Casa da Criança Armanda Malvina Mendonça: Uma casa que nasceu para proteger e educar


A Casa da Criança Armanda Malvina Mendonça valoriza as múltiplas formas de expressão infantil por meio de experiências com materiais, cores, traços e narrativas
Crédito: Divulgação.
Antes de se tornar referência em educação infantil, a Casa da Criança Armanda Malvina Mendonça nasceu de uma necessidade concreta da comunidade de Ipuã. Em 1978, quando foi fundada pelo empresário Oswaldo Ribeiro de Mendonça, a instituição surgiu como resposta a uma realidade social sensível: mães trabalhadoras precisavam sair de casa para garantir o sustento de suas famílias, mas não contavam com uma rede de apoio segura para deixar seus filhos pequenos.
A origem da Casa da Criança está, portanto, ligada a uma decisão prática e profundamente humana: proteger crianças que precisavam de cuidado e apoiar famílias que precisavam trabalhar. Aquilo que começou como uma resposta comunitária a uma urgência social foi se transformando, ao longo dos anos, em uma instituição voltada à educação, ao cuidado e à promoção de direitos.
Inspirada na abordagem de Reggio Emilia, a proposta pedagógica reconhece a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento
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Hoje, a Casa da Criança atende crianças pequenas em Ipuã e se apresenta como um espaço de educação, cuidados e promoção de direitos, contribuindo para o pleno desenvolvimento de crianças residentes no município. A organização atende 120 crianças, de 4 meses a 4 anos e 7 meses, responde por 54% da oferta de vagas em creche no município e já assistiu mais de 5 mil crianças ao longo de sua história.
Essa trajetória ajuda a explicar por que a chegada da exposição-ateliê “Mosaico de Traços, Palavras e Matérias” à Casa da Criança tem significado especial. A Mostra não é apenas uma programação cultural. Ela dialoga com uma história institucional que começou pela proteção e amadureceu como compromisso com o desenvolvimento integral da infância.
A presença da Mostra também convida o público a conhecer, em linguagem brasileira e acessível, a inspiração de Reggio Emilia, cidade italiana reconhecida mundialmente por uma experiência educacional construída a partir da valorização da infância. A Abordagem Reggio Emilia compreende a criança como sujeito potente, portador de direitos, capaz de pensar, investigar, criar hipóteses, participar da vida coletiva e expressar suas ideias de muitas formas.
A realização da Mostra em Ipuã acontece em articulação com a RedSOLARE Brasil, instituição que mantém cooperação com a Reggio Children e atua como única reconhecida e autorizada na difusão da Abordagem Reggio Emilia no país.
Os espaços educativos são organizados para estimular curiosidade, investigação, autonomia e participação das crianças
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A própria Reggio Children define a abordagem como uma filosofia educacional baseada na imagem de uma criança com fortes potencialidades de desenvolvimento, sujeito de direitos, que aprende por meio das cem linguagens pertencentes aos seres humanos e cresce nas relações com os outros.
Em Reggio Emilia, a infância não é vista como espera pelo futuro. A criança é reconhecida no presente, como alguém que observa, interpreta, pesquisa, cria e participa.
Ao chegar a Ipuã, essa inspiração não deve ser compreendida como um conjunto de técnicas prontas a serem copiadas. Seu valor está em propor uma mudança de olhar. A abordagem ultrapassa métodos e atividades isoladas porque apresenta uma visão ética, cultural e relacional sobre a infância. Ela pergunta que imagem de criança orienta a escola, que tipo de escuta os adultos oferecem, como os ambientes acolhem a curiosidade infantil e de que forma a comunidade reconhece a criança como cidadã.
Essa perspectiva ajuda a compreender por que A Casa da Criança encontra na abordagem pontos de diálogo com sua trajetória. A instituição nasceu para responder a uma necessidade social, mas cresceu sustentada pela ideia de que cuidar de uma criança também significa reconhecer sua inteligência, sua dignidade, sua sensibilidade, seus direitos e sua capacidade de participar do mundo. É nesse ponto que a história local de Ipuã encontra uma experiência internacional: ambas afirmam que a infância merece atenção, tempo, proteção, linguagem, beleza, relação e escuta.
