Desenhada como um tabuleiro de xadrez em 1855: a primeira capital planejada do Brasil tem 6 km de orla à beira-mar e um caranguejo gigante de 7 metros

Desenhada como um tabuleiro de xadrez em 1855: a primeira capital planejada do Brasil tem 6 km de orla à beira-mar e um caranguejo gigante de 7 metros

Na foz do Rio Sergipe, sobre antigos manguezais, Aracaju nasceu pronta no papel antes de receber o primeiro morador. A capital sergipana reúne ruas em ângulo reto, uma das orlas mais bem estruturadas do Nordeste e a gastronomia do caranguejo que virou símbolo da cidade.

A capital que nasceu de uma decisão de Dom Pedro II

A cidade foi fundada em 17 de março de 1855, quando o povoado de Santo Antônio do Aracaju foi elevado a município e capital da província, no lugar de São Cristóvão, segundo a Prefeitura Municipal de Aracaju. A antiga sede ficava longe do mar e não atendia ao escoamento do açúcar produzido no Vale do Cotinguiba.

O presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, recebeu de Dom Pedro II a ordem de modernizar Sergipe e contratou o engenheiro militar Sebastião José Basílio Pirro para projetar a nova capital. O nome vem do tupi e significa cajueiro dos papagaios, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Hoje a cidade reúne cerca de 600 mil moradores em apenas 182 km², uma das menores áreas entre as capitais do país.

Aracaju, Sergipe // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Por que a cidade foi desenhada como um tabuleiro de xadrez?

O engenheiro Pirro traçou todas as ruas em linha reta, formando quarteirões simétricos que lembram o desenho de um tabuleiro de xadrez. A única curva permitida foi a da avenida que margeia o Rio Sergipe, imposta pelo próprio presidente da província.

O traçado geométrico foi pensado para melhorar a ventilação e o saneamento, combatendo a desordem das cidades coloniais que cresciam sem planejamento. A decisão tornou Aracaju um dos primeiros exemplos brasileiros de cidade planejada antes da ocupação. O desafio foi enorme: a área escolhida era dominada por mangues e charcos, o que exigiu aterros pesados e deixou marcas de alagamentos que persistem em algumas quadras até hoje.

Aracaju, Sergipe // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

A Orla de Atalaia e as praias urbanas mais estruturadas do Nordeste

O cartão-postal da cidade tem 6 km de calçadão à beira-mar e é considerado uma das orlas mais completas do Brasil. A estrutura reúne ciclovias, quadras poliesportivas, parques infantis, academias ao ar livre e lagos artificiais, segundo o portal Turismo Sergipe.

  • Praia de Atalaia: a mais famosa e movimentada, com águas mornas, faixa larga de areia e estrutura de quiosques à beira-mar.
  • Oceanário de Aracaju: administrado pelo Projeto Tamar, tem formato de tartaruga visto de cima e reúne 18 aquários com mais de 70 espécies marinhas.
  • Arcos da Orla de Atalaia: estrutura de aço dedicada ao fundador Inácio Barbosa, ícone das fotos na orla.
  • Praia dos Artistas: vizinha de Atalaia, procurada por quem busca bares e movimento.
  • Praia do Refúgio: mais afastada e tranquila, ideal para quem foge da agitação.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para conhecer as belezas e o charme de Sergipe, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Melhores Roteiros, que conta com mais de 13 mil visualizações. No conteúdo, o canal mostra um roteiro completo com praias, atrações culturais, opções gastronômicas e dicas imperdíveis do que fazer em Aracaju e outras regiões do estado:

A Passarela do Caranguejo e o templo da gastronomia sergipana

Na orla, uma estátua de caranguejo de sete metros, criada pelo artista sergipano Ary Marques Tavares, marca o início da passarela mais animada da cidade. Dezenas de bares e restaurantes lado a lado servem o prato símbolo da capital, o caranguejo cozido acompanhado de pirão e vinagrete.

O ambiente ganha música ao vivo no fim da tarde, com forró e ritmos nordestinos. A culinária local vai além do crustáceo: a Passarela do Artesão, próxima dali, reúne boxes de comidas típicas como tapioca e torta de macaxeira, além de artesanato regional. A festa mais tradicional é o Forró Caju, realizada em junho.

A Croa do Goré e os passeios pelo Rio Sergipe

A poucos minutos de barco da orla, um banco de areia surge no meio do delta do rio durante a maré baixa. A Croa do Goré é um dos passeios mais procurados da cidade, com águas rasas e mornas onde se montam mesas dentro do rio.

Os catamarãs e escunas saem da Orla do Pôr do Sol e do bairro Mosqueiro, geralmente combinando a parada na croa com a vizinha Ilha dos Namorados, na foz do rio. O trajeto cruza manguezais preservados e oferece vista da ponte Construtor João Alves, que liga Aracaju à Barra dos Coqueiros. Para quem prefere ficar em terra, a vizinha cidade histórica de São Cristóvão, quarta mais antiga do Brasil, fica a cerca de 25 km.

Quando o clima favorece cada tipo de visita?

A Cidade do Sol tem clima tropical quente, com brisa constante do Atlântico. O período seco vai de setembro a março, e as chuvas se concentram entre abril e julho, segundo o Climatempo.

Estação Meses Temperatura Chuva O que fazer
Verão Dez-Fev 24-31°C Baixa Praias e Croa do Goré
Outono Mar-Mai 23-30°C Alta Museus e mercados
Inverno Jun-Ago 22-28°C Alta Forró Caju e gastronomia
Primavera Set-Nov 23-30°C Baixa Orla e passeios de barco

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Maio é o mês mais chuvoso, com média de 194 mm.

Como chegar à Cidade do Sol

O Aeroporto Internacional Santa Maria fica na zona sul, a cerca de 12 km do centro e a apenas 10 minutos de carro da Orla de Atalaia, com voos diretos de Salvador, Recife, Fortaleza e São Paulo. Por terra, a BR-101 liga a capital a Salvador, a cerca de 330 km ao sul, e a Maceió, a 277 km ao norte, com trechos duplicados. Do aeroporto, táxis e aplicativos cobrem o trajeto até a orla em poucos minutos.

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Conheça a capital que cabe um tabuleiro inteiro à beira-mar

Poucos destinos do Nordeste reúnem orla estruturada, ruas planejadas e gastronomia tão marcante em uma cidade compacta. A capital sergipana ainda guarda o desenho geométrico de 1855 e o ritmo tranquilo de quem vive perto do mar.

Você precisa caminhar pela Orla de Atalaia ao entardecer e provar o caranguejo na Passarela para entender por que tanta gente chega de passagem e acaba ficando em Aracaju.

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