Marido que matou esposa por seguro é condenado a 41 anos no Ceará

Leonardo Nascimento Chaves encomendou a morte da própria esposa, Kaianne BezerraReprodução / Redes Sociais

A Justiça do Ceará condenou, na quarta-feira (3), o professor Leonardo Nascimento Chaves a 41 anos de prisão por planejar a morte da própria esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves. O crime ocorreu em 2023, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará, e teria sido motivado pelo interesse em receber valores de seguros de vida dos quais ele era beneficiário. A informação é do jornal Diário do Nordeste.

Além de Leonardo, Adriano Andrade Ribeiro, apontado como executor do homicídio, foi condenado a 37 anos de prisão. Os dois foram considerados culpados pelos crimes de homicídio, corrupção de menor, furto e fraude processual.

A Justiça também negou aos réus o direito de recorrer em liberdade. No caso de Leonardo, foi determinada ainda a perda do cargo público, segundo informações do Diário do Nordeste. 

O julgamento mobilizou familiares da vítima e representantes do Ministério Público do Ceará. Após a leitura da sentença, parentes de Kaianne comemoraram a condenação dos envolvidos.

Para a acusação, as provas reunidas ao longo da investigação demonstraram que o crime foi planejado para ocultar sua verdadeira motivação financeira. Já as defesas dos condenados informaram que pretendem recorrer da decisão.

Relembre o caso

Kaianne Bezerra Lima Chaves foi morta em 26 de agosto de 2023, na cidade de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Inicialmente, o caso foi tratado como um latrocínio, que é um roubo seguido de morte. A versão apresentada por Leonardo era de que criminosos teriam invadido a residência do casal, roubado objetos e assassinado a contadora durante a ação.

No entanto, o avanço das investigações da Polícia Civil revelou inconsistências no relato. De acordo com o Ministério Público, Leonardo teria arquitetado toda a ação e contratado Adriano Andrade Ribeiro para executar o crime.

As apurações apontaram que o plano tinha como objetivo obter vantagem financeira por meio de seguros de vida contratados em nome da vítima.

Crime foi planejado para parecer assalto

Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará, Leonardo teria combinado previamente a invasão da residência e orientado os executores sobre como a ação deveria ocorrer.

A investigação concluiu que objetos da casa foram levados após o assassinato para reforçar a falsa versão de latrocínio. Entre os itens subtraídos estavam aparelhos eletrônicos, celulares, bebidas e alianças do casal.

Imagens de câmeras de segurança e outros elementos reunidos pela polícia ajudaram a desmontar a versão inicialmente apresentada pelo marido da vítima.

A perícia também concluiu que Kaianne morreu por asfixia mecânica causada por esganadura, contrariando as primeiras suspeitas de que ela teria sido morta após uma agressão na cabeça.

Julgamento encerra quase três anos de investigação

O julgamento ocorreu após quase três anos de investigações e tramitação judicial. Durante a sessão, acusação e defesa apresentaram suas versões aos jurados, que decidiram pela condenação dos dois réus.

Segundo o Diário do Nordeste, os promotores responsáveis pelo caso afirmaram que a decisão representa uma resposta da Justiça a um crime considerado especialmente grave por envolver feminicídio planejado pelo próprio companheiro da vítima.

Com a condenação, Leonardo Nascimento Chaves permanecerá preso enquanto o processo segue para análise de eventuais recursos.

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