Painéis, desenhos, falas e processos criativos ajudam a revelar como as crianças observam, interpretam e elaboram suas experiências com o mundo
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Conceitos de Reggio Emilia em linguagem simples
Criança como sujeito potente A criança não é vista como alguém vazio, que apenas recebe informações. Ela é reconhecida como curiosa, ativa, criativa e capaz de produzir conhecimento.
Pedagogia da escuta Escutar não é apenas ouvir palavras. É observar gestos, escolhas, perguntas, silêncios, desenhos, brincadeiras e relações que revelam o pensamento infantil.
Documentação pedagógica São registros de processos vividos pelas crianças, como falas, fotos, desenhos, vídeos e anotações, que ajudam educadores e famílias a compreender como a aprendizagem acontece.
Ateliê É um espaço de experimentação com materiais, linguagens, texturas, cores, formas e narrativas. Nele, a criança investiga, cria e expressa ideias.
Ambiente como educador O espaço também ensina. A organização dos ambientes, a presença dos materiais, a luz, a disposição dos objetos e a possibilidade de exploração influenciam a aprendizagem.
Cem linguagens É a ideia de que a criança se expressa de muitas maneiras: pelo desenho, fala, corpo, movimento, som, construção, imaginação, escrita, brincadeira, silêncio, gesto e matéria.
Na Mostra Mosaico, esses princípios aparecem de forma concreta. Os painéis, registros pedagógicos, vídeos e práticas de ateliê ajudam o visitante a perceber que uma criança, ao desenhar uma linha, escolher uma cor, tocar um material, contar uma história ou reorganizar objetos, pode estar elaborando pensamentos complexos. A exposição mostra que a infância pesquisa o mundo com o corpo inteiro.
Essa compreensão é especialmente importante para educadores, gestores, famílias e estudantes de pedagogia. Muitas vezes, o trabalho com crianças pequenas é reduzido a cuidado, rotina ou entretenimento. A Abordagem Reggio Emilia amplia esse olhar ao mostrar que o cotidiano da educação infantil pode ser lugar de investigação, criação, vínculo, cultura e participação.
A Casa da Criança encontra nessa perspectiva uma forma de aprofundar algo que já faz parte de sua identidade: cuidar e educar de maneira integrada. A instituição atua em um contexto em que muitas famílias dependem de apoio para garantir proteção, alimentação, convivência, aprendizagem e desenvolvimento de seus filhos. Ao se aproximar de uma abordagem que valoriza a escuta e as linguagens infantis, a Casa reafirma que a criança em situação de vulnerabilidade não deve ser definida pela falta, mas reconhecida por suas potências.
A Mostra, nesse sentido, ajuda o hotsite a contar duas histórias ao mesmo tempo. A primeira vem da Itália, de uma cidade que se tornou referência internacional por afirmar a criança como sujeito de direitos e de linguagens. A segunda vem de Ipuã, de uma instituição que nasceu para proteger crianças pequenas e cresceu para educar, apoiar famílias e fortalecer a comunidade.
Quando essas histórias se encontram, a mensagem se torna clara: pensar a infância é também pensar o futuro de uma cidade. Mas é, antes disso, respeitar o presente de cada criança.
Serviço
Informação Detalhes
Evento Exposição-ateliê “Mosaico de Traços, Palavras e Matérias”
Visitação pública De 12 a 26 de junho
Entrada Gratuita, com agendamento prévio pelo link https://casadacriancaipua.com.br/
Local Núcleo Cultural Oswaldo Ribeiro de Mendonça, anexo à Casa da Criança
Endereço Avenida Rui Barbosa, nº 1297, Centro, Ipuã/SP
Prática de Ateliê Oficina integrada à experiência, com vagas limitadas e inscrições em breve
Investimento da oficina Gratuito
Realização Casa da Criança Armanda Malvina Mendonça
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