Economia dos Estados Unidos: PIB desacelera, mas inflação ainda limita espaço para cortes de juros pelo Fed

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A economia dos Estados Unidos deu novos sinais de desaceleração, ao mesmo tempo em que a inflação começa a mostrar alguma perda de força. O Produto Interno Bruto americano foi revisado nesta quinta-feira (28) para baixo, na segunda leitura do primeiro trimestre, enquanto o PCE de abril, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, apontou um alívio parcial nos preços.

Segundo o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o PIB cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no primeiro trimestre. A estimativa inicial apontava alta de 2%, mesmo patamar esperado por economistas consultados pela Reuters. A revisão para baixo refletiu principalmente ajustes negativos nos investimentos em estoques e nos gastos do consumidor.

Estados Unidos: Fed no centro das atenções

O consumo, que representa mais de dois terços da economia americana, foi revisado de 1,6% para 1,4%. A perda de força ocorre em um ambiente de pressão sobre o orçamento das famílias, com preços de energia ainda relevantes para a inflação e para a renda disponível dos consumidores.

Ao mesmo tempo, o PCE de abril trouxe sinais de desinflação nos Estados Unidos. O índice cheio avançou 0,4% no mês, enquanto o núcleo, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,2%. Apesar da melhora na margem, os dados ainda estão distantes da meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve.

Desaceleração da atividade muda o jogo do Fed?

A combinação entre PIB mais fraco e inflação ainda acima da meta coloca o Federal Reserve em uma posição delicada. De um lado, a revisão do crescimento reforça sinais de perda de ritmo da economia americana. De outro, o PCE ainda não oferece evidências suficientes para validar um ciclo mais consistente de cortes de juros.

Além do consumo mais fraco, os dados de renda e poupança também chamam atenção. A renda pessoal ficou estagnada, o gasto real desacelerou para 0,1% e a taxa de poupança caiu para 2,6%. Esse quadro sugere que o consumidor americano pode estar sustentando o consumo nominal mesmo sob pressão inflacionária, o que aumenta a cautela sobre os próximos meses.

No PIB, os gastos empresariais com equipamentos ainda avançaram 17,2%, enquanto as vendas finais a compradores privados domésticos cresceram 2,4%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 2,5%.

Ainda assim, os lucros da produção corrente desaceleraram de forma relevante. O avanço foi de US$ 40,4 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 246,9 bilhões registrados no quarto trimestre.

O que diz a especialista

Apesar do ambiente inflacionário, a economista do ASA, Andressa Durão, destaca que o núcleo do PCE (Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal) de abril veio abaixo do esperado pelo mercado, com surpresas principalmente em serviços de saúde.

“A segunda leitura do PIB do primeiro trimestre trouxe revisão de baixa, puxada por um consumo de serviços e investimentos mais baixos, que levou a uma pequena revisão do indicador de demanda final”, analisa.

Ainda que os dados tenham vindo mais fracos que o consenso, a economista pontua que o cenário ainda é de risco inflacionário com atividade forte, que sugere política monetária restritiva.

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