Do Maranhão à Jamaica, Lady Conceição abriu espaço para mulheres no reggae


Lady Conceição é uma das primeiras mulheres a administrar loja de discos no Maranhão
A cantora Lady Conceição, também conhecida como Conceição Croocks, natural de São Vicente Ferrer, a cerca de 275 km de São Luís, atua há mais de 26 anos no movimento reggae no Maranhão. Ela iniciou a carreira no gênero musical nos anos 1990 e, atualmente, também trabalha como produtora, promotora, tradutora, assessora e empresária no ramo do reggae.
“Minha relação com o reggae começou ainda muito jovem, nos anos 90, através da forte presença da cultura reggae no Maranhão. O reggae sempre esteve muito presente no nosso cotidiano, nas radiolas, nos bairros, nas festas e nas emoções das pessoas. Com o tempo, aquilo deixou de ser apenas algo que eu gostava de ouvir e passou a fazer parte da minha vida de forma muito profunda.” disse.
Segundo lembranças de Lady, já em São Luís, a primeira vez que foi a um show de reggae, foi quando ela ainda tinha 13 anos. Um show realizado na época no Toca da Praia, localizado no bairro da Ponta da Areia, marcou o início de sua carreira profissional.
Das radiolas do reggae à Jamaica: maranhense se tornou pioneira feminina no movimento em São Luís.
Reprodução/Arquivo pessoal
“Todos os domingos tinham festas na Toca da Praia, e a gente descia, porque não conseguia pegar ônibus, devido a lotação. A gente descia e vinha caminhando. E aí, um certo dia, teve um show muito grande aqui, promovido com o Ferreirinha da Estrela do Som. E eu tive o prazer de conseguir chegar perto dos artistas que vêm da Jamaica. E eu só tinha 13 anos. Eu gostava do inglês, e eu já falava um pouquinho. E aí, devido a lotação, eu acabei passando mal e conseguiram me colocar pra cima do móvel da radiola, do palco. Lá eu tive aquele contato, a partir dali, eu comecei a vir traduzir, tive contato diretamente com os artistas. Já comecei a me entrosar com eles. E a partir dali, eu comecei a vir traduzir, tive contato diretamente com os artistas.” relembra Lady.
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Ela explica que frequentava os clubes, e depois vinha com a tradução. De tradutora, Lady depois começou a atuar também como cantora e empresária. Em uma de suas viagens a trabalho, Lady conheceu o seu marido, o Norris, que atua no ramo reggae.
Após conhecer o seu marido, ela teve a oportunidade de atuar na administração de uma das primeiras lojas de discos do Maranhão. Segundo ela, uma das produtoras parceiras da loja de discos, era a Joy Gives Reggae Music.
“A gente tinha o Norris, pra quem não sabe, ele é um dos grandes produtores da Jamaica. E ele produziu muita gente.E aí, quando ele conheceu um rapaz chamado Delroson, o Delroson começou, fez a sociedade com eles antes de mim, com o Joy Gives. E aí, o Joy Gives montou a loja.Quando eu conheci o Joy Gives, o Delroson e o meu esposo, eu tomei a frente da loja. E aí, a gente começou, lançamos o disco, a gente começava a ouvir, ver o que a galera, o que a massa regueira, que a gente chama aqui em São Luís, procurava. Então, existe vários nomes de artistas grandes que a galera gosta de curtir. Então, a gente fazia as coletâneas e vinha” explica.
A partir desse período, a artista passou a investir na produção e no lançamento de trabalhos próprios e de outros nomes da música maranhense. Segundo ela, foram lançados discos autorais, projetos do marido e coletâneas que reuniam diferentes artistas.
A cantora também aproveitava esses lançamentos para fortalecer a divulgação da própria carreira. Na época, a pirataria era um desafio para o setor musical, mas, de acordo com a artista, a prática também contribuía para ampliar a circulação e o alcance de suas músicas junto ao público.
Viagem à Jamaica
Lady Conceição
Reprodução/Arquivo pessoal
Ao viajar ao país de origem do gênero musical, a Jamaica, Lady considera que se apaixonou mais ainda pelo reggae a partir da convivência direta com artistas, o que a proporcionou muitos aprendizados.
Na Jamaica, ela entendeu que o reggae não predominava tanto como no Maranhão. Lady explica que os jamaicanos curtem mais o black music.
“Então eles fazem o reggae e distribuem. Isso foi uma das coisas que me deixou impressionada. Eu falei: Ué, eu estou pensando que eu vou chegar aqui e ouvir um paredão, ver todo mundo dançando. Outra cousa também que eu achei muito diferente foi a dança, se for com reggae, eles dançam diferente da gente. Nossa dança é mais agarradinha, lá eles são mais soltos.” disse.
Lady explica que foi para a Jamaica entre os 16 e 17 anos, e que teve a oportunidade de estar ao lado de grandes artistas.
“Hoje eu consigo olhar e pensar, eu estive de vários artistas. Tenho gratidão a Deus por ter me aproximado e me levado para perto desses artistas.” agradeceu.
Após um ano no exterior, Lady voltou ao Brasil.
“Então eu vim com uma bagagem de lá pra cá, e percebi que o reggae, pra mim, não era só uma música. Era mais do que uma música, sabe? Era vivência, família, paixão, cultura, tudo.” afirmou.
