Bebês romanos foram enterrados com tecido mais valioso que ouro

Bebês romanos foram enterrados com tecido mais valioso que ouroUniversidade de York

Uma descoberta arqueológica surpreendente na Inglaterra revelou que dois bebês enterrados durante o período romano receberam um tratamento funerário reservado à mais alta elite da época. Pesquisadores identificaram vestígios da chamada púrpura de Tiro, um dos corantes mais valiosos da Antiguidade, em tecidos que envolviam os corpos das crianças há cerca de 1.700 anos. As informações são da FOX News.

Os sepultamentos foram encontrados na cidade de York, antiga Eboracum durante a ocupação romana da Britânia. Um dos bebês foi enterrado em um sarcófago de pedra ao lado de dois adultos, enquanto o outro foi colocado em um caixão de chumbo.

Ao analisar os restos preservados e fragmentos têxteis encontrados nos túmulos, especialistas da Universidade de York detectaram traços químicos da famosa púrpura de Tiro. Segundo os pesquisadores, as crianças foram envolvidas em tecidos finos adornados com fios de ouro, uma combinação considerada o máximo símbolo de luxo e status no mundo romano.

Bebês romanos foram enterrados com tecido mais valioso que ouroConteúdo gerado por IA

De acordo com a equipe responsável pelo estudo, esse tipo de tecido era normalmente reservado a imperadores e membros da aristocracia, indicando que os bebês provavelmente pertenciam a famílias extremamente influentes e abastadas.

A púrpura de Tiro era produzida a partir da extração de pigmentos de moluscos marinhos do gênero murex. O processo era complexo e trabalhoso, tornando o corante tão valioso que, em determinados períodos do Império Romano, seu preço podia alcançar até três vezes o valor do ouro.

O pigmento também aparece diversas vezes em passagens bíblicas. No livro de Atos dos Apóstolos, por exemplo, é mencionada uma comerciante de tecidos púrpura chamada Lídia. Já no Evangelho de Marcos, soldados vestem Jesus com uma túnica púrpura como forma de zombaria, explorando a associação da cor com a realeza.

Os tecidos sobreviveram ao longo dos séculos graças a um ritual funerário romano incomum. Durante o sepultamento, os corpos eram cobertos com gesso líquido, que endurecia gradualmente e criava uma camada protetora capaz de preservar fragmentos dos tecidos, além de resíduos de corantes e outras substâncias presentes nas vestimentas.

Segundo a Universidade de York, esta é a primeira vez que vestígios da púrpura de Tiro são identificados em tecidos romanos encontrados na cidade. O achado também figura entre os raríssimos exemplos conhecidos desse corante em todo o Reino Unido.

A arqueóloga Maureen Carroll, diretora do projeto, classificou a descoberta como extraordinária. Para ela, a evidência demonstra que os habitantes mais ricos de York tinham acesso a produtos luxuosos e exóticos provenientes de regiões distantes do Império Romano.

A pesquisadora destacou ainda que o estudo oferece pistas importantes sobre a forma como as crianças eram valorizadas naquela sociedade. Mesmo diante da tragédia da morte precoce, as famílias teriam investido recursos significativos para proporcionar aos bebês uma despedida considerada digna de sua posição social.

Fundada por volta do ano 71 d.C. como uma fortaleza militar romana, York tornou-se uma das principais cidades da província e permaneceu sob influência de Roma até o início do século V.

A descoberta ocorre cerca de um ano após pesquisadores divulgarem estudos sobre uma antiga fábrica de púrpura localizada em Tel Shiqmona, em Israel. O local, datado de aproximadamente 1100 a.C., é considerado uma das mais importantes evidências já encontradas da produção em larga escala desse valioso corante na Antiguidade.

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