
Moradores relatam temor após desabamento de ponte no Acre
Após o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, moradores das áreas próximas convivem com um novo risco: o de deslizamentos de terra. A área que abrigava a estrutura sofre do fenômeno conhecido como terras caídas, que afeta encostas de rios.
Por conta da situação, uma equipe do Ministério Público do Acre (MP-AC) que foi enviada ao município acionou a Defesa Civil Municipal para fazer vistorias e verificar a necessidade de remoção de moradores nas áreas mais críticas. Até a tarde deste sábado, nenhuma família havia sido retirada.
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👉🏽 Contexto: A ponte desabou na noite dessa sexta-feira (5), em Sena Madureira, interior do Acre. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança mostraram que quatro pessoas, que ultrapassaram o bloqueio, passavam no momento do acidente ficaram feridas. Veja quem são os feridos aqui.
Áreas próximas ao Rio Iaco sofrem fenômeno chamado terras caídas
Jhenyfer Souza/g1
Enquanto não há definição sobre a retirada de moradores, eles lidam com o susto pelo desabamento da ponte e o risco de novos incidentes.
É o caso da estudante Nicole Vitória, de 13 anos, que mora com a mãe em uma área de barranco às margens do Rio Iaco. Ela conta ainda que frequentemente sentia a ponte balançar ao atravessar a passagem.
Veja o que se sabe sobre o acidente
“É muito desesperador para as pessoa que moram aqui, o barranco descer. O pessoal gritou socorro na hora da ocorrência e tudo. Muito desesperador para as pessoa que moram aqui”, relata.
O mecânico Giliard Souza, do Primeiro Distrito, frequentemente visita a mãe, que também mora às margens do rio. Com o desabamento da ponte, ele afirma que as visitas devem ficar mais difíceis, já que o trajeto por terra exige um percurso mais longo. Para conseguir ir acompanhado da esposa e dos filhos, a alternativa é utilizar a travessia de catraia.
A mãe dele o avisou por telefone instantes após o desabamento da ponte. “Naquele momento ali, eu creio que que foi uma coisa de Deus, porque se não tivesse delimitado essa ponte, eu creio que tinha morrido várias pessoas. Às 5 horas [da tarde] ficava muita gente no meio da ponte, tirando foto, então, para a gente é um desespero ver isso acontecer, bem pertinho de casa”, lamenta.
Ponte interditada desaba no Acre
MP enviou equipe
Promotor de Sena Madureira fala sobre apuração das causas do desabamento de ponte
Uma equipe do Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MP-AC foi ao município, com uma promotora, engenheiro e perito para analisar o local do desabamento. Além de apurar as causas do desastre, o órgão pretende garantir a segurança dos moradores e evitar que haja mais feridos.
“Acionamos o DNIT, estamos oficiando o Deracre, a própria empresa [construtora Cidade] e também o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público para identificar, inclusive, outras obras que essa empresa especificamente tem atuado, já atuou ou está atuando em nosso estado para que possamos adotar as medidas proativas e preventivas em defesa do patrimônio público”, declarou o promotor Júlio César Medeiros, titular do município.
Segundo Juliana Fernandes, promotora de Justiça, que foi ao município junto à equipe do NAT, destacou que a remoção de famílias das áreas de risco é essencial. Além disso, o MP também irá recomendar medidas para conter a movimentação de solo nas margens do rio.
“A gente teve notícias de que aqui na região continua cedendo, então provavelmente vai ter que ser feita a retirada dessas famílias. A gente acionou a Defesa Civil para vir até aqui, junto com a a Secretária de Assistência Social para fazer essa retirada enquanto é seguro”, explicou.
Relatos
Weverton Murieta, um dos sobreviventes do desabamento, relatou que ele e os outros três feridos estavam em cima da ponte no momento do desastre.
Weverton recebeu alta na manhã deste sábado (6) e deu entrevista explicando os detalhes sobre os últimos momentos antes da queda da ponte.
Ele trabalha com Antônio Morais Filho, outra vítima do desabamento, descarregando caminhões de mercadorias. Os dois voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz, em cima da ponte, interditada desde a quinta-feira (4) por risco de desabamento, às margens do Rio Iaco.
“Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para eu ir com ele. Aí, quando eu passei na frente para mostrar, a ponte desabou”, contou.
Morador relata estrondo no momento em que ponte desabou no Acre
Quem mora nas áreas próximas à ponte em Sena Madureira também passou por um susto com o desabamento. O estudante Marcos Henrique, de 18 anos, relata que ele o avô ouviram um estrondo e chegaram a pensar que era a casa deles desabando.
“Começou tudo a chacoalhar, aí começamos a escutar um barulho, aí de repente tem aquele barulho aquele estrondo. Eu saí e meu avô disse: ‘A ponte caiu’. Vi a fumaceira, corri, quando eu olhei a ponte estava caída, todo mundo em desespero, correndo. E foi desesperador porque a gente achava que tinha sido aqui [em casa], né, pelo fato de, como a gente mora à beira de barranco, entende-se que é sempre pior para a gente’, conta.
A interdição e posterior queda da ponte já provoca impactos no município. O mototaxista Anderson Freitas, de 50 anos, conta que a falta da travessia aumenta o tempo de deslocamento entre os dois distritos da cidade.
Sem a passagem, o transporte entre as regiões só é possível por meio de catraias, que são pequenas embarcações.
“Pedimos aos clientes para compreenderem a demora. Se ligarem para nós [mototaxistas] sairmos para o Segundo Distrito, vamos fazer um atalho pela outra ponte, da estrada de Rio Branco”, explica.
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