Os submarinos russos que mergulham a 6.000 metros e vigiam os cabos responsáveis por 95% da internet global

No fundo dos oceanos, onde quase nenhuma marinha consegue operar, os submarinos russos da unidade GUGI chamam atenção pela profundidade extrema. Com casco de titânio, reator de metal líquido e alcance de 6.000 metros, eles vigiam cabos submarinos que sustentam a internet global.

Por que os submarinos russos da GUGI são tão secretos?

A Diretoria Principal de Pesquisa de Águas Profundas (GUGI) é uma divisão da Marinha Russa criada em 1965. Diferente de forças navais convencionais, a unidade atua em missões ligadas ao fundo oceânico, como mapeamento, instalação de sensores e vigilância de infraestrutura submarina.

O sigilo em torno da GUGI é alto. Muitos detalhes só vêm a público após incidentes, como o incêndio de 2019 no AS-31 Losharik, que matou 14 tripulantes e expôs parte das operações realizadas por essa frota especializada.

Diferente dos submarinos convencionais, suas embarcações são projetadas para missões de fundo oceânico, como instalar sensores, mapear o leito marinho e interceptar cabos de comunicação

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Como os submarinos alcançam 6.000 metros de profundidade?

O diferencial técnico do Losharik está no casco de titânio, material leve, resistente à corrosão e capaz de suportar pressões extremas. Enquanto submarinos militares comuns operam em profundidades muito menores, o projeto russo foi desenhado para missões em áreas abissais.

Segundo o site National Security Journal, o AS-31 Losharik mede cerca de 70 metros, pesa aproximadamente 2.000 toneladas e consegue descer a 6.000 metros. A estrutura usa esferas de titânio interligadas, cada uma funcionando como compartimento pressurizado.

O que o reator de metal líquido muda nesses submarinos?

Outro ponto incomum é o uso de reator de metal líquido, tecnologia associada a projetos soviéticos como os submarinos da classe Alfa. Em vez de usar apenas água pressurizada como refrigerante, o sistema trabalha com chumbo-bismuto líquido.

Esse tipo de reator permite alta potência em espaço reduzido. No caso das embarcações da GUGI, os reatores LMT produzem cerca de 8 a 10 megawatts e ajudam a manter missões prolongadas em grandes profundidades, sem necessidade de exposição frequente à superfície.

Por que os cabos submarinos viraram alvo estratégico?

Mais de 500 cabos submarinos cruzam os oceanos e formam a espinha dorsal da comunicação moderna. Eles transportam cerca de 95% do tráfego global de dados, incluindo transações financeiras, comunicações militares, chamadas e conteúdo acessado diariamente na internet.

Essa concentração transforma os cabos em infraestrutura crítica. Regiões como o Mar Báltico, o Atlântico Norte e o Indo-Pacífico concentram rotas sensíveis, onde falhas ou sabotagens poderiam afetar a conectividade de países inteiros.

Mapa oceânico mostra rotas de cabos que sustentam a comunicação global

Como os submarinos russos se comparam aos modelos da OTAN?

A vantagem da frota da GUGI não está apenas na profundidade. Ela combina casco especial, reator compacto, apoio de navios-mãe e equipamentos voltados para operações no leito oceânico, função bem diferente da maioria dos submarinos militares tradicionais.

A tabela abaixo mostra a diferença de finalidade e capacidade entre o Losharik e um modelo típico da OTAN:

Característica Losharik AS-31 Submarino classe Los Angeles
Profundidade máxima 6.000 metros Aproximadamente 450 metros
Material do casco Titânio com esferas modulares Aço de alta resistência
Tipo de reator Metal líquido com chumbo-bismuto Água pressurizada
Missão principal Operações em águas profundas Combate naval e ataque à superfície
Área de atuação Fundo oceânico e cabos submarinos Patrulha militar convencional

Qual é a capacidade da GUGI sobre cabos globais?

A GUGI não depende apenas do Losharik. O mini-submarino pode ser transportado por embarcações maiores, como o Belgorod, de 184 metros, que funciona como navio-mãe para missões de longo alcance.

De acordo com o Business Insider, embarcações russas associadas à unidade têm sido observadas nas proximidades de cabos submarinos estratégicos. A frota também inclui navios de apoio, como o Yantar, e veículos submersíveis capazes de atuar em grandes profundidades.

Entre as capacidades atribuídas a essa estrutura estão:

  • Mapeamento de rotas de cabos submarinos em regiões estratégicas
  • Instalação de sensores para monitoramento de áreas sensíveis
  • Operação em profundidades extremas, abaixo do alcance de muitos sensores navais
  • Apoio de navios-mãe, ampliando o raio de atuação dos mini-submarinos
  • Missões prolongadas em áreas onde a vigilância convencional é limitada

O fundo do mar virou uma nova fronteira de disputa

Enquanto satélites, mísseis e aviões recebem mais atenção, parte decisiva da infraestrutura global segue escondida no fundo dos oceanos. Os cabos submarinos são discretos, vulneráveis e essenciais para manter bancos, governos, empresas e usuários conectados.

É por isso que os submarinos da GUGI ocupam um papel tão sensível no cenário estratégico. Com casco de titânio, reator de metal líquido e alcance de 6.000 metros, eles mostram que a disputa por informação também acontece em áreas onde quase ninguém consegue chegar.

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