
A Ypê iniciou o processo de retomada das linhas de produção que estavam paralisadas em seu complexo industrial de Amparo, no interior de São Paulo, após receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa da empresa é voltar a operar com capacidade máxima em até uma semana.
As unidades afetadas produzem detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes. As atividades estavam suspensas desde o dia 7 de maio, enquanto outras áreas da fábrica continuaram funcionando normalmente.
Segundo a empresa, a retomada ocorre de forma gradual para garantir que todos os protocolos de organização, limpeza e segurança sejam cumpridos. Antes da reabertura das linhas, foi realizado um processo de sanitização e adequação das instalações.
Mudanças foram realizadas nas unidades
Durante o período de paralisação, a companhia promoveu melhorias em diferentes setores da fábrica. Entre as mudanças estão a renovação de ambientes utilizados para o manuseio de matérias-primas, instalação de novos móveis e utensílios em inox, além da aquisição de equipamentos para controle de corantes empregados na fabricação dos produtos.
De acordo com a direção da empresa, as linhas serão religadas de forma progressiva ao longo dos próximos dias até atingir a produção plena.
A autorização da Anvisa também permitiu a comercialização e utilização dos detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes identificados pelo final de lote 1 fabricados a partir de 1º de abril de 2026.
Produtos antigos seguem sob restrição
Apesar da liberação parcial, continuam proibidos o comércio, a distribuição e o uso dos produtos de final de lote 1 fabricados até 31 de março de 2026.
A empresa orienta os consumidores a verificarem a data de fabricação e o número do lote antes da utilização. A expectativa da Ypê é apresentar novos laudos laboratoriais à Anvisa para buscar a liberação gradual dos produtos fabricados antes de abril.
Enquanto isso, permanece ativo o programa de troca ou ressarcimento para consumidores que possuem itens ainda enquadrados na restrição sanitária.
A orientação é que esses produtos sejam mantidos armazenados em local seguro e não sejam descartados até novas determinações dos órgãos reguladores.
Entenda o que levou à suspensão
A interdição parcial da fábrica ocorreu após uma inspeção técnica identificar riscos de contaminação microbiológica em algumas linhas de produção. A medida foi adotada como forma preventiva para proteger os consumidores.
A liberação aconteceu cerca de três semanas depois, após uma nova vistoria realizada pela Anvisa em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária. Segundo a agência, a empresa apresentou um plano para atender 76 exigências sanitárias apontadas durante as fiscalizações.
Os técnicos concluíram que as principais ações corretivas foram implementadas e que a unidade reúne condições adequadas para voltar a operar sem oferecer riscos à população.
Bactéria esteve no centro das investigações
O caso tem relação com um histórico de contaminação microbiológica registrado pela fabricante em novembro de 2025. Na ocasião, a empresa realizou um recolhimento voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Esse microrganismo é encontrado naturalmente no ambiente, estando presente na água, no solo e até na pele humana. Em pessoas saudáveis, normalmente não provoca problemas. No entanto, pode representar riscos para indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como pacientes em tratamento médico ou com doenças que reduzem as defesas do organismo.
A Anvisa ressaltou que a suspensão aplicada neste ano foi baseada nos resultados da inspeção realizada em abril de 2026, embora o episódio anterior tenha sido considerado no histórico regulatório da empresa durante a avaliação dos riscos.
