Butantan divulga estados com maior risco de picada de escorpião

Escorpiões têm hábito noturnoAndré Ricoy e José Felipe Batista/Comunicação Butantan

O sul da Bahia, o norte de Minas Gerais e o noroeste de São Paulo estão entre as regiões com maior risco de acidentes com escorpiões no Brasil, aponta um levantamento realizado pelo Butantan.

O trabalho analisou dados dos 5.570 municípios brasileiros entre 2012 e 2024 e identificou mais de 1,7 milhão de casos e 1.230 mortes no período. 

Além de mapear as regiões mais afetadas, o estudo revelou um aumento elevado dos acidentes ao longo dos anos. Durante o período analisado, o número de casos passou de 31 para 142 registros a cada 100 mil habitantes, um aumento de 349%. Entre os fatores que podem explicar essa expansão estão as mudanças climáticas, as alterações ambientais e o avanço da urbanização, condições que favorecem a presença desses animais.

EscorpiãoFoto: Rafael Minguet Delgado/ Pexels

Áreas de maior risco

Os dados mostram que as regiões Nordeste e Sudeste concentram 87% dos casos registrados no país. Nesse cenário, os principais focos estão em municípios de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, onde os registros cresceram rapidamente nos últimos anos.

Em São Paulo, o noroeste do estado foi avaliado como a área mais preocupante. O clima quente, junto ao crescimento das cidades, favorece a multiplicação do escorpião-amarelo, espécie responsável pela maior parte dos acidentes registrados no Brasil.

Minas Gerais também aparece entre os estados em situação mais crítica, especialmente na região norte. Além do elevado número de acidentes, o estado registra muitas mortes provocadas pelo veneno desses animais. O estudo destaca ainda que a maior parte dos óbitos ocorre entre crianças de até nove anos.

Já na Bahia, considerada uma das principais áreas de risco do Nordeste, os pesquisadores observaram aumento dos casos tanto no sul quanto no norte do estado entre 2018 e 2024. Nesse contexto, as temperaturas elevadas e os períodos de seca podem contribuir para a proliferação dos escorpiões.

EscorpiãoReprodução Unsplash

Além disso, a faixa formada por Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte também apresentou crescimento dos registros nos últimos anos. Em Alagoas, por exemplo, foram registrados mais de 270 casos para cada 100 mil habitantes. Os dados apontam ainda uma frequência maior de acidentes entre mulheres no estado.

Região Norte

Embora a região Norte apresente menos casos registrados, os pesquisadores alertam que a situação pode ser diferente da mostrada pelos números oficiais. Isso porque a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a possibilidade de subnotificação podem esconder parte dos acidentes.

Em algumas comunidades ribeirinhas, por exemplo, a viagem até uma unidade de saúde pode levar dias. Com isso, o atendimento de casos mais graves se torna mais difícil, especialmente quando as vítimas são crianças. Além disso, o estudo destaca que algumas espécies encontradas na Amazônia podem provocar sintomas diferentes daqueles observados em outras regiões do país.

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Escorpião: como prevenir e o que fazer em caso de picadaReprodução/IA

O que favorece a presença dos escorpiões

Ao examinar as áreas classificadas como de maior risco, os pesquisadores identificaram características em comum, como temperaturas mais altas, menor volume de chuvas, redução da cobertura vegetal e menores níveis de escolaridade.

Por outro lado, municípios com maior presença de áreas verdes registraram menor risco de acidentes. Segundo os pesquisadores, ambientes urbanos mais quentes e secos tendem a favorecer a multiplicação dos escorpiões.

O estudo também observou que os acidentes seguem um padrão ao longo do ano. Nesse sentido, os meses entre setembro e dezembro, especialmente durante a primavera, concentraram o maior número de ocorrências em todo o país.

Outra característica destacada pelos pesquisadores é a grande capacidade de adaptação de algumas espécies. Em determinados casos, as fêmeas conseguem gerar filhotes sem a necessidade de um macho, o que contribui para o rápido aumento da população de escorpiões.

Como se cuidar

Os escorpiões se adaptam facilmente às cidades e costumam viver em redes de esgoto, galerias subterrâneas, terrenos com lixo acumulado e locais com grande quantidade de insetos, especialmente baratas, que servem de alimento.

Por isso, uma das principais recomendações é evitar o acúmulo de lixo, entulho, folhas secas e materiais de construção. Além disso, roupas deixadas no chão, principalmente quando estão úmidas, podem servir de esconderijo para esses animais, que costumam ser mais ativos durante a noite.

A picada geralmente provoca dor intensa logo após o acidente. Diante dessa situação, a orientação é lavar o local com água e sabão, fazer uma compressa morna e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

O cuidado deve ser ainda maior quando a vítima for uma criança, já que os casos graves podem evoluir rapidamente. Mesmo que a maioria dos acidentes seja considerada leve e possa ser tratada com medicamentos para aliviar a dor, situações mais graves podem exigir a aplicação de soro para combater os efeitos do veneno do escorpião.

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