Homem redesenha a Antártida com bases dignas de ficção científica

Estação britânica de pesquisa na Antártica, Halley VIReprodução/Hugh Broughton Archtects

Em um dos lugares mais frios e isolados do planeta, as estações científicas da Antártida vêm ganhando um visual que lembra filmes de ficção científica. Essas construções têm formas arredondadas, módulos elevados e estruturas que parecem naves espaciais, com inspiração em produções como Star Wars e Thunderbirds.

Nesse cenário, o arquiteto britânico Hugh Broughton, de 61 anos, se tornou um dos principais nomes por trás desses projetos. Ele já trabalha há mais de 20 anos com construções na Antártida e já participou de projetos para Reino Unido, Espanha, Nova Zelândia, Austrália, Coreia do Sul e Índia.

Estação britânica de pesquisa na Antártica,Halley VIReprodução/Hugh Broughton Archtects

Construir na Antártida exige soluções específicas por causa do frio intenso, de até -56°C, dos ventos fortes que ultrapassam 160 km/h, do movimento constante do gelo e acúmulo de neve que pode chegar a um metro.

Por causa das condições extremas, essas estruturas não são feitas no local do zero. Elas são produzidas em partes, transportadas até o continente e montadas rapidamente durante o curto período de verão, quando o clima permite o trabalho.

Base da Divisão Antártica Australiana (AAD)Reprodução/Hugh Broughton Architects

Assim, os projetos de Broughton passaram a ter um visual que, mesmo pensado para ser funcional, acabou lembrando cenários futuristas. Com cores vibrantes e formatos aerodinâmicos, os projetos acabam criando um cenário considerado “de outro mundo” pelo próprio arquiteto responsável pelas obras. Broughton afirma que esse aspecto “espacial” surgiu justamente da necessidade de criar construções capazes de resistir às condições extremas do continente.

  • VEJA TAMBÉM: Corpo perdido em geleira surge após 66 anos na Antártida

O arquiteto por trás das bases

A atuação de Broughton na Antártida começou após sua participação em um concurso de design em 2004, para uma estação na plataforma de gelo Brunt.

Estação britânica de pesquisa na Antártica, Halley VIReprodução/Hugh Broughton Archtects

O projeto dele deu origem à estação britânica Halley VI. Ela é formada por módulos de tamanhos padronizados, como grandes blocos pré-fabricados em outros países e testados antes de serem enviados ao continente. Eles são apoiados em estruturas semelhantes a “esquis”, com pernas hidráulicas. Isso permite que a estação seja puxada por tratores quando a neve se acumula ou quando o gelo se move em direção ao mar. 

Desde então, Broughton passou a trabalhar em diferentes projetos no continente, incluindo reformas de bases britânicas e colaborações com outros países.

Visual futurista

O próprio arquiteto afirma que o processo criativo também passa por referências da ficção científica, segundo entrevista à CNN.

Apesar do visual mais futurista, ele explica que os interiores seguem uma abordagem mais simples e prática. As estações científicas na Antártida são feitas para funcionar quase de forma independente, com sistemas próprios de energia e aquecimento.

As paredes são construídas com materiais que ajudam a manter o calor e a proteger contra a umidade e o frio extremo. Algumas unidades são organizadas em linha e posicionadas de acordo com a direção dos ventos, o que reduz o acúmulo de neve ao redor. Os cantos arredondados também ajudam a evitar isso.

O objetivo é manter o funcionamento por longos períodos sem apoio externo constante, já que os pesquisadores podem passar meses ou até anos isolados no continente.

Bases são projetadas para oferecer conforto e bem-estar psicológico aos pesquisadoresReprodução/Hugh Broughton Architects

Em projetos mais recentes, as bases são pensadas como pequenas comunidades autossuficientes, com áreas de convivência, laboratórios, estruturas médicas e sistemas de energia duplicados para evitar falhas.

Uma parte importante do trabalho de Broughton é pensar em como as pessoas vivem dentro dessas bases. Ele leva em conta fatores como iluminação, circulação de pessoas, cores dos ambientes e até o cheiro dos materiais usados nas construções.

A ideia é tornar o ambiente mais confortável do ponto de vista psicológico, já que o isolamento e a rotina limitada podem ser difíceis para quem vive nessas condições. Esse cuidado aparece em projetos como a estação Halley VI, onde áreas de convivência foram ampliadas para melhorar o bem-estar da equipe durante os longos invernos polares, quando quase não há luz natural.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.