
A Nasa anunciou o encerramento da missão Maven (Mars Atmosphere and Volatile Evolution Mission), responsável por estudar a atmosfera de Marte, após perder contato com a sonda há cerca de seis meses. A agência espacial norte-americana informou que não conseguiu restabelecer a comunicação com a nave desde dezembro de 2025 e decidiu dar a missão como encerrada.
Lançada para investigar como Marte perdeu grande parte de sua atmosfera ao longo de bilhões de anos, a Maven superou amplamente sua expectativa inicial de funcionamento. Embora tenha sido projetada para operar por um ou dois anos, a sonda permaneceu ativa por mais de uma década em órbita do planeta vermelho.
Segundo a Nasa, a nave provavelmente continua orbitando Marte, mas todas as tentativas recentes de comunicação falharam. A agência informou que investigará as possíveis causas da perda de contato.
Para os cientistas envolvidos no projeto, a missão representou um dos avanços mais importantes já realizados na compreensão da história climática de Marte e de como planetas rochosos evoluem ao longo do tempo.
O que era a missão Maven
A Maven foi lançada pela Nasa em novembro de 2013 e entrou na órbita de Marte em setembro de 2014. Seu principal objetivo era estudar a atmosfera superior do planeta e entender como ela foi sendo perdida para o espaço ao longo de sua história.
A missão recebeu o nome de Mars Atmosphere and Volatile Evolution, ou Evolução da Atmosfera e dos Compostos Voláteis de Marte.
Ao investigar a interação entre a atmosfera marciana e o vento solar, os pesquisadores buscavam responder a uma das principais questões da exploração espacial: como Marte passou de um planeta que possivelmente teve rios, lagos e condições mais favoráveis à vida para o ambiente frio e árido observado atualmente.
O que a sonda descobriu
Segundo a Nasa, a Maven permitiu avanços significativos na compreensão do fenômeno conhecido como “fuga atmosférica”, processo pelo qual gases escapam da atmosfera de um planeta para o espaço.
As observações mostraram que a ação contínua do vento solar desempenhou papel importante na perda da atmosfera marciana ao longo de bilhões de anos. Essa descoberta ajudou os cientistas a entender melhor por que Marte perdeu grande parte de sua água líquida e deixou de apresentar condições semelhantes às da Terra.
De acordo com Shanon Curry, pesquisadora envolvida na missão, os dados coletados transformaram Marte em um laboratório natural para o estudo das atmosferas de planetas rochosos.
A chefe do programa de exploração marciana da Nasa, Tiffany Morgan, afirmou que a missão aprofundou o conhecimento sobre a atmosfera, a evolução climática e a habitabilidade do planeta vermelho.
Mais de 10 anos em operação
A missão Maven foi planejada para durar entre um e dois anos, mas permaneceu ativa por mais de 11 anos, tornando-se uma das missões mais longevas da exploração de Marte.
Além das pesquisas científicas, a sonda também desempenhou uma função estratégica ao retransmitir sinais entre a Terra e robôs que operam na superfície marciana.
Com o encerramento da missão, outras espaçonaves que orbitam Marte passarão a assumir essa tarefa de comunicação.
Mesmo após o fim das operações, os dados coletados pela Maven continuarão sendo analisados por pesquisadores e devem contribuir para futuras missões ao planeta vermelho e para os estudos sobre a evolução de mundos semelhantes à Terra.