Após a abertura da loja de discos, Lady iniciou um programa de reggae em São Luís, “Arrendado”, que era apresentado pelo DJ Jorge Black, que atuava como gerente da loja de discos. No programa era divulgado o trabalho de diversos artistas, como o Eddy Grant.
A partir de parcerias, ela realizava eventos independentes com diversos artistas, como Eric Donaldson, The Pioneers, seu marido Norris Cole, além de muitos outros.
“É uma paixão, algo em que a gente não visava só o capital, só o dinheiro, mas sim levar alegria e mostrar que o reggae estava ali, forte.” afirmou.
O acesso ao reggae mudou?
De acordo com Lady, as redes sociais possibilitaram um acesso a informações sobre o reggae, que anteriormente só eram possíveis por meio do rádio e através das radiolas.
” A gente não tinha muito acesso às músicas, elas ficavam presas nas radiolas” disse.
Além disso, ela ressalta que o reggae lá atrás sofria preconceitos, que hoje, foram não são mais vistos com frequência. Ela considera que hoje, existem muitas apresentações de pessoas qualificadas para levar informações sobre o gênero musical, como oficinas, trancistatas, que contribuem para consolidar o reggae como uma cultura valorizada.
“Tudo que a gente veio construindo, sabe? De alguma forma ajudou. Eu me sinto grata, porque de alguma forma eu ajudei, consegui abrir as portas para algumas mulheres, que hoje estão trabalhando com o reggae”. explicou.
Família regueira
Norris Cole Júnior, filho de Lady e Norris, artista profissional do reggae.
Reprodução/Arquivo pessoal
Atualmente, não só Lady Conceição e o seu marido Norris Cole, mas também o fruto desse amor, o filho, Norris Cole Júnior atua como artista profissional, demonstrando que o reggae ultrapassa gerações.
eela acabou passando mal, sendo levada para cima de uma radiola. O que parecia apenas um susto virou o início de uma trajetória que a transformaria em uma das pioneiras femininas do reggae no Maranhão.
Com 13 anos, ela visitou pela primeira vez um clube de reggae, e a emoção fez com que não só se ouvisse as batidas das grandes radiolas, mas agora se percebia, as batidas do coração. Foi no Toca da Praia, na época localizado na Ponta da Areia, que Lady entendeu que a paixão ia muito além de melodias, mas sim de uma identidade cultural que a permeiaria por toda a vida.
Devido a lotação do show, Lady acabou passando mal, e foi colocada em cima do palco, lá próximo a artistas jamaicanos, ela começou sua carreira como tradutora, um pontapé de uma carreira marcada pelo gênero musical que é símbolo no Maranhão.
Sua carreira iniciou como tradutora, em cima do palco, próximo aos grandes artistas vindo da Jamaica, ela pode conhecer os cantores de perto.
Quando o reggae virou empreendimento
O contato direto com artistas jamaicanos e a vivência nos clubes de reggae em São Luís fizeram Lady Conceição enxergar no gênero musical uma oportunidade de negócio. Depois de atuar como tradutora em festas e eventos, ela passou a trabalhar ao lado do esposo na loja de discos da Joy Gives Reggae Music, ligada ao produtor jamaicano Norris Cole, conhecido por produzir grandes nomes do reggae internacional.
Segundo Lady, a decisão de empreender surgiu a partir da forte procura do público regueiro por coletâneas, discos e materiais exclusivos ligados ao ritmo.
“A gente observava o que a massa regueira procurava e lançava um disco atrás do outro”, relembrou .
A empresária passou então a produzir coletâneas próprias e projetos com artistas conhecidos do reggae, fortalecendo também o próprio nome no cenário cultural maranhense. Mesmo enfrentando os impactos da pirataria, muito presente na época,
Lady afirma que a circulação informal dos discos acabou ajudando na divulgação dos trabalhos e ampliando o alcance das produções em São Luís.
Natural de São Vicente Ferrer, Lady Conceição, conhecida também como Conceição Crooks, ingressou no reggae desde muito cedo, uma paixão que se tornou profissão. Há mais de 26 anos, Lady atua como cantora, produtora, promotora, tradutora, assessora e empresária no ramo do reggae.
“Minha relação com o reggae começou ainda muito jovem, nos anos 90, através da forte presença da cultura reggae no Maranhão. O reggae sempre esteve muito presente no nosso cotidiano, nas radiolas, nos bairros, nas festas e nas emoções das pessoas. Com o tempo, aquilo deixou de ser apenas algo que eu gostava de ouvir e passou a fazer parte da minha vida de forma muito profunda.” disse
Com 13 anos, ela visitou pela primeira vez um clube de reggae, e a emoção fez com que não só se ouvisse as batidas das grandes radiolas, mas agora se percebia, as batidas do coração.
Foi no Toca da Praia, na época localizado na Ponta da Areia, que Lady entendeu que a paixão ia muito além de melodias, mas sim de uma identidade cultural que a permeiaria por toda a vida.
Devido a lotação do show, Lady acabou passando mal, e foi colocada em cima do palco, lá próximo a artistas jamaicanos, ela começou sua carreira como tradutora, já que já sabia falar inglês, devido a paixão.
O show foi início de uma carreira, que hoje ultrapassa gerações, o seu filho com o cantor jamaico Norris, iniciou sua trajetória como artista reggae.
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