
Neste domingo (31), tropas israelenses anunciaram a captura do Castelo Beaufort durante novo ataque no sul do Líbano. Segundo as autoridades israelenses, objetivo é enfraquecer estruturas do Hezbollah na região.
A importância do local vai além de seu valor histórico. Construído há cerca de 900 anos sobre um penhasco de 300 metros de altura, o castelo domina o vale do rio Litani e ocupa uma posição militar considerada estratégica desde a época das Cruzadas.
A fortificação começou a ser construída pelos cruzados no século XII, após a conquista da área pelo rei Fulque de Jerusalém em 1139. Seu nome árabe, Qalaat al-Shaqif, significa algo próximo de “rocha elevada”, em referência à posição estratégica que ele tem.
Já o nome francês, Beaufort, significa “fortaleza bela” ou “fortaleza forte.” A construção medieval fica ao sul do Líbano, a poucos quilômetros da fronteira com Israel.
Do topo da fortaleza é possível observar grandes áreas do sul do Líbano e do norte de Israel. Essa posição elevada transformou o local em um ponto militar valioso. A construção é um raro exemplo de castelo medieval que continuou relevante para guerras modernas.

Posição estratégica colocou castelo no centro de guerras
Dentro da história recente, o Castelo de Beaufort também foi alvo de disputas. A partir da década de 1970, foi utilizado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Já durante a Guerra do Líbano de 1982, Israel lançou uma operação para tomar a fortaleza após bombardeios.
Depois da batalha, os israelenses transformaram a região em uma base militar avançada e permaneceram ali por 18 anos até a retirada, em 2000. Durante esse período, o local foi alvo frequente de ataques de grupos armados, incluindo o Hezbollah.
O castelo chegou a ser parcialmente restaurado e aberto para visitação após a retirada israelense em 2000. Ao longo da história, a construção sobreviveu a cruzadas, invasões mamelucas, domínio otomano, guerras árabe-israelenses e ao conflito entre Israel e Hezbollah.
Um dos episódios históricos mais conhecidos ocorreu em 1190, quando o líder muçulmano Saladino tomou o castelo durante as guerras entre cristãos e muçulmanos no Oriente Médio. Décadas depois, os cruzados retomaram o controle, até a conquista definitiva pelos mamelucos em 1268.

Castelo entrou na lista indicativa da UNESCO em 2025
O Castelo de Beaufort não integra a conhecida lista de Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), mas passou a fazer parte da Lista Indicativa da organização em 2025, etapa que antecede uma eventual candidatura oficial ao título.
A fortaleza compõe o conjunto denominado “Castelos de Mount Amel”, no sul do Líbano, que reúne cinco construções medievais da região. Segundo a UNESCO, Beaufort é um dos exemplos mais importantes da arquitetura militar medieval do Oriente Médio, reunindo influências dos períodos cruzado, aiúbida e mameluco.
Em novembro de 2024, os castelos do grupo receberam proteção reforçada provisória no âmbito da Convenção da Haia de 1954, voltada à preservação de patrimônio cultural em áreas afetadas por conflitos armados.
Na sexta-feira (29), a própria UNESCO manifestou preocupação com relatos de ataques nas proximidades do Castelo de Beaufort durante a escalada militar no sul do Líbano e alertou para os riscos que os confrontos representam para o patrimônio histórico da região.
