Executivo do Senac São Paulo analisa o avanço tecnológico, a digitalização e a virtualização do trabalho.


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Os nascidos na década de 70 devem se lembrar das transições e crises econômicas, mudanças culturais e o prenúncio de profundas transformações tecnológicas, o mundo testemunhou o início da vida digitalizada que hoje conhecemos. Naquele tempo, o futuro era fortemente moldado pelo imaginário da série norte-americana, The Jetsons. Criada nos anos 60, mas emblemática na transição dos anos 70, a série prometia carros voadores, cidades suspensas, robôs humanoides e jornadas de trabalho mínimas, um conforto absoluto mediado pela tecnologia.
“Chegamos a 2026, se traçarmos um paralelo, os criadores da antológica série acertaram no conceito, mas erraram no formato físico das soluções. No quesito mobilidade, falharam nos carros voadores, mas acertaram na automação e inteligência do transporte. Na automação, não se concretizou o robô humanoide, mas a substituição do trabalho humano por máquinas, sobretudo no campo intelectual e na indústria. Na comunicação, o acerto na conectividade e nas telas subestimou a miniaturização e ubiquidade da tecnologia”, avalia João Carlos Goia, Gerente do Atendimento Corporativo do Senac São Paulo.
Segundo Goia, o erro mais crucial e o foco desta análise, contudo, reside no trabalho, pois subestimaram a capacidade de reinvenção da força de trabalho. A reflexão ganha urgência diante de dados concretos.
“Ao analisarmos o relatório ‘Future of Jobs 2025’ do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ele projeta um cenário claro até 2030: 170 milhões de novos empregos serão criados globalmente, impulsionados pela tecnologia, em especial pela Inteligência Artificial, enquanto 92 milhões de postos serão eliminados pela automação”, observa o executivo.
Apesar desta exclusão, o saldo é expressivamente positivo: cerca de 78 milhões de novos postos de trabalho serão criados. “Então, por que o avanço tecnológico e a digitalização, virtualização do trabalho ainda geram tanto receio?”, questiona.
A resposta, de acordo com o executivo, reside na incompreensão. O mundo do trabalho não será apenas diferente, será profundamente reconfigurado por uma força silenciosa e exponencial: a IA. Ela está reescrevendo o que significa ser competente, exigindo uma nova consciência sobre os estágios do desenvolvimento humano.
Tradicionalmente, a competência se divide em quatro níveis:
Incompetente Inconsciente: Não sabe que não sabe.
Incompetente Consciente: Reconhece sua limitação.
Competente Consciente: Executa com esforço e atenção.
Competente Inconsciente: Age com maestria natural.
“Curiosamente, o estágio mais perigoso nesse processo é o da Incompetência Inconsciente. Aquele que acredita já dominar o suficiente corre o risco de se tornar obsoleto sem perceber. Por outro lado, quem assume a Incompetência Consciente como ponto de partida tem maior chance de evolução. A humildade intelectual se configura como uma vantagem competitiva inestimável”.
Goia destaca que este desconforto não é um retrocesso, mas um convite à reinvenção. As competências do futuro estarão menos ligadas à execução e mais à orquestração. O “saber fazer” será menos valioso do que o “saber direcionar”.
O novo paradigma exige um conjunto de habilidades que valorizam o diálogo humano com a máquina como um parceiro estratégico. As competências essenciais passam a ser:
Pensamento Crítico Ampliado: Filtrar e questionar os outputs da IA.
Curadoria de Informações e Leitura de Contexto: Dar sentido estratégico aos dados processados.
Ética Digital: Navegar pelas implicações morais e sociais da tecnologia.
Capacidade de Dialogar com Máquinas: Atuar como estrategista, não como mero usuário.
“A alfabetização em IA se tornará tão fundamental quanto a leitura e a escrita. Não se trata apenas de novos cargos, mas de novas formas de pensar o trabalho”, avalia.
Para o Gerente do Atendimento Corporativo do Senac São Paulo, à medida que avançamos, o ritmo é de “aprender, desaprender e reaprender” em ciclos cada vez mais curtos. “A maestria deixa de ser um destino final para se tornar um estado transitório. A grande transformação não está na tecnologia, mas na consciência. Se as máquinas aprendem cada vez mais rápido, a verdadeira vantagem humana será continuar aprendendo também, com intenção, humildade, coragem e paixão para receber o futuro, não o fictício dos Jetsons, mas o real, que está à nossa frente, aqui e agora”, finaliza.
O Senac São Paulo
O Atendimento Corporativo do Senac São Paulo atende empresas públicas, privadas e do terceiro setor com o desenvolvimento de soluções educacionais customizadas e alinhadas aos objetivos estratégicos de cada uma delas, em diferentes modalidades, por meio de cursos, em diferentes níveis de ensino, workshops, oficinas e palestras, além do Programa Senac de Aprendizagem, que é gratuito para empresas e está presente em todo o Estado de São Paulo.
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