
Castelo de José Rico com mais de 100 quartos pode virar museu de música sertaneja em SP
A possibilidade do castelo do cantor sertanejo José Rico tornar-se um patrimônio público e abrigar um museu do sertanejo, em Limeira (SP), é avaliada como “muito boa” e tratada com alívio pela família do artista.
➡ José Rico, da dupla com Milionário, morreu em 2015 sem a mansão que idealizou, mesmo após 24 anos de obras. O imóvel de mais de 100 quartos foi declarado de utilidade pública por meio de um decreto municipal assinado pelo prefeito Murilo Félix (Podemos), nesta terça-feira (26) – entenda abaixo.
O advogado José Antônio Franzin, que representa a família, disse ao g1 que a desapropriação proposta pela Prefeitura é boa para os herdeiros do cantor, que passaram por problemas trabalhistas e financeiros.
“Indo à gestão do poder público, o poder público vai ter obrigação de zelar por aquele bem. Ela quer transformar o castelo em um museu, num veículo de preservação da memória do Zé Rico, o que concordamos plenamente”, disse o Franzin.
Meses após o falecimento do cantor, a assessoria de imprensa de Milionário e José Rico informou que o projeto da família era criar, dentro do castelo, um museu para contar a história da dupla sertaneja, com roupas, discos, fotos e objetos pessoais, além de um hotel temático.
Franzin também relatou que, atualmente, a mansão está em estado de abandono pela dificuldade financeira dos famíliares em fazer a manutenção, e por conta de invasões.
Filho de José Rico, o cantor Sami Rico informou ao g1, por meio da assessoria de imprensa, que ele e a família não vão se manifestar sobre o caso neste momento.
Utilidade pública
O imóvel é avaliado em cerca de R$ 15 milhões e ocupa área total de 48 mil m² . Segundo o decreto, a possível desapropriação atingirá 10.249 metros quadrados, área onde fica o castelo.
🔎 A declaração de utilidade pública não significa que a desapropriação será imediata. O decreto permite que a prefeitura faça estudos, avaliações e outras ações para analisar a viabilidade técnica, jurídica e econômica projeto.
LEIA MAIS:
Castelo acumula sinais de abandono; veja antes e depois
‘O engenheiro era ele’: vizinho revela sonhos do cantor com gravadora e hotel no local
Tema de música, lendas e 24 anos de obra: a história do castelo
A prefeitura afirma que avalia formas de dar ao espaço uma destinação de interesse público, inclusive com o apoio da iniciativa privada, já que não será usada verba municipal para o empreendimento. Para isso, conversa com diferentes setores da cidade.
“A administração municipal buscará recursos estaduais, federais e da iniciativa privada para transformar o espaço em um polo de valorização da história cultural da música, especialmente a sertaneja”, informou.
A transformação em museu pode encerrar um imbróglio judicial que se estende há pelo menos cinco anos e soma três tentativas de leilão fracassadas.
Leilão por dívidas trabalhistas
Castelo do cantor José Rico, em Limeira
Arquivo pessoal
Antes do decreto municipal de utilidade pública, a Justiça do Trabalho determinou, em dezembro de 2025, a penhora do imóvel para pagamento de dívidas trabalhistas deixadas pelo cantor, que tinha 68 anos quando morreu.
🔎 A penhora é utilizada para bloquear bens de devedores para garantir o pagamento de dívidas. O bem ainda é do devedor, mas fica preso ao processo. Após a penhora, o imóvel pode ser leiloado ou repassado ao credor para quitação da pendência.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp
Por três vezes, uma parcela de 21% do imóvel o castelo, avaliada em R$ 3,2 milhões, foi levada a leilão. Também houve tentativa de leilão de toda a área em 2023. No entanto, não houve interessados em nenhuma das tentativas.
A decisão judicial de leiloar o castelo ocorreu em uma ação movida por um músico que trabalhou com a dupla entre 2009 e 2015.
Nos autos, ele relatou que trabalhava em 19 shows por mês e, posteriormente, 12 apresentações mensais, e realizava quatro apresentações em TV por ano. O funcionário alegou que:
não teve contrato de trabalho registrado em carteira;
não recebia descanso semanal remunerado (DSR), horas extras, adicional noturno e de insalubridade;
acumulava funções;
não recebeu 13º salários, férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) depositado;
não pôde se habilitar ao seguro desemprego;
sofreu danos morais.
Do sonho ao abandono
Veja comparação da área da mansão de José Rico com outros castelos do mundo
g1
Em vida, o músico informou o desejo de fazer do lugar um recanto para a família, além de construir um estúdio nele. Os vizinhos do castelo detalharam ao g1 que o artista era o “engenheiro” da obra, que durou 24 anos e nunca foi finalizada.
O sertanejo compôs uma canção chamada “Castelo”, que integra o álbum “De cara com a Saudade”, lançado em 1996, época em que a construção já havia começado. A letra diz:
“Construí um castelo bonito para dar de presente à pessoa amada”. Os versos da música ainda falam que o amor é tudo o que se tem na vida. “Para viver sem ela [a pessoa amada], tudo isso é nada.”
Os moradores do bairro que tiveram amizade com Zum, como José Rico era chamado, contam que ele sempre estava com uma ideia diferente, como a construção de uma gravadora e uma loja com produtos da dupla no local.
“Ele fez do gosto dele, mas nunca se importou com planta, ter um engenheiro pra acompanhar. Era ele o engenheiro. Ele e os pedreiros dele que sempre andaram com ele até que ele estava vivo”, confirmou Paulo.
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.
