Operador financeiro negociava comissões milionárias em aportes do Rioprevidência no Banco Master, diz PF


Operador financeiro negociava comissões milionárias em aportes do Rioprevidência no Banco Master, diz PF
A operação contra o ex-governador Cláudio Castro, na última terça-feira (26), tinha também como alvo pessoas que ajudaram a viabilizar os aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master. Entre elas, um homem que é apontado como operador financeiro do esquema. Em conversas com Daniel Vorcaro, ele negocia comissões milionárias pelos investimentos.
O empresário e lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo, mora em um condomínio fechado de alto padrão na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, onde foi alvo de busca e apreensão nesta semana.
Ele é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro dos investimentos do Rioprevidência no Banco Master.
A equipe do RJ2 esteve na casa dele nesta sexta-feira (29). Na portaria, a informação foi de que ele não está no Brasil.
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O empresário e lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo
Reprodução/TV Globo
Segundo a Polícia Federal (PF), não é de hoje que Ricardo Gordo acumula patrimônio em operações que teriam causado prejuízos milionários.
Ele foi preso em 2018 por atuar como operador financeiro de um esquema de fraudes em fundos de pensão, envolvendo lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação acabou anulada pela Justiça, mas o próprio investigado admitiu os crimes em acordo de colaboração premiada, no qual se comprometeu a devolver R$ 33 milhões.
Ele chegou a pagar R$ 10 milhões, mas em 2025 pediu a devolução do valor ao Supremo Tribunal Federal (STF), em ação que ainda está em andamento.
Aportes milionários
Um ano antes da tentativa de reaver o dinheiro, ele já voltava a responder a processos. Foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por unanimidade, a pagar de multa de R$ 53 milhões por operação fraudulenta no mercado de valores mobiliários.
De acordo com a PF, Ricardo Gordo manteve o mesmo modo de atuação mesmo após deixar a prisão. Ele próprio teria revelado, em delação, que sua função era articular investidores em esquemas de captação de recursos de fundos de previdência.
Segundo os investigadores, era exatamente o que ele fazia, articulando para o Rioprevidência investir no Banco Master.
A PF o descreve como um criminoso contumaz, com histórico recorrente de atuação na captação de recursos de regimes previdenciários, com uso de interlocução com gestores e oferta de vantagens indevidas, ou seja, propina.
Em conversas obtidas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, Ricardo afirma em áudio: “O que me interessa é a captação. É trazer o dinheiro. Como eu faço para trazer o dinheiro? É problema meu”. Vorcaro responde: “Fechado, irmão, confio em você”.
Banco Master
Reprodução/TV Globo
Em outro diálogo, de outubro de 2023, ele parabeniza Vorcaro pelo credenciamento do Banco Master pelo Rioprevidência, que permitia investimentos do fundo no banco. O banqueiro pergunta sobre o volume de recursos e recebe a resposta: “Consigo deixar aprovado R$ 500 milhões”.
Em outra mensagem, ele afirma: “Lá tem um dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente, Daniel”. Vorcaro responde: “Entendido”.
Segundo a investigação, os aportes efetivamente ocorreram nos meses seguintes. Entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024, o Rioprevidência fez quatro aplicações em letras financeiras do Banco Master, ultrapassando R$ 500 milhões. Até julho de 2024, o total chegou a R$ 970 milhões.
A partir de dezembro de 2024, o fundo passou a investir também em fundos administrados pelo banco, como o Arena (R$ 1,3 bilhão), Revolution (R$ 480 milhões), Texas I (R$ 150 milhões) e Horizonte I (R$ 10 milhões), somando mais de R$ 2 bilhões.
Cláudio Castro é alvo de buscas da PF em operação contra aportes no Banco Master pelo Rioprevidência
Segundo a PF, ao menos R$ 41,9 milhões foram repassados pelo Banco Master a Ricardo Siqueira pela captação de recursos de fundos de previdência, incluindo o Rioprevidência.
Em uma das conversas investigadas, os dois tratam do pagamento de comissão. Vorcaro pergunta o nome da empresa para emissão de nota, e Ricardo responde: “Mídias Promotora”, citando valor de R$ 7 milhões.
Formalmente, a empresa está no nome de Gilson Bahia Vasconcelos, apontado pela PF como possível laranja. Ele teria recebido cinco parcelas do auxílio emergencial. A casa de Gilson fica em uma rua numa área dominada pelo crime organizado. Ele responde por estelionato e organização criminosa.
Para os investigadores, não há dúvidas de que o verdadeiro responsável pela empresa é Ricardo Gordo.
A PF agora tenta identificar quem seria o “outro dono” mencionado nas conversas, ao qual Ricardo se referia ao afirmar que o Rioprevidência “tem um dono”.
O que dizem os envolvidos
O Rioprevidência disse que em dezembro de 2025 resgatou R$ 1,4 bilhão de um fundo gerido pelo Banco Master e que segue adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para a recuperação de recursos aportados em outros fundos relacionados ao Master.
O RJ2 tentou contato com Ricardo Siqueira, Gilson Vasconcelos e a empresa Mídias Promotora, mas não teve retorno.
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