
A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas a disputa pela atenção dos brasileiros já acontece e algumas marcas largaram na frente. Em um cenário cada vez mais fragmentado de mídia, marcado pela convivência entre TV aberta, streaming e redes sociais, a publicidade ligada ao torneio ainda encontra terreno fértil para gerar lembrança, engajamento e intenção de compra.
É o que revela o estudo “O Brasil em Campo”, realizado pela Opinion Box em parceria com a Expertise, que ouviu 1.028 pessoas interessadas em acompanhar a competição. O levantamento mostra que 72% dos entrevistados afirmam ter visto alguma campanha relacionada à Copa do Mundo. Entre os chamados “Fanáticos” — grupo que organiza a rotina em torno dos jogos — esse índice sobe para 84%.
As marcas mais lembradas pelos torcedores
Quando o assunto é associação espontânea entre marcas e o maior evento do futebol mundial, algumas empresas aparecem naturalmente na memória dos consumidores: Coca-Cola, Nike, Globo, Adidas, McDonald’s, Budweiser, Visa, Vivo, iFood, Heineken, Brahma, CazéTV, Panini, Bradesco, Azul, Cimed e Tim estão entre os nomes mais citados.
O resultado reforça um fenômeno clássico do marketing esportivo: mais do que patrocinar, é preciso construir presença cultural. E, nesse aspecto, a Copa ainda é uma das plataformas mais poderosas para conectar marcas a sentimentos coletivos.
O que chama atenção nas campanhas
Se existe uma palavra capaz de resumir o comportamento do torcedor brasileiro diante da publicidade da Copa, ela é emoção. Segundo a pesquisa, 71% dos entrevistados apontam a carga emocional como o elemento que mais chama atenção nas campanhas. Logo atrás aparecem brasilidade (68%), seguido de garra e competitividade (53%). Música, humor e nostalgia também desempenham papel importante na construção das narrativas publicitárias.
O dado ajuda a explicar por que tantas campanhas de Copa do Mundo apostam em histórias de superação, memória afetiva e identidade nacional. Em um ambiente cada vez mais disputado por atenção, a emoção continua sendo uma das poucas linguagens capazes de atravessar diferentes perfis de audiência.
Quatro perfis de torcedor
O estudo identificou quatro grandes perfis de consumidores durante o período da Copa. Os Fanáticos (28%) vivem intensamente a competição e acompanham praticamente tudo. Os Conectados (29%) acompanham os jogos e ampliam a experiência pelas redes sociais. Os Casuais (28%) assistem aos jogos mais relevantes sem grande envolvimento. Já os Sociais (15%) enxergam o Mundial como um momento de encontro e convivência.
Essa segmentação explica por que as marcas distribuem seus investimentos entre televisão, plataformas digitais e influenciadores. Não existe mais um único torcedor — existem múltiplas formas de viver a Copa.
52% querem comprar de marcas que anunciam na disputa
A relação entre publicidade e intenção de compra também aparece de forma expressiva no levantamento. Mais da metade dos entrevistados (52%) afirma ter vontade de experimentar ou adquirir produtos de marcas que realizam campanhas relacionadas ao torneio. Entre os torcedores fanáticos, esse índice chega a 81%.
Cerca de 60% dos participantes afirmam gostar quando as marcas lançam edições especiais para a Copa do Mundo. Já 43% acreditam que o evento influencia tendências de moda e comportamento.
Churrasco, cerveja e Smart TV
A pesquisa também oferece um retrato dos hábitos que cercam os dias de jogo. Petiscos e churrasco lideram as preferências, ambos com 64% das citações. Em seguida aparecem cerveja (51%), refrigerante (48%) e salgadinhos (45%).
Entre os produtos que os entrevistados pretendem comprar para a ocasião, televisões e Smart TVs lideram com 28%, seguidas por churrasqueiras (15%), coolers (14%), sistemas de som (11%) e choppeiras (10%). O movimento sinaliza que o torneio segue funcionando como catalisador de encontros e celebrações, impulsionando categorias ligadas à experiência coletiva.
Globo lidera
Na disputa pela audiência, a TV aberta continua exercendo forte influência. A Globo aparece como principal canal para assistir aos jogos, mencionada por 71% dos entrevistados e escolhida como primeira opção por 41%.
Ao mesmo tempo, o estudo evidencia o crescimento dos novos formatos. CazéTV e SporTV aparecem empatados com 49% das menções, enquanto o canal liderado por Casimiro Miguel já é a primeira escolha de 35% dos respondentes. SBT (36%) e Globoplay (35%) também estão entre as alternativas mais citadas.
O cenário confirma uma tendência que é observada em grandes eventos esportivos: a audiência não abandonou a televisão tradicional, mas passou a dividir sua atenção entre diferentes plataformas, formatos e linguagens.
A Copa como território de marcas
Mais do que um campeonato de futebol, a Copa do Mundo continua sendo um dos maiores palcos de construção de marca do planeta. Campanhas bem executadas geram lembrança, fortalecem vínculos emocionais e influenciam decisões de compra.
Em um ambiente de mídia cada vez mais pulverizado, as marcas que conseguirem traduzir pertencimento, emoção e experiência coletiva tendem a ocupar um espaço privilegiado na memória dos consumidores. E, pelo que os números indicam, essa partida já começou muito antes do apito inicial.
