investigações da Polícia Civil apontam que a organização criminosa usa violência psicológica para cobrar dívidas. Só neste ano, mais de 40 boletins de ocorrência relacionados a casos de agiotagem foram registrados.
Agiotas cobram dívidas com juros e ameaçam vítimas em Rio Preto (SP)
Reprodução/TV TEM
As vítimas relatam ameaças frequentes por mensagens e ligações telefônicas, além do envio de fotos de armas e intimidações direcionadas também a familiares. Um homem, que preferiu não se identificar, contou à TV TEM que encontrou um anúncio de empréstimo em um poste próximo ao bairro onde morava.
“Eu peguei esse contato num poste no bairro próximo onde eu morava. Entrei em contato primeiramente por ligação e depois eles entram em contato via aplicativo de conversa”, relatou a vítima.
Segundo ele, os suspeitos pediram fotos pessoais, documentos, endereço residencial e até contatos de familiares antes de liberar o dinheiro.
A vítima afirmou que pegou um empréstimo de R$ 1,5 mil acreditando que conseguiria resolver dívidas pessoais. No entanto, mesmo após quitar o valor inicial, passou a sofrer cobranças extras e ameaças constantes.
“Eles começaram a fazer uma cobrança por fora. Diziam que eu teria que pagar aquele valor por conta do tempo. Acabei pagando por pressão, por ameaças contra minha família e contra minha vida”, afirma o homem.
De acordo com o relato, o homem já desembolsou mais de R$ 6 mil, mas os criminosos continuam afirmando que a dívida ainda não terminou. “Eles dizem que eu tenho que continuar pagando até eles dizerem a hora que acabou”, contou.
As ameaças mudaram completamente a rotina da vítima. De acordo com ele, os suspeitos descobriram o endereço onde trabalhava e passaram a intimidá-lo também no ambiente profissional.
“Eu tive que sair do emprego por conta das ameaças. Eu e meu irmão tivemos que mudar de casa. Eles mandam foto em visualização única mostrando que estão na rua, no bairro. Muitas vezes enviam foto de arma dizendo que o caixão já está pronto”, relatou a vítima.
Mensagens enviadas por agiotas contra vítima em Rio Preto (SP)
Reprodução/TV TEM
Anúncios são espalhados em postes, com promessas de dinheiro rápido e sem burocracia em Rio Preto (SP)
Reprodução/TV TEM
Policiais civis cumprem mandados judiciais em São José do Rio Preto (SP), nesta quinta (28), em investigação contra grupo suspeito de agiotagem, extorsão e ameaça
Polícia Civil/Divulgação
Como funcionava o esquema?
O delegado seccional Everson Aparecido Contelli, da Polícia Civil de Rio Preto, relatou, em entrevista à TV TEM, que os grupos investigados atuam de forma clandestina e sem autorização legal para oferecer empréstimos.
“São pessoas que trabalham de maneira informal, não têm relação com instituições financeiras e fazem a proposta do empréstimo por meio de cartazes e cartões. Para alguém emprestar dinheiro no Brasil, precisa ter autorização do Banco Central ou se constituir em uma instituição financeira”, explicou o delegado.
De acordo com a polícia, os grupos investigados utilizam anúncios em vias públicas e cartões distribuídos em estabelecimentos comerciais para captar novos clientes. As ofertas prometem empréstimos rápidos, sem análise de crédito e sem comprovação de renda.
As investigações apontam ainda que, além das ameaças, algumas vítimas chegaram a entregar bens para tentar quitar as dívidas, incluindo imóveis.
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A polícia também identificou movimentações financeiras clandestinas e apura crimes de extorsão, ameaça, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As autoridades orientam que pessoas ameaçadas procurem imediatamente uma delegacia e evitem fornecer documentos pessoais ou dados de familiares para desconhecidos em negociações de empréstimos informais.
Polícia faz operação contra agiotagem na região de Rio Preto (SP)
Monize Poiani/TV TEM
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