Pai e filha investigados por lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho movimentaram pelo menos R$ 94 milhões em 4 anos


Chefão do Comando Vermelho é alvo de operação contra o núcleo financeiro da facção
A investigação que culminou nesta sexta-feira (29) em mais uma fase da Operação Contenção aponta que Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, um dos chefões do Comando Vermelho, usava ferros-velhos para lavar dinheiro e financiar o tráfico de drogas.
Pai e filha investigados no esquema movimentaram quase R$ 100 milhões dentro de 4 anos, de acordo com a polícia. Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como Tek, se declara pescador e diz que recebe pouco mais de R$ 1 mil por mês.
Mas a polícia afirma que pelas contas bancárias dele passaram quase R$ 73 milhões entre 2020 e 2024.
Uma filha de Alex Sandro, Alessandra Soares de Araújo, foi presa. Segundo a investigação, ela movimentou R$ 21 milhões em 2 anos.
Tek, para a polícia, era o operador financeiro de um esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho a partir de ferros-velhos e empresas de reciclagem. O grupo é acusado de receptação de material roubado, como sucata e cobre de frios de energia e internet.
Um sistema criminoso que movimentou R$ 450 milhões nos últimos quatro anos.
Tek e Rabicó são considerados foragidos. Alex Sandro, segundo a polícia, é padrinho da filha de Rabicó e recebia ordens diretas do traficante.
Com o dinheiro da reciclagem, os traficantes compravam armas e drogas para a facção. Em uma conversa apreendida, Rabicó deixa claro que comanda as duas partes do esquema:
“A boca aqui é minha, né, parceiro? O espaço aqui é meu. Se você tiver que mandar alguma droga você tem que mandar pra mim, eu revender e te dar o teu e você me dar o meu e eu me adiantar. Não fica uma coisa legal um amigo lá de fora, teu amigo, vir aqui, botar uns ‘pó’ teu aqui, e eu numa luta f***** dando tiro no polícia, correndo pra c******* e não ganhando nada, né?”, afirmou.
O traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, ao centro da foto, ao lado de Oruam, em maio de 2025; ambos estão foragidos da Justiça
Divulgação
Na operação, foram presas 24 pessoas no Rio de Janeiro e em outros 5 estados. A mulher de Rabicó, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa. O traficante não foi encontrado.
Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap), o esquema tinha como base o Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
Os mandados de prisão, busca e apreensão e as medidas patrimoniais foram deferidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ).
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Investigação
A DRE captou diálogos entre Rabicó e Alex Sandro Ferreira de Araújo, o Tek, “gestor financeiro” do CV. Nas conversas, o chefão determinava o pagamento de despesas pessoais e a realização de transferências para aquisição de drogas e armas de fogo.
Segundo os investigadores, Rabicó mantinha uma rede de empresas de fachada e utilizava terceiros para ocultar patrimônio e movimentar valores obtidos com atividades criminosas. A polícia afirma que ele atuava como um dos principais operadores financeiros da facção.
A apuração apontou que o grupo também usava contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em dinheiro vivo e notas fiscais falsas para dar aparência de legalidade aos recursos do tráfico.
Raquel Neves dos Santos Mendonça, é mulher do traficante Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, foi presa
Reprodução/TV Globo
Ainda de acordo com a investigação, empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais para contas de Rabicó e de empresas ligadas a ele. A polícia também apurou indícios de receptação qualificada e da compra de materiais de origem suspeita.
Segundo o delegado Moysés Santana, responsável pelas investigações, algumas recicladoras legalizadas compravam cobre de origem ilícita do grupo criminoso.
“Nós comprovamos que essas recicladoras, algumas legalizadas, compravam cobre, produto de crime, do Aleksandro e do suposto ferro-velho clandestino comandado por ele. Essa recicladora ficava dentro do Complexo do Salgueiro, a poucos metros da própria residência do Rabicó, e revendia cabos de cobre e outros materiais metálicos para recicladoras legalizadas, mas emitia notas fiscais frias. Todo esse material foi comprovadamente identificado como de origem ilícita”, afirmou o delegado.
O delegado também disse que os agentes identificaram áreas usadas para a queima clandestina de cobre.
“Nós detectamos cerca de uma tonelada de cobre sendo queimada em área de mata e transportada por caminhões para dentro da recicladora do Aleksandro e do Rabicó, que dava liquidez a todo esse esquema criminoso”, completou Moysés Santana.
Durante as diligências, agentes da DRE monitoraram áreas usadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados ao grupo investigado.
Os valores movimentados pelo esquema foram identificados por meio de relatórios de inteligência financeira, análises bancárias, quebras de sigilos fiscal, telefônico e telemático e cruzamento de dados patrimoniais, segundo a Polícia Civil.
Operação Contenção: mulher de chefão do Comando Vermelho é presa
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