
Milhões de brasileiros têm procurado apoio para poupar dinheiro no fim do mês, porque estão com as contas em atraso.
É o sonho de quase todo mundo, que a consultora comercial Adriana Lourenzi conseguiu alcançar depois de uma guinada na vida cinco anos atrás:
“Estava devendo, assim, mais ou menos, uns R$ 50 mil. Empréstimo, cartão, tudo junto. Consegui, em menos de seis meses, quitar as dívidas. Obviamente, não todo o dinheiro, eu fui fazendo negociações, então fui diminuindo essa dívida”, conta.
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A inadimplência é recorde no país. Atinge mais de 83 milhões de brasileiros. A Adriana conseguiu sair dessa estatística com muito esforço. Ela arrumou um segundo trabalho e bateu metas para ganhar mais. Passou de devedora a poupadora e conseguiu financiar um imóvel na planta.
“Eu cheguei na corretora no dia que eu vim comprar, eu falei assim: ‘Olha, você vai ter a venda mais fácil da sua vida. Eu quero o apartamento mais barato que você tiver’”, conta Adriana Lourenzi.
São 30 m² que já estão ficando com a cara das futuras moradoras.
Adriana Lourenzi, consultora comercial: Consegui fazer o planejado.
Repórter: Quando é que você pegou as chaves? Qual foi a sensação?
Adriana Lourenzi: Eu com a minha filha pusemos uma mão junto com a outra assim para abrir a porta. Entramos, aí ela ficou toda doida aqui. Chorei e agradeci. Porque eu sei que, por mais que eu consegui, não foi nada fácil, olhando para trás, todas as coisas que eu passei.
O apartamento ainda nem está montado e a Adriana já tem novos planos para o dinheiro guardado:
“Eu quero conhecer a Bahia, que eu ainda não conheço, carimbar o dinheiro para poder sempre estar realizando os sonhos. Eu sempre tenho de curto prazo, de médio prazo e de longo prazo. Esse aqui é o de longo”.
O número dos brasileiros que conseguem poupar e investir tem crescido aos poucos. Hoje, são mais de 60 milhões de pessoas – 36% da população. A maior parte dos que guardam dinheiro tem uma renda maior. Entre a população que ganha menos, os pequenos investidores também vêm crescendo, mas o percentual é menor.
Também tem mais gente investindo na Bolsa de Valores. O aumento foi de 33% em quatro anos. Os números mostram que muitos começam a aplicar em ações com menos de R$ 100.
“Hoje, no Brasil, a partir de R$ 50 é possível começar a investir. Para os mais jovens, por exemplo, quanto antes eu começar, mais rápido o meu dinheiro vai crescer, mesmo que seja economias pequenininhas ao longo dos meses”, afirma Marcelo Billi, superintendente de Educação da Anbima.
Número de brasileiros que conseguem poupar e investir cresce e chega a 36% da população
Jornal Nacional/ Reprodução
Um planejamento financeiro que deve ser adaptado ao longo da vida.
“Essa relação com o dinheiro, ela é permanente e os desafios que a gente tem, dependendo da fase da vida, vão mudando e exigindo da gente uma preparação diferente”, diz Marcelo Billi, superintendente de Educação da Anbima.
Para uma turma, o primeiro passo é perder o medo da tecnologia. A aula de letramento digital é a mais procurada no instituto que atende idosos em São Paulo.
“A gente procura sempre se atualizar, para não ficar para trás”, diz a aposentada Irene Alves de Oliveira.
Irene está começando a jornada para se tornar mais independente:
“O PIX eu faço assim, mas ainda com um pouco de receio. Meus filhos falam assim: ‘Mãe, para de ir no banco para pegar dinheiro, para de usar dinheiro’. Cada dia eu estou aprendendo um pouquinho, que é para poder não, também, todo tempo precisar, ficar pedindo ajuda para os filhos”.
A aposentada Alaíde Duque da Silva também frequenta as aulas no instituto. Ela ainda não consegue acessar a conta pelo celular, mas sempre soube administrar bem o salário que ganhava como empregada doméstica.
“Dava para manter a casa e ainda guardar um pouquinho todo mês. Nem que fosse R$ 10 na época, eu guardava. A gente procura as coisinhas mais em conta, não gastar dinheiro à toa, comprar coisa que não precisa. Igual, eu tenho dois pares de sapato”, conta Alaíde Duque da Silva.
Ela foi se preparando para a aposentadoria, como recomendam os economistas.
“O ideal é que a gente pense: o que eu quero fazer quando eu estiver aposentada? Onde eu quero ir? Quais lugares eu quero conhecer? Que tipo de independência eu quero garantir para mim? Tudo isso faz parte de um cálculo para a gente entender o quanto eu devo guardar já desde a juventude até a aposentadoria”, explica a economista Regiane Vieira.
“Eu sempre pensei em viajar, passear”, conta Alaíde Duque da Silva.
A Alaíde colocou o plano em prática:
“Eu vou sempre para Pernambuco, Porto de Galinhas. Para fora do Brasil, Itália, Alemanha, e Argentina”, conta.
A maior emoção foi ver o Papa Francisco de pertinho no Vaticano em 2025 – a última aparição pública dele.
“Aquilo foi uma emoção tão grande. Mas eu chorei tanto”, lembra Alaíde Duque da Silva.
As viagens são com a companhia e a ajuda da filha, e do pagamento parcelado, que ela não atrasa para não se endividar.
Alaíde Duque da Silva: Ela faz o pacote e a gente vai pagando. Ela paga a viagem e eu pago a estadia. Então, a gente, nós duas, controlada.
Repórter: Qual é o próximo sonho? Próxima viagem?
Alaíde Duque Da Silva: Quero fazer o cruzeiro. Ficar lá de boa no navio. De gaiato no navio.
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