TCE aponta ‘emergência fabricada’ pela Prefeitura de Sorocaba, que pagou R$ 16 milhões à mesma empresa


Prefeitura de Sorocaba (SP) usou R$ 1 milhão destinado a crianças e adolescentes em gastos não previstos por fundo municipal
Marcel Scinocca/g1
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) afirmou, na terça-feira (26), que a Prefeitura de Sorocaba (SP) criou motivos para realizar contratações de emergência nos serviços de infraestrutura de data center da cidade. O órgão apontou que o município foi negligente e realizou manobras contratuais.
A mesma empresa, a Sonda Procwork Informática, prestou os serviços para a prefeitura de 2016 até o início deste ano. As falas do TCE ocorreram durante o julgamento de uma ação movida pela própria companhia que mantinha o contrato.
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As falas ocorreram durante o julgamento de uma ação da empresa que mantinha contrato com a prefeitura. O problema analisado pelo tribunal ocorreu após a prefeitura recorrer à chamada requisição administrativa. Esse mecanismo permite ao poder público solicitar a utilização temporária de bens, serviços ou funcionários particulares para atender a necessidades públicas.
“Após praticamente oito anos de vínculos contratuais sucessivos para o mesmo objeto e não podendo mais celebrar contratos emergenciais, decidiu a administração municipal adotar a requisição administrativa como meio a dar continuidade ao serviço da empresa contratada”, destacou o relator do caso, Maxwell Borges de Moura Vieira.
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O Ministério Público de Contas (MPC) não aceitou o recurso. Durante a sessão, o defensor da prefeitura, Celso Tarcisio Barcelli, rebateu a acusação de emergência fabricada. Ele destacou o caráter essencial dos serviços e afirmou que o município tentou contratar novas empresas, mas não obteve êxito em 36 tentativas de orçamento.
O relator, no entanto, reiterou a falta de planejamento. “Nesse caso, a prefeitura mostra a total falta de planejamento com esse caso, em especial. A requisição administrativa não foi devidamente enquadrada na previsão constitucional, tendo a alegada situação emergencial sido causada por desídia da própria origem”, disse.
“Resta evidenciado que a origem [a prefeitura] não só deu causa à emergência fabricada, como praticou o ato de requisição administrativa com o intuito de esconder uma nova contratação emergencial, o que indica o desvio de finalidade da medida”, acrescentou.
Ao citar que, posteriormente, a prefeitura conseguiu contratar nova empresa, o conselheiro classificou a situação como manobras administrativas.
Linha do tempo do vínculo da empresa com a Prefeitura de Sorocaba:
2016 a 2019: contratação regular;
2020: prorrogação;
2021 e 2022: contratação emergencial;
2023: requisição administrativa;
2024 a março de 2026: contrato emergencial.
Quanto foi gasto com o serviço
O serviço custou à Prefeitura de Sorocaba R$ 16,7 milhões somente entre 2020 e 2026. Esses valores estão distribuídos da seguinte forma:
2020: R$ 2,6 milhões;
2021: R$ 2 milhões;
2022: R$ 2,8 milhões;
2023: R$ 2,4 milhões;
2024: R$ 3,2 milhões;
2025: R$ 2,9 milhões;
2026: R$ 810 mil.
Embora a contratação original seja de 2016, o Portal da Transparência exibe apenas os valores pagos a partir de 2020. Ou seja, o montante total repassado à empresa pode ser maior que os R$ 16,7 milhões.
O que dizem empresa e Prefeitura
Após o fim do vínculo com a antiga prestadora, a Prefeitura de Sorocaba contratou uma nova empresa para os serviços. Assinado em março deste ano, o novo contrato tem valor de R$ 6,9 milhões por um período de 39 meses, com possibilidade de prorrogação por até 10 anos.
O g1 questionou a Sonda Procwork Informática e a prefeitura sobre o caso. Em nota, a Administração informou que o contrato foi feito na gestão passada e que ainda não foi notificado sobre o caso.
“De antemão, atual Administração Municipal deu sequência ao processo e resolveu a questão envolvendo licitação do serviço, sempre observando os princípios constitucionais, de compromisso com a legalidade, a transparência e a observância dos critérios técnicos para o bom desempenho da gestão pública.”
A empresa não havia respondido aos questionamentos até a última atualização desta reportagem.
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