Os mercados iniciam a semana atentos a uma agenda econômica carregada no Brasil e no exterior, com foco em inflação, atividade econômica, decisões de política monetária e eventos corporativos relevantes. Depois de um payroll forte nos Estados Unidos, os investidores voltam as atenções para os índices de preços, que podem calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Nos Estados Unidos, o principal destaque será o CPI de maio, previsto para quarta-feira (10), às 8h30 no horário local. Na quinta-feira (11), será divulgado o PPI, índice de preços ao produtor. Os dois indicadores serão acompanhados de perto por mostrarem a pressão inflacionária ao consumidor e no atacado, em um momento de maior cautela com juros e custos de energia.
O mercado também acompanhará indicadores do setor imobiliário americano e a prévia da confiança do consumidor da Universidade de Michigan. A leitura será importante porque, após sinais de força no mercado de trabalho, a inflação volta ao centro das decisões sobre política monetária nos Estados Unidos.
No Brasil, a semana começa com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, e segue com o IGP-DI de maio, da Fundação Getulio Vargas. Na quinta-feira, será conhecido o volume de serviços de abril. Na sexta-feira, o mercado acompanha o IPCA de maio, principal indicador de inflação do país.
O IPCA será o dado doméstico mais importante da semana. O resultado pode influenciar a curva de juros e as expectativas para a política monetária, especialmente em um cenário de dólar mais pressionado, alta do petróleo e maior sensibilidade dos investidores ao quadro fiscal e político.
“Estados Unidos, dados do mercado imobiliário ao longo da semana e destaque também para os índices de inflação, o CPI e o PPI”, afirma Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, da BM&C News.
Na Europa, o principal evento será a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, na quinta-feira (11), em Frankfurt. A reunião ocorre em um ambiente de inflação ainda relevante, crescimento fraco e incertezas sobre os impactos da alta do petróleo. O calendário oficial do BCE confirma a reunião de política monetária nos dias 10 e 11 de junho.
Ao longo da semana, também serão divulgados dados de inflação de Alemanha, França, Espanha e Portugal. No Reino Unido, os investidores acompanham produção industrial, PIB e balança comercial referentes a abril.
Na Ásia, o Japão divulga o PIB do primeiro trimestre, tanto na leitura trimestral quanto anualizada. A China publica balança comercial e os índices de inflação ao consumidor e ao produtor, dados importantes para avaliar o ritmo da segunda maior economia do mundo e seus efeitos sobre commodities.
A semana também terá decisão de juros do Banco do Canadá, marcada para quarta-feira (10). Na última decisão, o banco central canadense manteve a taxa básica em 2,25% e informou que a próxima reunião ocorreria em 10 de junho.
No campo corporativo, os investidores acompanham os resultados da Oracle, que serão divulgados na quarta-feira (10), após o fechamento do mercado. A empresa informou oficialmente que apresentará seus números do quarto trimestre fiscal de 2026 nessa data, com atenção ao desempenho em nuvem, inteligência artificial e tecnologia corporativa.
Outro evento de grande peso será a estreia da SpaceX no mercado acionário americano. A empresa de Elon Musk deve iniciar negociações na Nasdaq na sexta-feira, com preço de referência de US$ 135 por ação, em uma operação que pode se tornar o maior IPO da história, segundo informações publicadas pela Reuters.
O cenário geopolítico também permanece no radar. Os desdobramentos no Oriente Médio seguem afetando os preços do petróleo e aumentando a cautela dos investidores. A alta do petróleo pode pressionar combustíveis, custos de produção e expectativas de inflação em diferentes economias.
Na semana anterior, os principais ativos refletiram esse ambiente de maior aversão ao risco. O dólar comercial avançou 2,18%, enquanto o Ibovespa recuou 2,74%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,6%, o S&P 500 perdeu 2,6% e o Nasdaq recuou 4,7%. Já o petróleo subiu, com avanço de 3,64% no WTI e 2,26% no Brent.
Com inflação no Brasil e nos Estados Unidos, decisão do BCE, indicadores da China e IPO da SpaceX, a semana tende a ser relevante para a formação de preço em juros, câmbio, Bolsa e commodities. Para os investidores, os próximos dias podem definir o tom das expectativas para Fed, Copom e bancos centrais globais.
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