
O governo do Irã atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade pela nova quebra do cessar-fogo no Oriente Médio e afirmou que Israel atua com o aval de Washington. A acusação foi feita nesta segunda-feira (08) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, poucas horas depois de Jerusalém realizar ataques contra alvos militares em território iraniano.
Segundo Baghaei, os episódios mais recentes reforçam a desconfiança de Teerã nas negociações mantidas com os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos têm responsabilidade direta pelas violações do cessar-fogo”, afirmou o porta-voz. Ele acrescentou que as decisões israelenses não são tomadas sem consulta prévia a Washington.
Os ataques ocorreram durante a madrugada. Explosões foram registradas em Teerã, Tabriz e Isfahan. As Forças Armadas de Israel disseram que atingiram instalações militares ligadas ao governo iraniano no oeste e no centro do país.
A ofensiva veio um dia depois de o Irã lançar mísseis contra Israel. Teerã apresentou a ação como resposta aos bombardeios israelenses realizados no domingo (07) em Beirute, no Líbano. Os ataques atingiram áreas que Israel apontou como ligadas ao Hezbollah.
O Exército israelense informou que os projéteis iranianos foram interceptados e não divulgou registro de vítimas.
Impasse nas negociações
A troca de ataques ocorre enquanto Estados Unidos e Irã tentam fechar um acordo para ampliar a trégua em vigor desde abril.
Na última eemana, negociadores chegaram a anunciar um entendimento para estender o cessar-fogo por mais 60 dias e suspender restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. O plano dependia da aprovação final de Donald Trump.
A proposta, porém, voltou para a mesa de negociações depois que o presidente norte-americano pediu mudanças em pontos do texto.
Autoridades envolvidas nas conversas indicaram divergências sobre compromissos nucleares iranianos e sobre garantias para a reabertura da passagem marítima. Dias antes, Trump havia dito que o acordo estava praticamente concluído.
Bases estadunidenses sob ameaça
Também nesta segunda-feira (08), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Qalibaf, afirmou que as bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio voltaram a ser consideradas “alvos legítimos”.
A declaração aumenta ainda mais a pressão sobre Washington em um momento de instabilidade na região.
Os Estados Unidos mantêm instalações militares em países como Iraque, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Após as ameaças e a retomada dos ataques, o Iraque anunciou o fechamento do espaço aéreo do país por 72 horas. O Irã adotou uma medida semelhante.
