
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu frear novas contratações em meio ao aperto nas contas. A reitoria suspendeu as homologações de concursos para docentes, pesquisadores e servidores técnico-administrativos e não prevê rever a medida antes do fim do período eleitoral, em outubro.
A decisão ocorre poucos meses depois de a própria universidade aprovar um orçamento com déficit estimado em R$ 189 milhões para 2026.
O despacho, assinado pela reitora Maysa Furlan, começou a circular internamente na sexta-feira (29) e ganhou repercussão nesta segunda-feira (01). A justificativa é a mesma que vem preocupando as três universidades estaduais paulistas: a desaceleração da arrecadação do ICMS, principal fonte de receita do sistema.
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Em nota enviada ao g1, a Unesp afirmou que a suspensão busca preservar o equilíbrio financeiro da instituição diante da retração fiscal observada nos últimos meses.
O anúncio chama atenção porque ocorre justamente quando a universidade mantinha uma política de recomposição de pessoal. No orçamento aprovado em dezembro, estavam previstas 150 contratações de professores e outras 100 de servidores técnico-administrativos.
Agora, ao menos por enquanto, essas vagas ficam sem previsão de preenchimento.
Mais de 30 seleções seguem abertas e previsão de rombo
Apesar da suspensão, os concursos não desapareceram do site da universidade.
Mais de 30 processos seletivos continuam recebendo inscrições. Em alguns casos, os editais foram publicados até mesmo depois de o documento da reitoria começar a circular.
A principal dúvida é o que acontecerá com essas seleções. A reportagem procurou a Unesp para esclarecer se os concursos em andamento serão mantidos normalmente ou se também poderão sofrer impacto da medida. Não houve resposta até a publicação deste texto.
O alerta não surgiu agora. Quano aprovou o orçamento de 2026, em dezembro do ano passado, o Conselho Universitário já trabalhava com um cenário de déficit. A previsão apontava despesas de R$ 4,98 bilhões diante de receitas estimadas em R$ 4,79 bilhões.
Boa parte desse dinheiro depende diretamente do ICMS. Pelos cálculos da própria universidade, o rombo representa cerca de 4% dos repasses esperados do Tesouro Estadual ao longo do ano. Na ocasião, a administração informou que seria necessário recorrer ao superávit acumulado para fechar as contas.
Nem a reitoria escondia a preocupação.
Estudantes veem problema estrutural
A decisão provocou reação imediata entre representantes estudantis.
Para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), o problema vai além das dificuldades enfrentadas neste ano. A entidade argumenta que o modelo de financiamento das universidades estaduais ficou para trás enquanto as instituições cresceram.
Segundo o grupo, a fatia do ICMS destinada às universidades não mudou desde 1995. Nesse período, a Unesp ampliou sua presença pelo estado, abriu novos cursos e aumentou o número de vagas.
“O número de campi, cursos e vagas praticamente dobrou, enquanto o número de professores e servidores diminuiu”, afirmou o DCE ao g1.
A discussão acontece em um momento de mobilização dentro das universidades estaduais. Há mais de um mês, estudantes de Unesp, USP e Unicamp mantêm paralisações e protestos por melhorias na infraestrutura e ampliação das políticas de permanência estudantil. Docentes da USP e da Unesp também aprovaram greve salarial nas últimas semanas.
O iG procurou a Unesp para esclarecer o impacto da suspensão sobre os concursos já abertos e as contratações previstas para 2026. A reportagem também pediu posicionamento da Secretaria de Ciência, Tecnologia. O espaço para posicionamento segue aberto.
