No extremo sul do Rio Grande do Sul, palácios ecléticos cercam praças com fontes importadas da França. Essa é Pelotas, a Princesinha do Sul, que enriqueceu vendendo carne salgada e hoje é famosa pelos doces finos. A herança do açúcar e do charque rendeu à cidade um reconhecimento inédito do patrimônio brasileiro.
Quando o charque virou doce e o doce virou patrimônio
A fortuna nasceu da carne. No século 19, Pelotas chegou a abrigar 40 charqueadas, fábricas onde a carne era salgada e seca ao sol, segundo a Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul.
O açúcar veio junto. Os navios que levavam o charque ao Nordeste voltavam carregados de açúcar, transformado em doces finos dentro dos casarões, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Assim nasceu a tradição que deu à cidade o título de Capital Nacional do Doce.

Um reconhecimento inédito na história do país
O patrimônio de Pelotas entrou para a história em 15 de maio de 2018. Naquele dia, o IPHAN tombou o Conjunto Histórico da cidade como Patrimônio Cultural do Brasil e, na mesma sessão, registrou as Tradições Doceiras como Patrimônio Imaterial.
Foi a primeira vez que uma cidade recebeu duplo reconhecimento em uma única reunião do instituto. O conjunto protegido inclui praças, a Charqueada São João e o Theatro Sete de Abril, inaugurado em 1834, um dos teatros mais antigos do país.

Os doces que atraem multidões à maior feira do gênero
A doçaria pelotense é levada a sério. São receitas centenárias de quindins, camafeus, bem-casados e pastéis de Santa Clara, herdadas das famílias portuguesas e refinadas ao longo de quase dois séculos.
Toda essa tradição se reúne na Feira Nacional do Doce (Fenadoce), a maior do gênero no país, segundo a Pelotas Turismo. O evento reúne mais de 200 tipos de doces, alguns com certificado de autenticidade.
O que fazer em Pelotas além de comer doce?
A cidade combina arquitetura histórica, charqueadas e praia de água doce. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Praça Coronel Pedro Osório: coração histórico cercado de casarões tombados, com a Fonte das Nereidas importada da França.
- Charqueada São João: fazenda de charque de 1810, cenário da minissérie A Casa das Sete Mulheres, com passeios de barco pelo arroio.
- Mercado Central: em funcionamento desde 1853, com bancas de doces e artesanato sob estrutura de ferro.
- Museu da Baronesa: solar do século 19 com mobiliário de época e parque arborizado.
- Praia do Laranjal: praia de água doce na Lagoa dos Patos, a 12 km do centro, boa para o pôr do sol.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para conhecer a capital nacional dos doces tradicionais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Ruy Viaja, que conta com mais de 400 visualizações. No conteúdo, o canal mostra um roteiro completo com a charmosa Praia do Laranjal, os belos casarões coloniais, o Mercado Central e dicas imperdíveis do que fazer em Pelotas, Rio Grande do Sul.
Quando é a melhor época para visitar?
O verão, de dezembro a março, é o mais ameno em comparação ao restante do país e bom para a Praia do Laranjal. A Fenadoce, em geral entre junho e julho, é o grande chamariz do inverno.
O clima subtropical úmido distribui chuvas o ano todo, sem uma estação seca definida, e o inverno pode ser rigoroso. As estações frias combinam bem com os cafés e os roteiros culturais pelos casarões.
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Conheça a cidade onde a história tem gosto de doce
Pelotas reúne palácios do ciclo do charque, doces com quase dois séculos de tradição e um patrimônio reconhecido como nenhum outro no país. Poucos lugares contam a história do Brasil com tanto sabor.
Vale descer até o sul gaúcho, caminhar entre os casarões da Princesinha do Sul e provar um quindim feito como há 150 anos.
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