Sagrada Família atinge altura final após 144 anos de obras

Basílica da Sagrada Família recebeu, neste domingo, uma missa em homenagem às vítimas dos atentadosReprodução/Twitter

Mais de um século após o início de sua construção, a icônica Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, alcançou um marco histórico. Considerada a maior obra-prima do arquiteto Antoni Gaudí, a igreja atingiu sua altura definitiva de 172,5 metros (566 pés) com a instalação da cruz que coroa a Torre de Jesus Cristo, a mais alta de suas 18 torres. As informações são da CNN.

A conquista ocorre 144 anos depois do lançamento da pedra fundamental, em 1882, e representa um dos momentos mais importantes da história do monumento, que se tornou símbolo da capital catalã e um dos pontos turísticos mais visitados da Europa.

lego da sagrada familiaLego Divulgação

Basílica da Sagrada Família

A inauguração oficial da torre acontece nesta semana, em uma cerimônia religiosa liderada pelo papa Leão XIV. O evento também marca os 100 anos da morte de Gaudí, atropelado por um bonde em 1926 antes de ver sua criação concluída.

Embora ainda existam trabalhos internos e detalhes decorativos a serem finalizados nos próximos anos, a conclusão da estrutura principal era considerada o objetivo mais aguardado do projeto. Desde o início, a construção enfrentou atrasos provocados por crises econômicas, falta de recursos, mudanças políticas e até pela Guerra Civil Espanhola.

A cruz instalada no topo da Torre de Jesus Cristo tornou-se um desafio à parte para engenheiros e arquitetos. Com aproximadamente 17 metros de altura — o equivalente a um prédio de cinco andares — e peso próximo de 100 toneladas, a peça precisou ser montada em etapas ao longo de vários meses.

Segundo Mauricio Cortés, arquiteto responsável pela fase atual da obra, o objetivo foi respeitar ao máximo os desenhos e conceitos deixados por Gaudí. O arquiteto catalão imaginava uma cruz capaz de refletir a luz solar durante o dia e destacar-se iluminada no horizonte de Barcelona durante a noite.

A tarefa exigiu equilibrar fidelidade histórica e exigências modernas de engenharia. Materiais mais leves e técnicas contemporâneas foram empregados para garantir segurança estrutural sem comprometer a aparência idealizada pelo criador do projeto.

A Sagrada Família é considerada uma das obras arquitetônicas mais complexas do mundo. Sua combinação de formas orgânicas, colunas inspiradas em árvores, torres sinuosas e uso intenso de cores transformou o templo em uma referência da arquitetura modernista.

Grande parte dessa complexidade quase se perdeu em 1936, quando anarquistas incendiaram a cripta da igreja durante a Guerra Civil Espanhola e destruíram muitos dos desenhos, maquetes e documentos deixados por Gaudí.

O avanço posterior da construção só foi possível graças ao trabalho de discípulos e colaboradores do arquiteto, que haviam registrado suas ideias em fotografias, livros, artigos e esboços. Esses materiais permitiram que gerações seguintes reconstruíssem os planos originais e dessem continuidade ao projeto.

Atualmente, os arquitetos utilizam tecnologias que Gaudí jamais imaginaria, incluindo modelagem digital em três dimensões, softwares avançados e robôs industriais. Ainda assim, os responsáveis afirmam que seguem a lógica geométrica criada pelo mestre catalão.

Outro desafio permanente foi o financiamento. Diferentemente de grandes obras públicas, a basílica depende exclusivamente de doações e da venda de ingressos para visitantes. Durante a pandemia de Covid-19, a queda abrupta do turismo colocou o cronograma em risco. Com a retomada das viagens internacionais, porém, a situação mudou. Somente em 2025, quase cinco milhões de pessoas visitaram o monumento.

Apesar da celebração, a construção ainda não está totalmente encerrada. O foco agora se volta para a chamada Fachada da Glória, projetada por Gaudí como a entrada principal do templo.

A etapa, no entanto, gerou controvérsia entre moradores da região. O projeto prevê uma monumental escadaria ligando a fachada à rua, o que poderia exigir a demolição de edifícios residenciais localizados em frente à basílica.

Associações de moradores afirmam que ainda não receberam informações claras sobre o futuro das construções e cobram definições das autoridades municipais e da fundação responsável pela obra.

Enquanto o impasse permanece sem solução, Barcelona se prepara para celebrar um momento aguardado por gerações. A conclusão da torre principal representa não apenas o avanço de um dos projetos arquitetônicos mais ambiciosos da história, mas também a concretização de um sonho que atravessou guerras, crises e mudanças de século para finalmente alcançar o céu da cidade catalã.

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