Dentista presa deixou ao menos sete pacientes deformados

Valéria RibeiroReprodução/redes sociais

Ao menos sete pessoas estão entre os pacientes que sofreram deformidades graves após procedimentos estéticos realizados por uma dentista investigada em Goiânia. Ela foi identificada como Valéria Ribeiro. Segundo a Polícia Civil de Goiás, as vítimas ficaram com sequelas como infecções, necroses, fibroses e cicatrizes permanentes.

A profissional foi presa preventivamente durante a Operação Protocolo de Risco, realizadada pela Polícia Civil com apoio da Vigilância Sanitária na última quinta-feira (28). A ação também resultou na interdição de uma clínica estética no Setor Bueno e no bloqueio de R$ 600 mil em bens e valores ligados à investigada.

De acordo com as apurações, Valéria realizava procedimentos incompatíveis com a habilitação profissional e não possuía qualificação para executar cirurgias plásticas ou cirurgias bucomaxilofaciais.

As investigações começaram após denúncias de pacientes que procuraram a polícia para relatar complicações decorrentes dos procedimentos. Os primeiros relatos chegaram em 2024, mas alguns casos teriam ocorrido desde 2023.

Segundo o delegado Wladimir Freire, responsável pelo caso, as sete vítimas identificadas apresentaram lesões consideradas graves pela investigação.

Procedimentos duravam mais de 12 horas

A Polícia Civil afirma que a investigada realizava cirurgias como rinoplastia, bichectomia e lipo de papada dentro da própria clínica.

Operação Protocolo de RiscoDivulgação/Polícia Civil

Os relatos reunidos pela investigação apontam que alguns procedimentos duravam mais de 12 horas e eram realizados em uma sala odontológica comum, sem a estrutura considerada adequada para intervenções de maior complexidade.

Ainda segundo a polícia, pacientes denunciaram falhas na esterilização de materiais, ausência de acompanhamento anestésico suficiente e falta de condições sanitárias adequadas.

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As consequências teriam sido graves. Além das deformidades, as vítimas relataram infecções, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes.

Em um dos casos, uma paciente quase precisou ser encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), segundo o delegado.

Clínica foi interditada

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, policiais e fiscais da Vigilância Sanitária interditaram a clínica de Valéria onde os procedimentos eram realizados.

Operação Protocolo de RiscoDivulgação/Polícia Civil

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados à investigada. Foram recolhidos documentos, prontuários, aparelhos eletrônicos, contratos e equipamentos que podem ajudar no andamento das investigações.

Durante a operação, uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ela tentou esconder materiais que seriam analisados pelos investigadores.

A corporação informou que a mulher responderá por obstrução da atividade policial.

Conselho acompanha o caso

O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou ao g1 que a profissional possui registro ativo e que acompanha os desdobramentos da investigação.

A entidade destacou que procedimentos estéticos e cirúrgicos na face, como rinoplastia, lipoaspiração de papada, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados por cirurgiões-dentistas que comprovem habilitação específica para essas áreas.

O iG entrou em contato com o CROGO para se pronunciar sobre o assunto e aguarda retorno. 

A defesa da dentista informou ao g1 que ainda não teve acesso à íntegra dos documentos que embasaram a operação policial e, por isso, não poderia apresentar uma manifestação técnica completa sobre as acusações.

O iG não conseguiu localizar a defesa de Valéria Ribeiro. Entretanto, o espaço segue aberto para manifestação. 

As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta a identificação de novas vítimas.

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