O avanço do trabalho híbrido consolidou uma mudança estrutural na forma como empresas organizam pessoas, tecnologia e produtividade. No programa Conexão Segura, os convidados analisaram como a área de TI deixou de ser vista apenas como centro de custo e passou a ocupar um papel estratégico na cultura corporativa, na experiência do colaborador e na competitividade dos negócios.
A discussão mostrou que a adoção de novas ferramentas, inteligência artificial e ambientes digitais não resolve, por si só, os desafios das empresas. Antes da tecnologia, os entrevistados destacaram a importância de entender o problema real, alinhar processos ao propósito da companhia e preparar lideranças capazes de conectar times em diferentes modelos de trabalho.
“Então, o protagonismo, são pessoas, são processos e por último, a tecnologia em si”, afirma Ivo Shoten.
Tecnologia como meio para resolver problemas reais
Na avaliação dos especialistas, a transformação digital começa pela compreensão das pessoas e dos processos. A tecnologia aparece como ferramenta para resolver necessidades concretas, reduzir esforços manuais e apoiar a tomada de decisão, mas não deve ser tratada como um fim em si mesma.
Esse raciocínio ganha relevância em um momento em que empresas aceleram investimentos em automação, inteligência artificial e colaboração digital. O ponto central é evitar a adoção de soluções desconectadas da operação, da cultura interna e da experiência de quem usa essas ferramentas no dia a dia.
“Eu acho que a IA vem para facilitar, vem para ser um acelerador, mas não necessariamente de tudo”, avalia Aldo Júnior.
Escritório ganha nova função no trabalho híbrido
O escritório também passou por um processo de ressignificação. Em vez de funcionar apenas como local de presença física, o ambiente corporativo passou a ser visto como espaço de conexão, colaboração, troca de ideias e fortalecimento da cultura organizacional.
Nesse novo modelo, a ida ao escritório precisa ter propósito. Empresas e profissionais já não buscam apenas reproduzir no ambiente físico a mesma rotina que poderia ser feita em casa. O desafio é criar espaços capazes de estimular integração, criatividade, solução de problemas e decisões mais rápidas.
“Eu vejo que o líder no momento do presencial ele traz o colaborador para estabelecer conexões”, explica Marcos Faria.
Experiência do colaborador impacta a experiência do cliente
A conexão entre experiência do colaborador e experiência do cliente foi um dos pontos centrais da conversa. Para os convidados, não basta investir apenas na jornada do cliente externo; é necessário reduzir atritos internos, simplificar ferramentas e criar condições para que os times entreguem valor ao mercado.
Na prática, isso exige tecnologia de fácil usabilidade, governança, segurança e entendimento profundo das particularidades de cada negócio. Quando a solução tecnológica resolve problemas reais da rotina corporativa, a transformação digital deixa de ser apenas implantação de ferramenta e passa a gerar qualidade percebida pelos colaboradores.
“O nosso objetivo era trazer algo mais facilitado, digamos assim, para eles utilizarem”, destaca Felipe Guardiano.
Liderança, dados e adaptabilidade definem o futuro do trabalho
A liderança aparece como peça central para equilibrar presencial, híbrido e remoto. O papel do líder varia conforme o objetivo do momento: no presencial, pode ser criar vínculos e confiança; no remoto ou híbrido, passa por garantir ferramentas adequadas, segurança da informação, clareza de prioridades e fluidez na colaboração.
Nesse ambiente, produtividade não deve ser medida apenas pela presença física, mas pela capacidade de organizar objetivos, acompanhar indicadores e dar autonomia aos times. Dashboards, dados em tempo real e inteligência artificial podem ampliar a tomada de decisão, desde que estejam conectados a um plano de ação claro.
O futuro do trabalho híbrido não deve seguir um modelo único. A tendência apontada pelos entrevistados é que cada empresa encontre o formato mais adequado à sua cultura, ao seu setor, à sua estrutura operacional e aos seus objetivos estratégicos.
Com novas ferramentas, modelos de inteligência artificial, formas de colaboração e desafios regulatórios surgindo em ritmo acelerado, a adaptabilidade se torna uma competência essencial. Empresas que conseguirem alinhar tecnologia, pessoas e processos terão mais condições de transformar o trabalho híbrido em vantagem competitiva.
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