Nos últimos cinco anos, as menções aos fundos de investimento passaram de cerca de 28 mil para 76,5 mil, um avanço de 170%, segundo a 10ª edição do FInfluence. Os dados consideram fundos tradicionais, como ações, multimercados e renda fixa, e os FIIs (fundos imobiliários).
O estudo é da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados). O relatório monitora semestralmente o ecossistema de finanças nas redes sociais, que chegou a 904 influenciadores no segundo semestre de 2025.
Segundo Amanda Brum, CMO da Anbima, o produto aparece nas redes com forte viés de utilidade. “Quando entram na conversa, fundos e FIIs trazem junto cenário e estratégia de investimento. Isso faz com que a interação não aconteça diretamente sobre o produto, mas sobre tudo o que está em volta dele”, afirma. “O público não está interessado apenas no ativo, quer entender, de forma didática, como se encaixa na carteira e no momento de mercado”.
Ao longo das dez edições do Finfluence, os fundos de investimento passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas conversas sobre finanças nas redes sociais. A média de engajamento das publicações saiu de 1.618 interações em 2021 para 2.191 em 2022 e chegou a 3.150 em 2023. Em 2024, o interesse do público deu um salto de cerca de 50%, levando a média para 4.708 interações por post. Em 2025, o patamar se manteve elevado, com 4.734 interações médias por publicação. Para comparação, no último ano, o engajamento médio em todas as publicações monitoradas, sobre investimentos e finanças, foi de 2.757 interações.
Conteúdos sobre fundos avançam quando orientam o investidor
Nos posts sobre fundos nas redes, predominam abordagens informativas (21,8%), estratégicas (20,8%), que analisam como tomar decisões de alocação e tomar decisões de investimento, e didáticas (19,4%), voltadas ao passo a passo.
Na outra ponta, os formatos de menor presença mostram que a conversa sobre fundos ainda abre pouco espaço para abordagens mais pessoais ou opinativas. Conteúdos de opinião (5,5%), análises técnicas (3,4%), mais ligadas à leitura de gráficos, preços e movimentos de curto prazo), e menções acessórias, quando fundos aparecem apenas como tema secundário dentro de um conteúdo mais amplo (3,1%), têm participação reduzida.
Também aparecem em menor escala os posts de lifestyle, que conectam o assunto à rotina ou à imagem pessoal dos influenciadores (2,8%), e os conteúdos apelativos, marcados por chamadas mais sensacionalistas ou promessas de ganho (2,5%).
Quando o foco passa para o engajamento, conteúdos didáticos ficam na frente (9.306). Em seguida está menções acessórias (8.230), que reúnem publicações em que fundos entram conectados a um tema maior, como cenário econômico.
Posts com abordagens estratégicas (7.133), voltadas à alocação, comparação entre alternativas e tomada de decisão, e de opinião (7.004), em que o influenciador interpreta o momento ou expressa uma visão própria, formam um segundo bloco de alta interação. Já conteúdos com viés informativo (3.094), lifestyle (3.075), análise (2.618) e apelativo (2.290) registram médias menores.
Para entender com mais profundidade o comportamento da audiência, foram analisados os comentários de 108 publicações de destaque em 2025. Nesse recorte, a maior parte das interações se concentra nas manifestações políticas ou sarcásticas (42,1%), indicando que fundos e FIIs acabam sendo associados a discussões sobre cenário econômico e decisões governamentais, mesmo em conteúdos técnicos.
Na outra ponta, o foco é no influenciador ou no próprio conteúdo (37,4%), com comentários que reagem à qualidade e utilidade do conteúdo, seja por elogios (“excelente retrospectiva”), manifestações de confiança no influenciador (“você é referência”) ou agradecimentos pelas orientações compartilhadas (“obrigada pelas informações”). Já dúvidas ou pedidos de ajuda (8%) revelam uma demanda por orientação prática, com perguntas sobre risco, renda, momento de entrada ou saída, tributação e escolha de produtos.
As menções diretas aos fundos estão apenas em 4,7% dos comentários na maior parte do ano. Ainda assim, há momentos em que esse padrão muda. Em agosto e setembro de 2025, cresceu em quase 15% o volume de interações focadas no ativo, com discussões mais objetivas sobre produto e comparação entre alternativas.
Nos últimos cinco anos, a produção do conteúdo sobre fundos foi puxada principalmente por criadores individuais (pessoa física), que concentram 61% das menções e 81,5% do engajamento. “O crescimento desse tema nas redes não vem apenas de alcance, mas de especialização. Há um núcleo consistente de criadores que aborda fundos e FIIs com profundidade, recorrência e capacidade de traduzir esses produtos para o investidor”, afirma Brum.
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