Mapa esquecido por 439 anos pode revelar onde está a Arca de Noé

Mapa-mundi de 1587 indica que a Arca de Noé está no mesmo local que abriga a embarcação bíblicaDavid Rumsey Map Collection

Um antigo mapa-múndi do século XVI voltou a chamar a atenção de pesquisadores e entusiastas da arqueologia bíblica ao apresentar uma possível pista sobre um dos maiores mistérios da humanidade: a localização da Arca de Noé. As informações são do Sky News.

Criado em 1587 pelo cartógrafo italiano Urbano Monte, o chamado Planisfério de Monte é considerado um dos mais impressionantes mapas da Era das Grandes Navegações. A obra é composta por 60 folhas desenhadas à mão que, quando reunidas, formam um círculo de mais de três metros de diâmetro, tornando-se um dos maiores mapas-múndi conhecidos daquele período.

Preservado no David Rumsey Map Center, o documento exibe continentes, terras distantes, criaturas mitológicas e diversas referências geográficas da época. Entre elas, uma ilustração que muitos acreditam representar a Arca de Noé repousando nas montanhas de Ararate, na atual Turquia.

A possível descoberta da Arca de Noé

A descoberta ganhou força após uma publicação viral do pesquisador independente Jimmy Corsetti nas redes sociais. Segundo ele, a posição e o tamanho da embarcação retratada no mapa coincidem com o chamado Sítio de Durupinar, uma formação geológica em formato de navio localizada próxima ao Monte Ararate.

Estrutura curiosa faz pesquisadores voltarem as buscas pela Arca de NoéReprodução

O local é investigado há décadas por estudiosos que tentam determinar se a estrutura pode ter alguma relação com o relato bíblico descrito no livro do Gênesis. De acordo com a tradição judaico-cristã, a Arca teria encalhado nas montanhas de Ararate após o dilúvio que cobriu a Terra durante 150 dias.

Um dos fatores que alimentam o interesse dos pesquisadores é que as dimensões da formação se aproximam das medidas atribuídas à Arca na Bíblia: cerca de 157 metros de comprimento, 26 metros de largura e 16 metros de altura.

Recentemente, uma equipe do projeto Noah’s Ark Scans utilizou radares de penetração no solo para examinar a estrutura. Os levantamentos revelaram corredores internos e cavidades que lembrariam a divisão em compartimentos descrita nas Escrituras. Os pesquisadores afirmam que o padrão identificado sugere uma organização interna incomum para uma formação geológica natural.

Segundo o pesquisador Andrew Jones, os dados indicam a presença de espaços subterrâneos alinhados de forma consistente, algo que ele considera incompatível com processos aleatórios. Técnicas de termografia infravermelha também teriam detectado uma estrutura em formato de casco preservada sob o solo.

As análises incluem ainda amostras coletadas em 2024 dentro e fora da formação. Os resultados apontaram concentrações significativamente maiores de matéria orgânica e potássio no interior da estrutura. Para os pesquisadores, isso poderia indicar a decomposição de grandes quantidades de madeira ao longo dos séculos.

Outro integrante do projeto, o cientista do solo William Crabtree, afirmou que os níveis elevados de potássio, matéria orgânica e alterações de pH são compatíveis com a decomposição de material orgânico antigo.

Além disso, fósseis de corais e conchas marinhas encontrados na região, situada a cerca de 2 mil metros acima do nível do mar, são apontados como possíveis evidências de que a área já esteve submersa.

Apesar do entusiasmo, muitos especialistas permanecem céticos. Geólogos argumentam que a presença de fósseis marinhos pode ser explicada por movimentos tectônicos que elevaram antigas áreas oceânicas ao longo de milhões de anos, sem qualquer ligação com um dilúvio global.

Enquanto o debate continua, o mapa de 1587 adiciona mais um elemento intrigante a uma das buscas arqueológicas mais famosas e controversas da história. Afinal, mesmo após séculos de investigações, a suposta localização da Arca de Noé ainda permanece envolta em mistério.

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